A denúncia contra vídeos satíricos expõe a atuação seletiva de Gonet. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, virou alvo de denúncia criminal junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por vídeos satíricos com fantoches de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A peça, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa o pré-candidato à Presidência da República de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Convém parar um instante e absorver a cena: o chefe do Ministério Público mobilizou o aparato penal da República por causa de bonecos de internet.
Zema caricaturou uma decisão questionada pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin, e suspeitas amplamente debatidas sobre o caso Banco Master e a atuação dos ministros. Pode-se considerar os vídeos injustos, agressivos, toscos ou demagógicos. O que não se pode fazer, sem violentar o Direito Penal, é fingir que um fantoche equivale a uma acusação formal de crime.
Zema não tem foro privilegiado. Se Mendes se sentiu ofendido, deveria acionar o Ministério Público na primeira instância. Mas o ministro pediu providências ao colega Alexandre de Moraes, que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). E o órgão que deveria funcionar como filtro contra abusos chancelou sua formalização. A peça da PGR se aproxima perigosamente de uma advocacia penal privada da honra de um ministro.
A seletividade fica mais visível quando se observa aquilo que Gonet escolhe não fazer. Mais de uma vez, o próprio Mendes insinuou que o senador Alessandro Vieira teria vínculos com milicianos e o crime organizado. Onde está a denúncia? Onde está o zelo pela honra? A régua muda conforme o sobrenome na capa do processo.
Diante de contratos multimilionários de empresas de Daniel Vorcaro – o banqueiro investigado pela maior fraude no sistema financeiro de que se tem notícia – e o escritório da mulher de Moraes ou a empresa da família de Dias Toffoli, a PGR entrou em estado contemplativo. Quando Toffoli assumiu a relatoria do caso Master, Gonet arquivou pedidos de impedimento que os próprios ministros do STF se viram obrigados a reconhecer – ainda que não formalmente – numa reunião secreta. Mensagens entre Moraes e Vorcaro foram dispensadas como ninharias. Gonet procrastinou a avaliação de um pedido de prisão de Vorcaro quando a Polícia Federal já evidenciava riscos flagrantes de obstrução e intimidação.
A elasticidade muda conforme o alvo. Depois que um ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro, trouxe à tona mensagens e relatos sobre a atuação informal do ministro para perseguir críticos, o foco deslocou-se rapidamente. Em vez de concentrar energia no conteúdo revelado, o aparato persecutório voltou-se contra quem revelou. A Procuradoria investiga o mensageiro com vigor, mas a mensagem foi varrida para debaixo do tapete.
Esse padrão explica por que tantos brasileiros enxergam hoje uma Justiça de castas. Críticas a ministros são equiparadas a “ataques à democracia”. Um entrevero entre Moraes e um cidadão comum em Roma ativou as engrenagens penais da PGR. Uma frase escrita com batom numa estátua gerou pedido de pena superior à aplicada a criminosos violentos. Um Pix de R$ 500 para ajudar a fretar um ônibus com manifestantes rumo a Brasília virou acusação por tentativa de golpe. Já ministros do STF parecem habitar um ecossistema processual muito mais acolhedor, paciente e compreensivo.
O Ministério Público existe para defender a ordem jurídica e fiscalizar o poder, inclusive o poder togado. Uniformidade de critérios, prudência sem covardia, coragem sem abusos, apego rigoroso ao devido processo legal, proporcionalidade e, sobretudo, independência são o que se espera de um bom procurador. Já Paulo Gonet oscila entre dois polos igualmente degradantes para o parquet: o de perseguidor-geral da República e o de prevaricador-geral da República. (Opinião/O Estado de S. Paulo)
Assessora diz que deixou cargo; Hugo Motta afirma agora que ela não faz mais parte da equipe. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados) Uma funcionária fantasma mantida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a acumular outros dois empregos públicos com as funções que deveria exercer no gabinete, mesmo após a revelação, em …
Gustavo Feliciano (E) foi nomeado por Lula (D) para suceder Celso Sabino no comando da pasta. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Nomeado para chefiar o Ministério do Turismo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Feliciano tomará posse do cargo na manhã desta terça-feira (23), no Palácio do Planalto, em Brasília. Feliciano comandará a …
Presidente do partido de Bolsonaro, Valdemar Costa Neto diz que Alcolumbre (foto) vai “pagar caro” se não pautar anistia. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) Depois do desabafo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — que fez críticas públicas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e, em reunião fechada com líderes, ao presidente do PL, Valdemar …
Integrantes da legenda esperam que esse evento se torne uma tradição e seja realizado anualmente.(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O PT decidiu que, a partir do próximo ano, fará atos em memória aos ataques golpistas que ocorreram no dia 8 de janeiro de 2023. A decisão, segundo lideranças, é realizar eventos nas principais cidades de todos …
Romeu Zema virou alvo de denúncia criminal junto ao Superior Tribunal de Justiça por vídeos satíricos com fantoches de ministros do Supremo
A denúncia contra vídeos satíricos expõe a atuação seletiva de Gonet. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, virou alvo de denúncia criminal junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por vídeos satíricos com fantoches de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A peça, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa o pré-candidato à Presidência da República de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Convém parar um instante e absorver a cena: o chefe do Ministério Público mobilizou o aparato penal da República por causa de bonecos de internet.
Zema caricaturou uma decisão questionada pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin, e suspeitas amplamente debatidas sobre o caso Banco Master e a atuação dos ministros. Pode-se considerar os vídeos injustos, agressivos, toscos ou demagógicos. O que não se pode fazer, sem violentar o Direito Penal, é fingir que um fantoche equivale a uma acusação formal de crime.
Zema não tem foro privilegiado. Se Mendes se sentiu ofendido, deveria acionar o Ministério Público na primeira instância. Mas o ministro pediu providências ao colega Alexandre de Moraes, que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). E o órgão que deveria funcionar como filtro contra abusos chancelou sua formalização. A peça da PGR se aproxima perigosamente de uma advocacia penal privada da honra de um ministro.
A seletividade fica mais visível quando se observa aquilo que Gonet escolhe não fazer. Mais de uma vez, o próprio Mendes insinuou que o senador Alessandro Vieira teria vínculos com milicianos e o crime organizado. Onde está a denúncia? Onde está o zelo pela honra? A régua muda conforme o sobrenome na capa do processo.
Diante de contratos multimilionários de empresas de Daniel Vorcaro – o banqueiro investigado pela maior fraude no sistema financeiro de que se tem notícia – e o escritório da mulher de Moraes ou a empresa da família de Dias Toffoli, a PGR entrou em estado contemplativo. Quando Toffoli assumiu a relatoria do caso Master, Gonet arquivou pedidos de impedimento que os próprios ministros do STF se viram obrigados a reconhecer – ainda que não formalmente – numa reunião secreta. Mensagens entre Moraes e Vorcaro foram dispensadas como ninharias. Gonet procrastinou a avaliação de um pedido de prisão de Vorcaro quando a Polícia Federal já evidenciava riscos flagrantes de obstrução e intimidação.
A elasticidade muda conforme o alvo. Depois que um ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro, trouxe à tona mensagens e relatos sobre a atuação informal do ministro para perseguir críticos, o foco deslocou-se rapidamente. Em vez de concentrar energia no conteúdo revelado, o aparato persecutório voltou-se contra quem revelou. A Procuradoria investiga o mensageiro com vigor, mas a mensagem foi varrida para debaixo do tapete.
Esse padrão explica por que tantos brasileiros enxergam hoje uma Justiça de castas. Críticas a ministros são equiparadas a “ataques à democracia”. Um entrevero entre Moraes e um cidadão comum em Roma ativou as engrenagens penais da PGR. Uma frase escrita com batom numa estátua gerou pedido de pena superior à aplicada a criminosos violentos. Um Pix de R$ 500 para ajudar a fretar um ônibus com manifestantes rumo a Brasília virou acusação por tentativa de golpe. Já ministros do STF parecem habitar um ecossistema processual muito mais acolhedor, paciente e compreensivo.
O Ministério Público existe para defender a ordem jurídica e fiscalizar o poder, inclusive o poder togado. Uniformidade de critérios, prudência sem covardia, coragem sem abusos, apego rigoroso ao devido processo legal, proporcionalidade e, sobretudo, independência são o que se espera de um bom procurador. Já Paulo Gonet oscila entre dois polos igualmente degradantes para o parquet: o de perseguidor-geral da República e o de prevaricador-geral da República. (Opinião/O Estado de S. Paulo)
Related Posts
Funcionária fantasma do presidente da Câmara dos Deputados acumulou o salário na Casa com o de médica em prefeituras
Assessora diz que deixou cargo; Hugo Motta afirma agora que ela não faz mais parte da equipe. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados) Uma funcionária fantasma mantida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a acumular outros dois empregos públicos com as funções que deveria exercer no gabinete, mesmo após a revelação, em …
Novo ministro do Turismo de Lula toma posse nesta terça
Gustavo Feliciano (E) foi nomeado por Lula (D) para suceder Celso Sabino no comando da pasta. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Nomeado para chefiar o Ministério do Turismo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Feliciano tomará posse do cargo na manhã desta terça-feira (23), no Palácio do Planalto, em Brasília. Feliciano comandará a …
Depois do desabafo de Davi Alcolumbre, piora o clima no partido de Bolsonaro contra o presidente do Senado
Presidente do partido de Bolsonaro, Valdemar Costa Neto diz que Alcolumbre (foto) vai “pagar caro” se não pautar anistia. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) Depois do desabafo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — que fez críticas públicas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e, em reunião fechada com líderes, ao presidente do PL, Valdemar …
A partir de agora e em em todos os anos, o PT organizará atos para lembrar o 8 de Janeiro
Integrantes da legenda esperam que esse evento se torne uma tradição e seja realizado anualmente.(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O PT decidiu que, a partir do próximo ano, fará atos em memória aos ataques golpistas que ocorreram no dia 8 de janeiro de 2023. A decisão, segundo lideranças, é realizar eventos nas principais cidades de todos …