Depois de Aécio Neves e Joaquim Barbosa, é a vez de Cleitinho (foto) surgir como balão de ensaio para a sucessão. (Foto: Agência Senado)
O desgaste da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) faz surgir um pré-candidato a presidência a cada 72 horas desde a divulgação de seus contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no dia 13. O mais recente nome na lista é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Antes dele, surgiu no cenário o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que pode ser lançado pela federação do seu partido com o Cidadania na terça-feira (26); e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, lançado pela direção do Democracia Cristã.
A entrada de Cleitinho no rol de presidenciáveis de direita foi confirmada pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP). “Vamos fazer pesquisa e avaliar”, afirmou o dirigente. Fenômeno de redes sociais, o senador mineiro surpreendeu ao se eleger em 2022, em uma campanha alinhada ao bolsonarismo em que derrotou o atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Ele tenta há meses garantir uma aliança com o PL para a sua candidatura ao governo mineiro e já havia anunciado o apoio a Flávio, antes da crise que se abateu sobre a pré-campanha bolsonarista.
O Republicanos apoiou formalmente a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, mas este ano caminha para a neutralidade, desde que uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se tornou impossível, depois do fim do prazo legal para desincompatibilização.
O lançamento de uma candidatura própria poderá causar constrangimentos políticos ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que está aliado ao lulismo na Paraíba. O pai de Motta, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley, tenta se viabilizar como candidato ao Senado na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), com apoio do PT. Mas também devem concorrer ao Senado na órbita do lulismo na Paraíba o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o ex-governador João Azevêdo (PSB).
Janela
Segundo o cientista político Antonio Lavareda, do Ipespe, a crise desencadeada na pré-candidatura de Flávio “abriu uma janela de oportunidade para a direita se libertar do bolsonarismo”.
“O caso do Banco Master para Flávio Bolsonaro é como o fechamento do Estreito de Ormuz. O navio dele é propelido pela força política do pai, mas foi atingido a estibordo, o flanco direito. Ele não pode mais usar a narrativa da moralidade, muito cara ao eleitorado conservador. Ainda não dá para saber se ele vai conseguir passar o estreito ou não”, comentou.
Os pontos percentuais a serem perdidos por Flávio nas próximas pesquisas de intenção de voto não devem ir para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nos levantamentos, já que estão na esfera do antipetismo, que segue majoritário no eleitorado.
O contingente dos desiludidos com o senador deve ser disputado por Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) ou pelos novos presidenciáveis, podendo também migrar temporariamente para a coluna dos indecisos ou dos que pretendem votar branco ou nulo.
Isso faz com que Flávio tenha perdido a imagem de favoritismo que começava a construir antes da crise, sem que Lula tenha se consolidado como quase certo vencedor. A eleição presidencial torna-se aberta. “А euforia da direita com a perspectiva de libertação da polarização nacional dá como resultado essa agitação entusiasmada dos partidos em se precipitarem a lançar candidaturas”, disse Lavareda.
Das três possíveis candidaturas, a de Aécio é a que enfrentaria menos empecilhos para se concretizar, já que o parlamentar mineiro é o presidente da sigla e conta com o apoio do Cidadania, parceiro de federação. Reeleito deputado em 2022 com modesta votação, Aécio já havia definido que não disputaria a reeleição para a Câmara, mas até a eclosão da crise de Flávio parecia inclinado a tentar viabilizar uma candidatura ao Senado pelo seu Estado. (Com informações do Valor Econômico)
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Crise na campanha de Flávio Bolsonaro abre espaço para novos presidenciáveis pela direita
Depois de Aécio Neves e Joaquim Barbosa, é a vez de Cleitinho (foto) surgir como balão de ensaio para a sucessão. (Foto: Agência Senado)
O desgaste da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) faz surgir um pré-candidato a presidência a cada 72 horas desde a divulgação de seus contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no dia 13. O mais recente nome na lista é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Antes dele, surgiu no cenário o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que pode ser lançado pela federação do seu partido com o Cidadania na terça-feira (26); e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, lançado pela direção do Democracia Cristã.
A entrada de Cleitinho no rol de presidenciáveis de direita foi confirmada pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP). “Vamos fazer pesquisa e avaliar”, afirmou o dirigente. Fenômeno de redes sociais, o senador mineiro surpreendeu ao se eleger em 2022, em uma campanha alinhada ao bolsonarismo em que derrotou o atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Ele tenta há meses garantir uma aliança com o PL para a sua candidatura ao governo mineiro e já havia anunciado o apoio a Flávio, antes da crise que se abateu sobre a pré-campanha bolsonarista.
O Republicanos apoiou formalmente a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, mas este ano caminha para a neutralidade, desde que uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se tornou impossível, depois do fim do prazo legal para desincompatibilização.
O lançamento de uma candidatura própria poderá causar constrangimentos políticos ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que está aliado ao lulismo na Paraíba. O pai de Motta, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley, tenta se viabilizar como candidato ao Senado na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), com apoio do PT. Mas também devem concorrer ao Senado na órbita do lulismo na Paraíba o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o ex-governador João Azevêdo (PSB).
Janela
Segundo o cientista político Antonio Lavareda, do Ipespe, a crise desencadeada na pré-candidatura de Flávio “abriu uma janela de oportunidade para a direita se libertar do bolsonarismo”.
“O caso do Banco Master para Flávio Bolsonaro é como o fechamento do Estreito de Ormuz. O navio dele é propelido pela força política do pai, mas foi atingido a estibordo, o flanco direito. Ele não pode mais usar a narrativa da moralidade, muito cara ao eleitorado conservador. Ainda não dá para saber se ele vai conseguir passar o estreito ou não”, comentou.
Os pontos percentuais a serem perdidos por Flávio nas próximas pesquisas de intenção de voto não devem ir para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nos levantamentos, já que estão na esfera do antipetismo, que segue majoritário no eleitorado.
O contingente dos desiludidos com o senador deve ser disputado por Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) ou pelos novos presidenciáveis, podendo também migrar temporariamente para a coluna dos indecisos ou dos que pretendem votar branco ou nulo.
Isso faz com que Flávio tenha perdido a imagem de favoritismo que começava a construir antes da crise, sem que Lula tenha se consolidado como quase certo vencedor. A eleição presidencial torna-se aberta. “А euforia da direita com a perspectiva de libertação da polarização nacional dá como resultado essa agitação entusiasmada dos partidos em se precipitarem a lançar candidaturas”, disse Lavareda.
Das três possíveis candidaturas, a de Aécio é a que enfrentaria menos empecilhos para se concretizar, já que o parlamentar mineiro é o presidente da sigla e conta com o apoio do Cidadania, parceiro de federação. Reeleito deputado em 2022 com modesta votação, Aécio já havia definido que não disputaria a reeleição para a Câmara, mas até a eclosão da crise de Flávio parecia inclinado a tentar viabilizar uma candidatura ao Senado pelo seu Estado. (Com informações do Valor Econômico)
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