O dirigente ainda não embarcou na campanha de Flávio e carrega no currículo conflitos com a família Bolsonaro, mas o Republicanos é próximo dos bolsonaristas. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O Partido Liberal (PL) começou a colocar em prática uma estratégia para manter a base evangélica engajada na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Com a ajuda do Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o partido mapeou as maiores denominações evangélicas do Brasil em número de fiéis para promover agendas com Flávio. O último censeamento, de 2022, não disponibilizou esses dados segmentados.
A ida a São Paulo na semana passada para um encontro com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi o pontapé dessa programação. Trata-se da denominação evangélica com maior número de seguidores no País, embora seja fragmentada em múltiplos ministérios independentes.
“Ó Déus, abençoe este rosto. Tu conhece o seu coração e a sua mente. Tu sabes, ó Deus, o desejo do nosso coração. Que o Senhor o leve para ser o presidente de nossa nação. Que ele (Flávio) tenha graça e iluminação do céu, sabedoria para que possa conduzir este País”, orou o pastor na quinta-feira passada, 9, diante de um senador ajoelhado no altar, de cabeça baixa.
A Assembleia de Deus reunia em 2010 12,3 milhões de pessoas, seguida entre as pentecostais por Congregação Cristã no Brasil (2,3 milhões), Universal do Reino de Deus (1,9 milhão), Igreja do Evangelho Quadrangular (1,8 milhão), Deus é Amor (845 mil), Maranata (356 mil), Brasil para Cristo (196 mil), Casa da Bênção (125 mil) e Nova Vida (91 mil). Outras igrejas pentecostais somavam 5,2 milhões de adeptos.
Já entre as igrejas evangélicas tradicionais se destacam a Batista (3,7 milhões), Adventista do Sétimo Dia (1,5 milhão), Luterana (999 mil), Presbiteriana (921 mil) e Metodista (340 mil).
A ideia dos bolsonaristas é seguir esse roteiro. A agenda com a Igreja do Evangelho Quadrangular deveria ter sido na semana passada, mas Flávio ainda não encontrou espaço na agenda.
Para cada denominação o PL espera contar com a ajuda de algum aliado. O deputado federal Jefferson Campos (PL-SP), por exemplo, é vice-presidente da Quadrangular e tem feito a ponte entre Flávio e a igreja.
Eros Biondini (PL-MG) deve auxiliar no contato com a Igreja Católica. E o PL espera ajuda do Republicanos, vinculado à Universal, para essa aproximação. O presidente nacional do partido é o deputado federal e pastor Marcos Pereira.
O dirigente ainda não embarcou na campanha de Flávio e carrega no currículo conflitos com a família Bolsonaro, mas o Republicanos é próximo dos bolsonaristas. Esteve, inclusive, na coalizão que tentou reeleger Jair Bolsonaro em 2022.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, diz que os evangélicos têm demandado acesso direto a Flávio caso ele seja eleito presidente da República na eleição de outubro. Entre os assuntos a serem tratados estão as emissoras de rádio e TV, escolas e faculdades que muitas igrejas administram.
“Com esse governo (do PT) as coisas ficaram mais difíceis para eles resolverem. Os evangélicos querem acesso. Não precisam falar de valores com Flávio. Sabem que ele é contra o aborto, e sabem o que o Lula defende”, diz Sóstenes.
O desafio do PL, no entanto, é ganhar terreno com os católicos. O segmento ficou majoritariamente com Lula na eleição de 2022, segundo as pesquisas eleitorais da época — o que intriga os bolsonaristas, que dizem não ver alinhamento entre as ideias de esquerda e os valores cristãos.
“Vamos precisar mudar a tática com os católicos porque estamos perdendo terreno com eles Dá pra mudar essa relação, inclusive com a vice”, diz Sóstentes, referindo-se à deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
Ligada ao Frei Gilson e a outras lideranças religiosas, Marquetto se consolidou como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso, como mostrou o Estadão. Ela teve uma reunião com Flávio na semana passada, após a ala paulista do PP defender o nome dela para compor a vice na chapa.
O aceno aos católicos que Marquetto na vice permitiria dá a ela vantagem se a questão religiosa preponderar na campanha de Flávio. Uma ala do PL quer uma vice mulher na chapa, para tentar arrebatar para perto outro segmento refratário a Bolsonaro em 2022, o das mulheres.
As opções femininas, portanto, contam hoje com apoio de aliados importantes. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também é católica, mas menos ligada à estrutura da igreja. Já Clarissa Tércio (PP-PE) é evangélica. O outro nome ventilado para a aliança é o de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais. (Com informações do portal Estadão)
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Flávio Bolsonaro intensificará contatos com igrejas evangélicas
O dirigente ainda não embarcou na campanha de Flávio e carrega no currículo conflitos com a família Bolsonaro, mas o Republicanos é próximo dos bolsonaristas. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O Partido Liberal (PL) começou a colocar em prática uma estratégia para manter a base evangélica engajada na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Com a ajuda do Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o partido mapeou as maiores denominações evangélicas do Brasil em número de fiéis para promover agendas com Flávio. O último censeamento, de 2022, não disponibilizou esses dados segmentados.
A ida a São Paulo na semana passada para um encontro com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi o pontapé dessa programação. Trata-se da denominação evangélica com maior número de seguidores no País, embora seja fragmentada em múltiplos ministérios independentes.
“Ó Déus, abençoe este rosto. Tu conhece o seu coração e a sua mente. Tu sabes, ó Deus, o desejo do nosso coração. Que o Senhor o leve para ser o presidente de nossa nação. Que ele (Flávio) tenha graça e iluminação do céu, sabedoria para que possa conduzir este País”, orou o pastor na quinta-feira passada, 9, diante de um senador ajoelhado no altar, de cabeça baixa.
A Assembleia de Deus reunia em 2010 12,3 milhões de pessoas, seguida entre as pentecostais por Congregação Cristã no Brasil (2,3 milhões), Universal do Reino de Deus (1,9 milhão), Igreja do Evangelho Quadrangular (1,8 milhão), Deus é Amor (845 mil), Maranata (356 mil), Brasil para Cristo (196 mil), Casa da Bênção (125 mil) e Nova Vida (91 mil). Outras igrejas pentecostais somavam 5,2 milhões de adeptos.
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A ideia dos bolsonaristas é seguir esse roteiro. A agenda com a Igreja do Evangelho Quadrangular deveria ter sido na semana passada, mas Flávio ainda não encontrou espaço na agenda.
Para cada denominação o PL espera contar com a ajuda de algum aliado. O deputado federal Jefferson Campos (PL-SP), por exemplo, é vice-presidente da Quadrangular e tem feito a ponte entre Flávio e a igreja.
Eros Biondini (PL-MG) deve auxiliar no contato com a Igreja Católica. E o PL espera ajuda do Republicanos, vinculado à Universal, para essa aproximação. O presidente nacional do partido é o deputado federal e pastor Marcos Pereira.
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“Com esse governo (do PT) as coisas ficaram mais difíceis para eles resolverem. Os evangélicos querem acesso. Não precisam falar de valores com Flávio. Sabem que ele é contra o aborto, e sabem o que o Lula defende”, diz Sóstenes.
O desafio do PL, no entanto, é ganhar terreno com os católicos. O segmento ficou majoritariamente com Lula na eleição de 2022, segundo as pesquisas eleitorais da época — o que intriga os bolsonaristas, que dizem não ver alinhamento entre as ideias de esquerda e os valores cristãos.
“Vamos precisar mudar a tática com os católicos porque estamos perdendo terreno com eles Dá pra mudar essa relação, inclusive com a vice”, diz Sóstentes, referindo-se à deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
Ligada ao Frei Gilson e a outras lideranças religiosas, Marquetto se consolidou como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso, como mostrou o Estadão. Ela teve uma reunião com Flávio na semana passada, após a ala paulista do PP defender o nome dela para compor a vice na chapa.
O aceno aos católicos que Marquetto na vice permitiria dá a ela vantagem se a questão religiosa preponderar na campanha de Flávio. Uma ala do PL quer uma vice mulher na chapa, para tentar arrebatar para perto outro segmento refratário a Bolsonaro em 2022, o das mulheres.
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