Integrantes do governo e da base aliada tentam ligar senador a Flávio Bolsonaro (foto), pré-candidato a presidente. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal buscaram ligar o escândalo do Banco Master à imagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após operação da Polícia Federal (PF) que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Petistas e integrantes da base de apoio retomaram a defesa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes e apostaram na expressão “BolsoMaster” para explorar a proximidade do parlamentar com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ciro foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e é presidente nacional do PP, partido cotado para ficar com a vaga de vice na chapa de Flávio. O pré-candidato à Presidência do PL procurou se afastar das denúncias contra o dirigente partidário.
Ciro foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que Investiga suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Master. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e ao irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF identificou pagamentos regulares, de até R$ 500 mil, de Daniel Vorcaro para Ciro em troca de favores ao então banqueiro. O senador nega, diz que as suspeitas são “ilação” e afirma que está à disposição da Justiça.
Pouco tempo depois de as primeiras informações reveladas pela PF virem a público, o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, fez publicações nas redes sociais associando o Master a Flávio, e colocou trecho de uma entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, em junho do ano passado, em que o presidenciável do PL classificou Ciro Nogueira como um “bom perfil” para ser vice-presidente. “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de R$ 300 mil do Master.
Precisa desenhar?”, escreveu Boulos.
Ex-ministro e líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o Congresso precisa dar uma “resposta firme” e instalar uma CPI para apurar a atuação do Master. “A nova fase da Operação Compliance Zero mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’. Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência aparecem cercados por operadores da fraude. É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara”, disse ao Valor.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou em publicações nas redes que a operação da PF deixa claro que há um “acordo” entre políticos da extrema-direita e do Centrão em busca de blindagem e proteção. O acordo, disse o deputado, envolveu a rejeição de Jorge Messias para vaga no STF, a articulação para barrar a CPI do Master e a derrubada dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria, que reduz as penas de condenados por atos golpistas.
“Cada dia mais um peão do enrosco do BolsoMaster, que denunciamos na CPMI do INSS, é revelado. Quem rodou dessa vez foi Ciro Nogueira, mas ainda há muito a ser descoberto. Entenderam porquê fizeram o acordão para votar dosimetria e abafar a CPI do Master?”, afirmou também o deputado Rogério Correia (PT-MG).
Apesar do tom combativo de aliados, Lula evitou comentar a ação, ao ser questionado sobre o assunto durante viagem a Washington. “Há uma decisão do ministro André Mendonça para que houvesse a operação, e ela foi feita. A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Espero que todos as pessoas investigadas sejam inocentes”, disse, após o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), além de explorar a proximidade entre Ciro e Flávio, destacou que o parlamentar está entre os contrários ao fim da escala de trabalho 6×1, proposta defendida por ela e atualmente em tramitação na Câmara. “Para ele (Ciro Nogueira), a mesadinha de 500k do Daniel Vorcaro e a escala 3×4 do Senado. Para o povo, a exploração e o trabalho até a exaustão”, afirmou em suas redes. (Com informações do Valor Econômico)
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Após ação da Polícia Federal contra Ciro Nogueira, petistas retomam pedido por CPI e falam em esquema “BolsoMaster”
Integrantes do governo e da base aliada tentam ligar senador a Flávio Bolsonaro (foto), pré-candidato a presidente. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal buscaram ligar o escândalo do Banco Master à imagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após operação da Polícia Federal (PF) que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Petistas e integrantes da base de apoio retomaram a defesa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes e apostaram na expressão “BolsoMaster” para explorar a proximidade do parlamentar com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ciro foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e é presidente nacional do PP, partido cotado para ficar com a vaga de vice na chapa de Flávio. O pré-candidato à Presidência do PL procurou se afastar das denúncias contra o dirigente partidário.
Ciro foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que Investiga suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Master. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e ao irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF identificou pagamentos regulares, de até R$ 500 mil, de Daniel Vorcaro para Ciro em troca de favores ao então banqueiro. O senador nega, diz que as suspeitas são “ilação” e afirma que está à disposição da Justiça.
Pouco tempo depois de as primeiras informações reveladas pela PF virem a público, o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, fez publicações nas redes sociais associando o Master a Flávio, e colocou trecho de uma entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, em junho do ano passado, em que o presidenciável do PL classificou Ciro Nogueira como um “bom perfil” para ser vice-presidente. “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de R$ 300 mil do Master.
Precisa desenhar?”, escreveu Boulos.
Ex-ministro e líder do governo na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o Congresso precisa dar uma “resposta firme” e instalar uma CPI para apurar a atuação do Master. “A nova fase da Operação Compliance Zero mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’. Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência aparecem cercados por operadores da fraude. É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara”, disse ao Valor.
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“Cada dia mais um peão do enrosco do BolsoMaster, que denunciamos na CPMI do INSS, é revelado. Quem rodou dessa vez foi Ciro Nogueira, mas ainda há muito a ser descoberto. Entenderam porquê fizeram o acordão para votar dosimetria e abafar a CPI do Master?”, afirmou também o deputado Rogério Correia (PT-MG).
Apesar do tom combativo de aliados, Lula evitou comentar a ação, ao ser questionado sobre o assunto durante viagem a Washington. “Há uma decisão do ministro André Mendonça para que houvesse a operação, e ela foi feita. A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Espero que todos as pessoas investigadas sejam inocentes”, disse, após o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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