Desde o fim do governo do marido, Michelle passou a construir uma base própria mirando as conservadoras. (Foto: PL Mulher/Divulgação)
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem sido tratada, por uma ala dentro do PL e entre bolsonaristas, como uma alternativa à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso venham à tona mais informações de envolvimento do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O nome de Michelle foi citado na reunião emergencial da pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na noite de quarta-feira (13), horas após o site Intercept Brasil revelar áudio e trocas de mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro.
No encontro, o entorno do pastor Silas Malafaia defendeu Michelle por considerar a ex-primeira-dama como única solução se houver o derretimento de Flávio.
Segundo os diálogos revelados pelo site, confirmados pelo Valor, o senador pediu dinheiro para financiar o filme biográfico do seu pai. Uma planilha de controle compartilhada entre Vorcaro e seus aliados indicam que foram transferidos US$ 10,6 milhões de um total de US$ 23,9 milhões previstos para a produção.
As conversas foram tornadas públicas na tarde de quarta e foram vistas como uma “surpresa” por integrantes da pré-campanha do senador e por aliados. Flávio negava ter relação de proximidade com Vorcaro.
No comunicado divulgado à imprensa, o senador confirma o pedido de dinheiro, mas negou haver irregularidades e alegou que o contato com Vorcaro ocorreu quando não existiam suspeitas públicas contra o então banqueiro. Uma das trocas de mensagens entre eles, publicadas pelo Intercept Brasil, ocorreu na véspera da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
A avaliação de fontes do PL é de que o episódio deixou ainda mais exposto o teto de vidro de Flávio, que já enfrentou, no passado, acusações de lavagem de dinheiro e de “rachadinha” na época em que era deputado estadual no Rio. Dessa forma, há um receio dentro do partido de que possam surgir mais notícias do envolvimento do pré-candidato com Vorcaro.
Por ora, a orientação na pré-campanha é aguardar para saber os efeitos que o caso terá na avaliação e nas intenções de voto de Flávio. Para um consultor que tem sido ouvido pelo PL, não faz sentido, por enquanto, recuar de uma pré-candidatura que tem pontuado bem na pesquisa e ficado páreo a páreo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, diz o consultor, o cenário pode mudar se a história da proximidade do senador com Vorcaro tiver novos desdobramentos. “Mas é preciso, antes, dar tempo ao tempo”, afirma.
Eleitorado feminino
Se tiver, de fato, um derretimento de Flávio, bolsonaristas e aliados de Silas Malafaia avaliam que um caminho é apostar na candidatura de Michelle. Entre os argumentos usados, está o apelo popular maior da ex-primeira-dama em comparação ao enteado, sobretudo entre mulheres. Há uma avaliação de que ela tem mais entrada no público feminino conservador que tem certa resistência ao bolsonarismo, visto às vezes como “muito agressivo”.
Desde o fim do governo do marido, Michelle passou a construir uma base própria mirando as conservadoras. Para isso, ela aposta no empoderamento feminino, baseada na linha de que “o homem até pode ser a cabeça da casa, mas a mulher é o pescoço”.
Outro argumento usado pelos defensores da candidatura de Michelle é que, se for mesmo preciso substituir Flávio, escolher qualquer um dos nomes já postos seria entregar de bandeja todo o capital político do grupo a alguém que não faz parte do núcleo duro do bolsonarismo.
Eles citam os casos dos outros pré-candidatos à Presidência, os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Ο segundo é visto como um político independente e com história própria para além do bolsonarismo, e Zema, ao atacar Flávio após as revelações, teria “queimado a largado” e revoltado a base do ex-presidente.
A ex-primeira-dama, porém, enfrenta obstáculos numa empreitada eleitoral à Presidência. O primeiro é saber se Flávio precisará mesmo ser substituído, decisão que não será tomada agora. E o segundo é a vontade de Bolsonaro. O ex-presidente sempre foi contrário à candidatura presidencial da mulher. Hoje, Michelle é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. (Com informações do Valor Econômico)
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Michelle é vista por integrantes do partido de Bolsonaro como uma alternativa à Presidência da República
Desde o fim do governo do marido, Michelle passou a construir uma base própria mirando as conservadoras. (Foto: PL Mulher/Divulgação)
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem sido tratada, por uma ala dentro do PL e entre bolsonaristas, como uma alternativa à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso venham à tona mais informações de envolvimento do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O nome de Michelle foi citado na reunião emergencial da pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na noite de quarta-feira (13), horas após o site Intercept Brasil revelar áudio e trocas de mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro.
No encontro, o entorno do pastor Silas Malafaia defendeu Michelle por considerar a ex-primeira-dama como única solução se houver o derretimento de Flávio.
Segundo os diálogos revelados pelo site, confirmados pelo Valor, o senador pediu dinheiro para financiar o filme biográfico do seu pai. Uma planilha de controle compartilhada entre Vorcaro e seus aliados indicam que foram transferidos US$ 10,6 milhões de um total de US$ 23,9 milhões previstos para a produção.
As conversas foram tornadas públicas na tarde de quarta e foram vistas como uma “surpresa” por integrantes da pré-campanha do senador e por aliados. Flávio negava ter relação de proximidade com Vorcaro.
No comunicado divulgado à imprensa, o senador confirma o pedido de dinheiro, mas negou haver irregularidades e alegou que o contato com Vorcaro ocorreu quando não existiam suspeitas públicas contra o então banqueiro. Uma das trocas de mensagens entre eles, publicadas pelo Intercept Brasil, ocorreu na véspera da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
A avaliação de fontes do PL é de que o episódio deixou ainda mais exposto o teto de vidro de Flávio, que já enfrentou, no passado, acusações de lavagem de dinheiro e de “rachadinha” na época em que era deputado estadual no Rio. Dessa forma, há um receio dentro do partido de que possam surgir mais notícias do envolvimento do pré-candidato com Vorcaro.
Por ora, a orientação na pré-campanha é aguardar para saber os efeitos que o caso terá na avaliação e nas intenções de voto de Flávio. Para um consultor que tem sido ouvido pelo PL, não faz sentido, por enquanto, recuar de uma pré-candidatura que tem pontuado bem na pesquisa e ficado páreo a páreo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, diz o consultor, o cenário pode mudar se a história da proximidade do senador com Vorcaro tiver novos desdobramentos. “Mas é preciso, antes, dar tempo ao tempo”, afirma.
Eleitorado feminino
Se tiver, de fato, um derretimento de Flávio, bolsonaristas e aliados de Silas Malafaia avaliam que um caminho é apostar na candidatura de Michelle. Entre os argumentos usados, está o apelo popular maior da ex-primeira-dama em comparação ao enteado, sobretudo entre mulheres. Há uma avaliação de que ela tem mais entrada no público feminino conservador que tem certa resistência ao bolsonarismo, visto às vezes como “muito agressivo”.
Desde o fim do governo do marido, Michelle passou a construir uma base própria mirando as conservadoras. Para isso, ela aposta no empoderamento feminino, baseada na linha de que “o homem até pode ser a cabeça da casa, mas a mulher é o pescoço”.
Outro argumento usado pelos defensores da candidatura de Michelle é que, se for mesmo preciso substituir Flávio, escolher qualquer um dos nomes já postos seria entregar de bandeja todo o capital político do grupo a alguém que não faz parte do núcleo duro do bolsonarismo.
Eles citam os casos dos outros pré-candidatos à Presidência, os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Ο segundo é visto como um político independente e com história própria para além do bolsonarismo, e Zema, ao atacar Flávio após as revelações, teria “queimado a largado” e revoltado a base do ex-presidente.
A ex-primeira-dama, porém, enfrenta obstáculos numa empreitada eleitoral à Presidência. O primeiro é saber se Flávio precisará mesmo ser substituído, decisão que não será tomada agora. E o segundo é a vontade de Bolsonaro. O ex-presidente sempre foi contrário à candidatura presidencial da mulher. Hoje, Michelle é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. (Com informações do Valor Econômico)
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