Filho do ex-presidente pede pesquisas para aferir potencial eleitoral de Rogéria Bolsonaro.(Foto: Reprodução)
Na semana passada, Flávio Bolsonaro fez um pedido para Murilo Hidalgo, dono do Paraná Pesquisas, o instituto em que o senador e pré-candidato do PL à Presidência mais confia: que colocasse pela primeira vez o nome da própria mãe na sondagem de intenção de votos para o Senado no Rio. Por trás do movimento silencioso de começar a testar Rogéria Bolsonaro está o intuito de remover a candidatura do ex-governador Cláudio Castro, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico no caso do Ceperj.
Como o PL fluminense ainda não quer admitir para Castro que ele estará fora das urnas em 2026, os líderes da sigla acabaram criando uma desculpa para o nome de Rogéria aparecer no levantamento do Paraná Pesquisas. Jogaram a responsabilidade do levantamento no dono do instituto como se não estivesse em curso uma articulação política dentro do PL para trair o ex-governador. Na versão falsa apresentada para Castro, Flávio pediu o teste ao nome de Rogéria só para evitar uma suposta intenção de Murilo Hidalgo de pesquisar o nome da advogada Fernanda Bolsonaro, esposa do senador e cada vez mais presente nas redes sociais na estratégia de moderar a imagem do marido.
Mais do que estar inelegível – embora ainda caibam recursos como embargos no TSE – e ter agora a concorrência da mãe de Flávio, Castro vem recebendo outras notícias ruins no universo das pesquisas. Na segunda-feira (27), a Quaest divulgou que a aprovação ao seu mandato despencou desde outubro, mês em que seus números haviam tido fôlego após a operação nos Complexos do Alemão e da Penha que matou 122 pessoas. Passou de 53% para apenas 35% o percentual de eleitores que veem o seu governo com bons olhos, enquanto 47% dos entrevistados dizem rejeitar a sua administração.
Na Quaest, Castro lidera a corrida ao Senado com 12% das intenções de votos, mas está tecnicamente empatado com Benedita da Silva (PT), que marca 10%. Ao contrário do Paraná Pesquisas, o instituto do cientista político Felipe Nunes ainda não testou Rogéria Bolsonaro.
Antes do colapso jurídico e político do ex-governador do Rio, os planos para a mãe de Flávio, Carlos e Eduardo eram outros. No acordo selado em março no PL, a chapa para governador liderada pelo deputado estadual Douglas Ruas havia sido desenhada com o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) disputando a segunda vaga ao Senado, tendo Rogéria como primeira-suplente.
Desde o início do ano, Flávio sempre teve em mente que era preciso um plano B para Castro. Chegou a pensar no ex-chefe de Polícia Civil Felipe Curi para a posição, mas a filiação dele ao PP dificultou tê-lo como substituto. A federação do partido com o União Brasil, além de escolher Canella como candidato, já indicou o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) para o posto de vice de Douglas Ruas.
Dar protagonismo a Rogéria nas eleições cumpriria um reparo histórico dentro da família Bolsonaro. Aos 65 anos, ela chegou a exercer dois mandatos como vereadora no Rio, entre 1993 e 2000, quando era casada com o ex-presidente Bolsonaro.
Ao tentar um terceiro mandato na Câmara e já divorciada, enfrentou a fúria do ex-marido, que lançou o filho Carlos Bolsonaro, então com 17 anos, para competir contra a própria mãe nas urnas. Ele acabou eleito o vereador mais jovem da cidade, com 16.053 votos, e Rogéria ficou como suplente, com apenas 5.109 votos.
A mãe de Flávio se afastou da política por quase duas décadas e só foi reaparecer depois da eleição presidencial de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito contra Fernando Haddad (PT).
Mesmo com discursos alinhados às pautas da direita e em defesa do ex-marido, acabou fracassando na tentativa de se eleger vereadora no Rio, em 2020, pelo Republicanos – um destino parecido com o de Ana Cristina Vale, a segunda ex-mulher de Bolsonaro, que nas últimas duas eleições também não conseguiu se eleger. Em 2018, Ana Cristina perdeu na corrida para deputado federal pelo Podemos, no Rio; e em 2022, foi derrotada para deputada no Distrito Federal.
Diante dos revezes em disputas proporcionais, Flávio está apostando que será mais fácil trabalhar o nome Bolsonaro em eleições majoritárias como as do Senado. Caso Rogéria seja candidata, será a terceira Bolsonaro que buscará uma vaga na Casa esse ano. Além de Carlos, que tentará vencer em Santa Catarina, Michelle se lançará pelo Distrito Federal.
A propósito, a reação da atual mulher de Bolsonaro a esse movimento de Flávio no Rio é uma incógnita. Além de seguir magoada por não ser escolhida pelo marido para ser candidata ao Planalto, Michelle nunca gostou de Rogéria, especialmente pelo fato de a ex-mulher do ex-presidente continuar usando até hoje o sobrenome da família. (Com informações do jornal O Globo)
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Flávio Bolsonaro pensa em lançar sua mãe como candidata ao Senado; Michelle não se dá bem com ela
Filho do ex-presidente pede pesquisas para aferir potencial eleitoral de Rogéria Bolsonaro.(Foto: Reprodução)
Na semana passada, Flávio Bolsonaro fez um pedido para Murilo Hidalgo, dono do Paraná Pesquisas, o instituto em que o senador e pré-candidato do PL à Presidência mais confia: que colocasse pela primeira vez o nome da própria mãe na sondagem de intenção de votos para o Senado no Rio. Por trás do movimento silencioso de começar a testar Rogéria Bolsonaro está o intuito de remover a candidatura do ex-governador Cláudio Castro, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico no caso do Ceperj.
Como o PL fluminense ainda não quer admitir para Castro que ele estará fora das urnas em 2026, os líderes da sigla acabaram criando uma desculpa para o nome de Rogéria aparecer no levantamento do Paraná Pesquisas. Jogaram a responsabilidade do levantamento no dono do instituto como se não estivesse em curso uma articulação política dentro do PL para trair o ex-governador. Na versão falsa apresentada para Castro, Flávio pediu o teste ao nome de Rogéria só para evitar uma suposta intenção de Murilo Hidalgo de pesquisar o nome da advogada Fernanda Bolsonaro, esposa do senador e cada vez mais presente nas redes sociais na estratégia de moderar a imagem do marido.
Mais do que estar inelegível – embora ainda caibam recursos como embargos no TSE – e ter agora a concorrência da mãe de Flávio, Castro vem recebendo outras notícias ruins no universo das pesquisas. Na segunda-feira (27), a Quaest divulgou que a aprovação ao seu mandato despencou desde outubro, mês em que seus números haviam tido fôlego após a operação nos Complexos do Alemão e da Penha que matou 122 pessoas. Passou de 53% para apenas 35% o percentual de eleitores que veem o seu governo com bons olhos, enquanto 47% dos entrevistados dizem rejeitar a sua administração.
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Mesmo com discursos alinhados às pautas da direita e em defesa do ex-marido, acabou fracassando na tentativa de se eleger vereadora no Rio, em 2020, pelo Republicanos – um destino parecido com o de Ana Cristina Vale, a segunda ex-mulher de Bolsonaro, que nas últimas duas eleições também não conseguiu se eleger. Em 2018, Ana Cristina perdeu na corrida para deputado federal pelo Podemos, no Rio; e em 2022, foi derrotada para deputada no Distrito Federal.
Diante dos revezes em disputas proporcionais, Flávio está apostando que será mais fácil trabalhar o nome Bolsonaro em eleições majoritárias como as do Senado. Caso Rogéria seja candidata, será a terceira Bolsonaro que buscará uma vaga na Casa esse ano. Além de Carlos, que tentará vencer em Santa Catarina, Michelle se lançará pelo Distrito Federal.
A propósito, a reação da atual mulher de Bolsonaro a esse movimento de Flávio no Rio é uma incógnita. Além de seguir magoada por não ser escolhida pelo marido para ser candidata ao Planalto, Michelle nunca gostou de Rogéria, especialmente pelo fato de a ex-mulher do ex-presidente continuar usando até hoje o sobrenome da família. (Com informações do jornal O Globo)
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