Documentos indicam transferências de R$ 61 milhões de um total previsto de R$ 134 milhões para o financiamento do filme.(Foto: Reprodução)
Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, além de aliados e envolvidos na produção do filme “Dark Horse”, têm dado versões conflitantes sobre os repasses de Daniel Vorcaro. O banqueiro firmou um compromisso de financiar o longa sobre a campanha de 2018 de Jair Bolsonaro, e inclusive tratou sobre “parcelas” que estariam atrasadas com o filho 01 do ex-presidente, escolhido pelo pai para disputar a Presidência neste ano.
Flávio admitiu os aportes feitos por Vorcaro, mas a produção executiva do projeto alega que não houve financiamento pelo dono do Banco Master.
Bolsonaristas têm compartilhado ambos os posicionamentos, apesar das divergências.
Eduardo, por exemplo, compartilhou tanto a versão de seu irmão Flávio como o da produtora. Em meio à divulgação de versões conflitantes, a Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro cobrado pelo senador de Vorcaro também foi usado para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
Reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelou áudios e mensagens com cobranças diretas de Flávio a Vorcaro sobre os recursos para a conclusão do longa .
Uma das reclamações ocorreu na véspera da prisão do banqueiro. Ainda segundo a publicação, documentos indicam transferências de R$ 61 milhões de um total previsto de R$ 134 milhões para o financiamento do filme.
Os repasses foram feitos pela empresa Entre Investimentos, ligada a Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, empresa com sede no Texas e ligada à produção do filme, mas também ao advogado de Eduardo Bolsonaro.
Flávio
Em um primeiro momento, Flávio Bolsonaro classificou o repasse dos recursos, por Vorcaro ao filme de Bolsonaro como “mentira”.
Após a publicação da reportagem, Flávio divulgou uma nota em que admitiu ter procurado patrocínio para filme sobre a história de seu pai, mas sustentou que o projeto é privado e que “não ofereceu vantagens em troca”.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, sustentou.
As mensagens trocadas entre Vorcaro e o senador revelam a intimidade de Flávio com o banqueiro para tratar do patrocínio. Nas conversas, o senador insiste no repasse para o filme em mais de uma ocasião e demonstra estar ciente da crise do Master à época.
Em vídeo, o senador citou diretamente parcelas pagas pelo ex-banqueiro, indicando que, com o passar do tempo, Vorcaro “parou de honrar” as mesmas. O parlamentar ainda citou a procura por outros investidores após os repasses de Vorcaro cessarem.
Produção
A produtora do filme, Goup Entertainment, sustentou ter mais de uma dezena de investidores para o longa.
Em comunicado divulgado pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, porém, afirmou que não recebeu “um único centavo” de Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
“Conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos”, sustentou a empresa.
As declarações divergem não só da admissão dos repasses, feita por Flávio, mas também da versão do publicitário Thiago Miranda, dono da agência que contratou influenciadores para uma operação de “marketing de guerrilha” nas redes sociais em favor do Master.
Publicitário
Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o publicitário Thiago Miranda confirmou que intermediou a negociação que levou Vorcaro a aportar R$ 61 milhões no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo Thiago Miranda, o projeto do filme foi apresentado a ele pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), que pediu ajuda por estar com dificuldade de financiamento.
Frias é identificado como produtor-executivo e roteirista do filme.
O publicitário sustenta que, após Vorcaro manifestar interesse em patrocinar o filme, voltou a falar com Mario Frias, para relatar que o “Daniel ia entrar”. Em seguida, o contrato foi assinado, ainda de acordo com Miranda.
Mário Frias
Contrariando a versão de Miranda, Mário Fria repetiu a frase da produtora, de que não há “um único centavo” de Vorcaro no longa.
“E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, completou.
Essa versão também contraria as conversas mantidas entre Flávio e Vorcaro, já que o senador cita ao banqueiro “parcelas” a quitar para que o filme seja finalizado.
Frias ainda afirmou que Flávio Bolsonaro “não tem qualquer sociedade” no longa.
Segundo o parlamentar, Flávio teve um “papel” na produção do filme em razão do “peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar” o projeto. (Com informações do jornal O Globo)
A defesa do parlamentar disse, por meio de nota, que o episódio decorreu de “um mal-entendido ocorrido ao final de uma viagem”. (Foto: José Leomar/Alece) O suplente de deputado estadual do Ceará Pedro Lobo (PT) foi preso em flagrante nessa segunda-feira (2) pela Polícia Federal (PF) após uma denúncia de importunação sexual registrada por uma …
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Flávio, Eduardo e produtores divulgam informações diferentes sobre financiamento de filme sobre Bolsonaro
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Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, além de aliados e envolvidos na produção do filme “Dark Horse”, têm dado versões conflitantes sobre os repasses de Daniel Vorcaro. O banqueiro firmou um compromisso de financiar o longa sobre a campanha de 2018 de Jair Bolsonaro, e inclusive tratou sobre “parcelas” que estariam atrasadas com o filho 01 do ex-presidente, escolhido pelo pai para disputar a Presidência neste ano.
Flávio admitiu os aportes feitos por Vorcaro, mas a produção executiva do projeto alega que não houve financiamento pelo dono do Banco Master.
Bolsonaristas têm compartilhado ambos os posicionamentos, apesar das divergências.
Eduardo, por exemplo, compartilhou tanto a versão de seu irmão Flávio como o da produtora. Em meio à divulgação de versões conflitantes, a Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro cobrado pelo senador de Vorcaro também foi usado para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
Reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelou áudios e mensagens com cobranças diretas de Flávio a Vorcaro sobre os recursos para a conclusão do longa .
Uma das reclamações ocorreu na véspera da prisão do banqueiro. Ainda segundo a publicação, documentos indicam transferências de R$ 61 milhões de um total previsto de R$ 134 milhões para o financiamento do filme.
Os repasses foram feitos pela empresa Entre Investimentos, ligada a Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, empresa com sede no Texas e ligada à produção do filme, mas também ao advogado de Eduardo Bolsonaro.
Flávio
Em um primeiro momento, Flávio Bolsonaro classificou o repasse dos recursos, por Vorcaro ao filme de Bolsonaro como “mentira”.
Após a publicação da reportagem, Flávio divulgou uma nota em que admitiu ter procurado patrocínio para filme sobre a história de seu pai, mas sustentou que o projeto é privado e que “não ofereceu vantagens em troca”.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, sustentou.
As mensagens trocadas entre Vorcaro e o senador revelam a intimidade de Flávio com o banqueiro para tratar do patrocínio. Nas conversas, o senador insiste no repasse para o filme em mais de uma ocasião e demonstra estar ciente da crise do Master à época.
Em vídeo, o senador citou diretamente parcelas pagas pelo ex-banqueiro, indicando que, com o passar do tempo, Vorcaro “parou de honrar” as mesmas. O parlamentar ainda citou a procura por outros investidores após os repasses de Vorcaro cessarem.
Produção
A produtora do filme, Goup Entertainment, sustentou ter mais de uma dezena de investidores para o longa.
Em comunicado divulgado pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, porém, afirmou que não recebeu “um único centavo” de Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
“Conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos”, sustentou a empresa.
As declarações divergem não só da admissão dos repasses, feita por Flávio, mas também da versão do publicitário Thiago Miranda, dono da agência que contratou influenciadores para uma operação de “marketing de guerrilha” nas redes sociais em favor do Master.
Publicitário
Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o publicitário Thiago Miranda confirmou que intermediou a negociação que levou Vorcaro a aportar R$ 61 milhões no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo Thiago Miranda, o projeto do filme foi apresentado a ele pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), que pediu ajuda por estar com dificuldade de financiamento.
Frias é identificado como produtor-executivo e roteirista do filme.
O publicitário sustenta que, após Vorcaro manifestar interesse em patrocinar o filme, voltou a falar com Mario Frias, para relatar que o “Daniel ia entrar”. Em seguida, o contrato foi assinado, ainda de acordo com Miranda.
Mário Frias
Contrariando a versão de Miranda, Mário Fria repetiu a frase da produtora, de que não há “um único centavo” de Vorcaro no longa.
“E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, completou.
Essa versão também contraria as conversas mantidas entre Flávio e Vorcaro, já que o senador cita ao banqueiro “parcelas” a quitar para que o filme seja finalizado.
Frias ainda afirmou que Flávio Bolsonaro “não tem qualquer sociedade” no longa.
Segundo o parlamentar, Flávio teve um “papel” na produção do filme em razão do “peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar” o projeto. (Com informações do jornal O Globo)
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