Material é requentado e já superado pelo próprio avanço das investigações da Polícia Federal e da PGR, dizem investigadores. (Foto: Arquivo/Master)
Se a contribuição de Daniel Vorcaro para as investigações do Banco Master se resumir aos anexos entregues nesta semana, o banqueiro pode se acostumar com o colchonete da prisão até porque a estadia na sala confortável da Polícia Federal (PF) pode estar no fim.
O material é requentado e incompleto, na visão da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF. Já foi, inclusive, superado pelo que os investigadores descobriram nos celulares de Vorcaro, vide a ação contra Ciro Nogueira.
“O celular dele já é uma confissão”, diz um investigador.
O banqueiro completou nesta semana dois meses preso. Teve tempo suficiente para elaborar um material decisivo, caso sua intenção fosse mesmo abrir todos os fatos criminosos que envolvem sua aventura no Banco Master. Não foi, na visão de interlocutores da investigação, o que aconteceu. Tanto que a PF pediu ao relator das investigações, ministro André Mendonça, que devolva o banqueiro ao presídio de onde foi tirado para que elaborasse anexos.
Pressão
A apresentação da proposta de delação de Vorcaro abriu uma nova frente de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio ao racha interno na Corte, uma ala de ministros vê pressão para que o cardápio de delação produza elementos que atinjam o ministro Alexandre de Moraes.
Reservadamente, integrantes do tribunal afirmam que a reação ao acordo – marcada por críticas e por cobranças sobre o seu conteúdo – e o próprio timing da entrega reforçam a leitura de que há uma tentativa de direcionar o alcance da colaboração.
Ministros ouvidos pelo jornal O Globo apontam que não é comum que, poucas horas após a entrega da proposta, já surjam críticas ao material, ainda que de forma reservada. Na avaliação desses magistrados, o movimento pode indicar resistência prévia aos elementos apresentados, sem que tenha havido uma análise aprofundada.
Segundo esses relatos, mais do que o conteúdo ainda sigiloso da proposta, o ambiente em torno da delação passou a ser visto como instrumento de pressão dentro e fora do tribunal. A avaliação é que o caso Vorcaro se soma a outros episódios recentes que expuseram divisões internas no STF, especialmente no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Em caráter reservado, ministros dizem perceber movimentos em diversos sentidos com interesses em extrair da colaboração elementos que possam alcançar Moraes, o que poderia acarretar, futuramente, inclusive, nulidades processuais.
Há ainda a leitura de que houve um “compasso de espera” em movimentações relacionadas ao caso, possivelmente influenciado pelo calendário político recente, como a sabatina frustrada do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. (Com informações da revista Veja e do jornal O Globo)
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Delação premiada de Vorcaro não convence investigadores e deve complicar o banqueiro
Material é requentado e já superado pelo próprio avanço das investigações da Polícia Federal e da PGR, dizem investigadores. (Foto: Arquivo/Master)
Se a contribuição de Daniel Vorcaro para as investigações do Banco Master se resumir aos anexos entregues nesta semana, o banqueiro pode se acostumar com o colchonete da prisão até porque a estadia na sala confortável da Polícia Federal (PF) pode estar no fim.
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O banqueiro completou nesta semana dois meses preso. Teve tempo suficiente para elaborar um material decisivo, caso sua intenção fosse mesmo abrir todos os fatos criminosos que envolvem sua aventura no Banco Master. Não foi, na visão de interlocutores da investigação, o que aconteceu. Tanto que a PF pediu ao relator das investigações, ministro André Mendonça, que devolva o banqueiro ao presídio de onde foi tirado para que elaborasse anexos.
Pressão
A apresentação da proposta de delação de Vorcaro abriu uma nova frente de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio ao racha interno na Corte, uma ala de ministros vê pressão para que o cardápio de delação produza elementos que atinjam o ministro Alexandre de Moraes.
Reservadamente, integrantes do tribunal afirmam que a reação ao acordo – marcada por críticas e por cobranças sobre o seu conteúdo – e o próprio timing da entrega reforçam a leitura de que há uma tentativa de direcionar o alcance da colaboração.
Ministros ouvidos pelo jornal O Globo apontam que não é comum que, poucas horas após a entrega da proposta, já surjam críticas ao material, ainda que de forma reservada. Na avaliação desses magistrados, o movimento pode indicar resistência prévia aos elementos apresentados, sem que tenha havido uma análise aprofundada.
Segundo esses relatos, mais do que o conteúdo ainda sigiloso da proposta, o ambiente em torno da delação passou a ser visto como instrumento de pressão dentro e fora do tribunal. A avaliação é que o caso Vorcaro se soma a outros episódios recentes que expuseram divisões internas no STF, especialmente no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Em caráter reservado, ministros dizem perceber movimentos em diversos sentidos com interesses em extrair da colaboração elementos que possam alcançar Moraes, o que poderia acarretar, futuramente, inclusive, nulidades processuais.
Há ainda a leitura de que houve um “compasso de espera” em movimentações relacionadas ao caso, possivelmente influenciado pelo calendário político recente, como a sabatina frustrada do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. (Com informações da revista Veja e do jornal O Globo)
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