Ministros do STF e do governo procuraram o presidente depois da derrota para defender o magistrado (foto). (Foto: Luiz Silveira/STF)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes buscou interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que não trabalhou para derrotar Jorge Messias na votação do Senado que barrou o nome do advogado-geral da União para a Corte.
Moraes é próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que impôs derrota fragorosa ao governo semana passada ao rejeitar a indicação de Messias por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
No entendimento do Palácio do Planalto, o ministro do STF deu ao senador o suporte necessário para o enfrentamento contra o governo.
Uma das mensagens foi enviada por Moraes ao próprio Messias, que até o fim de semana não tinha respondido ao magistrado. Nela, o ministro dizia lamentar a derrota do advogado-geral da União.
As outras mensagens e conversas foram enviadas ou mantidas por Moraes com integrantes do primeiro escalão de Lula com quem ele mantém diálogo.
O tom do magistrado era de contrariedade com reportagens que afirmavam que, no entendimento de Lula, ele teria ajudado Alcolumbre a derrotar Messias.
Pelo menos um ministro do STF e dois integrantes do ministério de Lula procuraram o presidente depois da derrota para defender Moraes e dizer que a avaliação do Planalto é injusta.
Eles diziam que não é possível apontar um único ato ou mesmo um telefonema do magistrado para senadores pedindo voto contra Messias.
Ministros do STF e interlocutores de Moraes afirmaram à coluna que, mesmo que quisesse, o magistrado não teria sequer condições de fazer campanha contra o advogado-geral da União, já que seu prestígio no Senado é baixo.
Eles afirmam que a batalha contra Lula e Messias era de Alcolumbre e que, como Moraes é aliado de primeira hora do presidente do Senado, foi arrastado para uma posição dúbia: não fez carga contra, mas tampouco se esforçou para apoiar Messias, evitando contrariar o presidente do Senado.
Magistrados ponderam que Moraes inclusive participou da tentativa de colocar algodão entre os cristais ao participar de um almoço na casa do ministro Cristiano Zanin que juntou Alcolumbre e Messias para dialogar. Apesar das negativas do presidente do Senado, ele foi à reunião sabendo que o advogado-geral da União estaria presente. Na ocasião, não garantiu apoio e sinalizou que ele dificilmente seria aprovado.
Nas conversas, Lula não escondeu sua crença de que Alexandre de Moraes participou da articulação contra Messias.
A avaliação do presidente e de interlocutores diretos é que, com a vitória de Alcolumbre, ele teria o benefício de ver um aliado de primeira hora fortalecido, e com chances de se reeleger para a presidência do Senado em 2027.
Alcolumbre no comando do Senado por pelo menos mais dois anos seria a garantia de que qualquer tentativa de impeachment contra Moraes não será pautada.
Até lá, Moraes, agora amparado pela lei que diminuiu as penas dos condenados por golpe de estado, poderia rever as punições, aliviando inclusive a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A lei da dosimetria, que permite a revisão das penas, foi endossada pelo Senado na sequência da derrota de Messias. Alcolumbre comandou também a sessão que derrubou o veto de Lula às novas regras.
Um terceiro efeito, na visão do Planalto, é o de que Alcolumbre e Moraes teriam mandado um recado poderoso: o de que o ministro do STF André Mendonça, que é o relator do caso Master, que atinge a ambos, está isolado na Corte e tem menos poder do que até então poderia parecer. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
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Alexandre de Moraes busca aliados de Lula para dizer que não trabalhou contra Messias no Supremo
Ministros do STF e do governo procuraram o presidente depois da derrota para defender o magistrado (foto). (Foto: Luiz Silveira/STF)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes buscou interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que não trabalhou para derrotar Jorge Messias na votação do Senado que barrou o nome do advogado-geral da União para a Corte.
Moraes é próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que impôs derrota fragorosa ao governo semana passada ao rejeitar a indicação de Messias por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
No entendimento do Palácio do Planalto, o ministro do STF deu ao senador o suporte necessário para o enfrentamento contra o governo.
Uma das mensagens foi enviada por Moraes ao próprio Messias, que até o fim de semana não tinha respondido ao magistrado. Nela, o ministro dizia lamentar a derrota do advogado-geral da União.
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O tom do magistrado era de contrariedade com reportagens que afirmavam que, no entendimento de Lula, ele teria ajudado Alcolumbre a derrotar Messias.
Pelo menos um ministro do STF e dois integrantes do ministério de Lula procuraram o presidente depois da derrota para defender Moraes e dizer que a avaliação do Planalto é injusta.
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Eles afirmam que a batalha contra Lula e Messias era de Alcolumbre e que, como Moraes é aliado de primeira hora do presidente do Senado, foi arrastado para uma posição dúbia: não fez carga contra, mas tampouco se esforçou para apoiar Messias, evitando contrariar o presidente do Senado.
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Alcolumbre no comando do Senado por pelo menos mais dois anos seria a garantia de que qualquer tentativa de impeachment contra Moraes não será pautada.
Até lá, Moraes, agora amparado pela lei que diminuiu as penas dos condenados por golpe de estado, poderia rever as punições, aliviando inclusive a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A lei da dosimetria, que permite a revisão das penas, foi endossada pelo Senado na sequência da derrota de Messias. Alcolumbre comandou também a sessão que derrubou o veto de Lula às novas regras.
Um terceiro efeito, na visão do Planalto, é o de que Alcolumbre e Moraes teriam mandado um recado poderoso: o de que o ministro do STF André Mendonça, que é o relator do caso Master, que atinge a ambos, está isolado na Corte e tem menos poder do que até então poderia parecer. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
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