Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot.
Foto: Reprodução
Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot. (Foto: Reprodução)
Depois de algum tempo experimentando as possibilidades de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot, altos executivos e empresários brasileiros têm um novo foco na era da inteligência artificial (IA): o Claude. Nos últimos meses, muitas conversas entre esses profissionais na cúpula das empresas têm girado em torno das descobertas de novas funções da ferramenta da Anthropic, que permitem o uso da tecnologia na execução de tarefas complexas, como monitoramento de negócios e programação. O movimento tem gerado uma espécie de novo encantamento tecnológico entre executivos.
“Eu estou ‘viciada’ em Claude. Acordo e vou dormir falando com ele”, diz Manoella Neves, de 30 anos, cofundadora da startup Kobi.
Ela não está sozinha. No Vale do Silício, nos Estados Unidos, o fenômeno ganhou até nome: “Claude-pilled”. O termo descreve o momento em que profissionais percebem que a ferramenta digital não serve apenas para “conversar”, como a maioria das pessoas faz ao usar chatbots de IA, mas também “pensa” e executa tarefas.
Para muitos desses profissionais, o Claude tem funcionado como porta de entrada para o conceito de agentes de IA, programas com capacidade de realizar tarefas de maneira autônoma, com pouca ou nenhuma supervisão, permitindo automações que antes não eram possíveis. Esse é considerado o próximo estágio na era da IA — e é o que tem conquistado Manoella.
As principais formas como ela utiliza a ferramenta incluem priorização de leads (potenciais clientes), análise de dados e gargalos, gestão de vendas e automação de processos. Para isso, a executiva criou funções específicas dentro do Claude, fornecendo informações detalhadas sobre o perfil de cliente ideal e sobre o modelo de negócios da companhia, além de dar ao sistema acesso a dados da startup.
Segundo Manoella, a ferramenta ocupa funções reais na empresa, que precisaria ter uma equipe humana até quatro vezes maior para alcançar o mesmo nível de entrega. Atualmente, a Kobi tem cinco funcionários.
Foco corporativo
Embora a descoberta do Claude tenha gerado esse impacto, o fenômeno ainda é recente e acompanha a própria evolução do principal produto da Anthropic, que sempre teve o público corporativo como alvo. A ferramenta foi lançada em 2023 no formato de chatbot, de forma semelhante ao ChatGPT. Em fevereiro de 2025, ganhou uma versão voltada para programadores, o Claude Code.
Apesar de utilizar os mesmos grandes modelos de linguagem (LLMs) acessíveis pela versão de chat, o Code foi treinado especificamente para compreender lógica de programação complexa.
Ainda assim, alguns profissionais perceberam que o sistema também funcionava para tarefas mais amplas, como organizar arquivos, compilar pesquisas e redigir documentos. Na prática, o Code passou a ser utilizado como um assistente digital capaz de desempenhar diferentes funções dentro das empresas.
Havia, porém, uma limitação: o Code opera por meio de uma interface de linha de comando, semelhante ao antigo MS-DOS, o que exige conhecimento técnico para digitação de comandos, em vez de interações por botões. Isso tornava a ferramenta pouco amigável para parte dos usuários.
Diante disso, a equipe da Anthropic utilizou o Code para desenvolver o Claude Cowork, com o objetivo de tornar o “cérebro” da tecnologia mais acessível a uma base mais ampla de clientes. A solução foi lançada em janeiro deste ano, em caráter de teste, e está disponível como aplicativo para macOS e Windows, com planos que variam de US$ 17 a US$ 200 (de R$ 88 a R$ 1.030 por mês).
Personalização
Para que a IA atue em diferentes funções, executivos contam com um recurso chamado “skill”, que permite configurar o Claude para desempenhar papéis específicos. É o que faz Marco Andolfato, cofundador da TBO, ecossistema de soluções voltado ao mercado imobiliário.
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ChatGPT perde para Claude na tela de executivos
Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot.
Foto: Reprodução
Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot. (Foto: Reprodução)
Depois de algum tempo experimentando as possibilidades de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot, altos executivos e empresários brasileiros têm um novo foco na era da inteligência artificial (IA): o Claude. Nos últimos meses, muitas conversas entre esses profissionais na cúpula das empresas têm girado em torno das descobertas de novas funções da ferramenta da Anthropic, que permitem o uso da tecnologia na execução de tarefas complexas, como monitoramento de negócios e programação. O movimento tem gerado uma espécie de novo encantamento tecnológico entre executivos.
“Eu estou ‘viciada’ em Claude. Acordo e vou dormir falando com ele”, diz Manoella Neves, de 30 anos, cofundadora da startup Kobi.
Ela não está sozinha. No Vale do Silício, nos Estados Unidos, o fenômeno ganhou até nome: “Claude-pilled”. O termo descreve o momento em que profissionais percebem que a ferramenta digital não serve apenas para “conversar”, como a maioria das pessoas faz ao usar chatbots de IA, mas também “pensa” e executa tarefas.
Para muitos desses profissionais, o Claude tem funcionado como porta de entrada para o conceito de agentes de IA, programas com capacidade de realizar tarefas de maneira autônoma, com pouca ou nenhuma supervisão, permitindo automações que antes não eram possíveis. Esse é considerado o próximo estágio na era da IA — e é o que tem conquistado Manoella.
As principais formas como ela utiliza a ferramenta incluem priorização de leads (potenciais clientes), análise de dados e gargalos, gestão de vendas e automação de processos. Para isso, a executiva criou funções específicas dentro do Claude, fornecendo informações detalhadas sobre o perfil de cliente ideal e sobre o modelo de negócios da companhia, além de dar ao sistema acesso a dados da startup.
Segundo Manoella, a ferramenta ocupa funções reais na empresa, que precisaria ter uma equipe humana até quatro vezes maior para alcançar o mesmo nível de entrega. Atualmente, a Kobi tem cinco funcionários.
Foco corporativo
Embora a descoberta do Claude tenha gerado esse impacto, o fenômeno ainda é recente e acompanha a própria evolução do principal produto da Anthropic, que sempre teve o público corporativo como alvo. A ferramenta foi lançada em 2023 no formato de chatbot, de forma semelhante ao ChatGPT. Em fevereiro de 2025, ganhou uma versão voltada para programadores, o Claude Code.
Apesar de utilizar os mesmos grandes modelos de linguagem (LLMs) acessíveis pela versão de chat, o Code foi treinado especificamente para compreender lógica de programação complexa.
Ainda assim, alguns profissionais perceberam que o sistema também funcionava para tarefas mais amplas, como organizar arquivos, compilar pesquisas e redigir documentos. Na prática, o Code passou a ser utilizado como um assistente digital capaz de desempenhar diferentes funções dentro das empresas.
Havia, porém, uma limitação: o Code opera por meio de uma interface de linha de comando, semelhante ao antigo MS-DOS, o que exige conhecimento técnico para digitação de comandos, em vez de interações por botões. Isso tornava a ferramenta pouco amigável para parte dos usuários.
Diante disso, a equipe da Anthropic utilizou o Code para desenvolver o Claude Cowork, com o objetivo de tornar o “cérebro” da tecnologia mais acessível a uma base mais ampla de clientes. A solução foi lançada em janeiro deste ano, em caráter de teste, e está disponível como aplicativo para macOS e Windows, com planos que variam de US$ 17 a US$ 200 (de R$ 88 a R$ 1.030 por mês).
Personalização
Para que a IA atue em diferentes funções, executivos contam com um recurso chamado “skill”, que permite configurar o Claude para desempenhar papéis específicos. É o que faz Marco Andolfato, cofundador da TBO, ecossistema de soluções voltado ao mercado imobiliário.
(Com O Globo)
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