A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completa dez anos nesta sexta-feira (17).(Foto: Arquivo/PR)
Pouco se fala dentro do PT em economia quando o assunto é o impeachment de Dilma Rousseff, cassada em agosto de 2016 pelas chamadas pedaladas fiscais. Impera no partido, dez anos depois, o mesmo argumento de que a ex-presidente foi vítima de um golpe em função da conjuntura política – mas com o acréscimo de que o processo pavimentou a ascensão da direita, culminando em episódios como o do 8 de janeiro de 2023.
Única mulher a ocupar a cadeira de presidente na história do País, Dilma é descrita por aliados e adversários como centralizadora e desconfiada, fama que ironizou desde que era ministra da Casa Civil. “Sou uma mulher dura, cercada de homens meigos”, repetiu diversas vezes ao longo dos anos.
O perfil de temperamento difícil, somado à limpa que fez no governo durante seu primeiro mandato, demitindo diversos quadros politicamente bem relacionados, são apontados por petistas como alguns dos fatores que sustentaram o impeachment de Dilma entre a classe política.
A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completa dez anos nesta sexta-feira (17).
“(Dilma) foi impichada por suas qualidades, e não pelos seus erros. Não cedia às pressões”, diz o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que foi líder do governo na Câmara entre fevereiro de 2015 e maio de 2016, quando a petista foi afastada.
José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e advogado-geral da União do governo Dilma, além de advogado particular da petista durante o impeachment, concorda que os ataques às sedes dos três Poderes, cometidos por bolsonaristas insatisfeitos com a vitória de Lula na eleição de 2022, tiveram origem no impeachment.
Para ele, o 8 de Janeiro mostra um desrespeito ao resultado das urnas, de modo semelhante ao que acredita ter ocorrido em 2016. “O processo de impeachment trouxe um desequilíbrio entre os Poderes”, afirma. “Temos que disputar as eleições, mas, se não fizermos uma repactuação, estaremos sempre submetidos a situações que geram sentimento golpista, como ocorreu no 8 de Janeiro.”
O presidente Lula relacionou o impeachment à ascensão do bolsonarismo, durante entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum: “Elegemos uma mulher como a Dilma e depois tivemos um golpe de Estado e caímos na mão de um fascista”.
Impeachment
O pano de fundo da época era caótico para o PT. Dilma foi reeleita em 2014 com resultado apertado, enfrentando resistência de boa parte do PMDB, partido do então vice-presidente Michel Temer e do então presidente da Câmara Eduardo Cunha, tanto por discussões no Congresso como pelo descumprimento de acordos em palanques estaduais durante as eleições.
Segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas do PT, o PMDB passou a se dividir nas votações, com muitos de seus deputados atuando como oposição e impondo derrotas aos petistas.
Em abril de 2015, Dilma escalou Temer, que havia presidido a Câmara anos antes, para a articulação política no Congresso. O objetivo era tentar garantir o apoio do PMDB e apaziguar os ânimos com deputados de outros partidos, algo que não ocorreu.
“Foi um erro político grave”, avalia o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), presidente do PT na época. “(Temer) foi criando poder e preparando um bloco de confiança dele para assumir o governo”, diz.
Na Justiça Eleitoral, o PSDB de Aécio Neves, candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, pedia a impugnação da chapa Dilma-Temer. A sigla alegava financiamento ilegal de campanha, com base em apurações da Operação Lava Jato, que vinha desgastando o PT politicamente pela implicação de diversos quadros em esquemas de corrupção.
Paralelamente, a queda dos preços das matérias primas, principais produtos de exportações brasileiras, e o aumento da inflação foram acompanhados por protestos que levaram milhares à rua contra o governo Dilma e o PT. Em 13 de março de 2016, 500 mil pessoas participaram de manifestação pelo impeachment na avenida Paulista, segundo estimou o Datafolha, no maior ato político já registrado em São Paulo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Dez anos após impeachment, PT mantém a narrativa de golpe contra Dilma e liga processo ao 8 de Janeiro
A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completa dez anos nesta sexta-feira (17).(Foto: Arquivo/PR)
Pouco se fala dentro do PT em economia quando o assunto é o impeachment de Dilma Rousseff, cassada em agosto de 2016 pelas chamadas pedaladas fiscais. Impera no partido, dez anos depois, o mesmo argumento de que a ex-presidente foi vítima de um golpe em função da conjuntura política – mas com o acréscimo de que o processo pavimentou a ascensão da direita, culminando em episódios como o do 8 de janeiro de 2023.
Única mulher a ocupar a cadeira de presidente na história do País, Dilma é descrita por aliados e adversários como centralizadora e desconfiada, fama que ironizou desde que era ministra da Casa Civil. “Sou uma mulher dura, cercada de homens meigos”, repetiu diversas vezes ao longo dos anos.
O perfil de temperamento difícil, somado à limpa que fez no governo durante seu primeiro mandato, demitindo diversos quadros politicamente bem relacionados, são apontados por petistas como alguns dos fatores que sustentaram o impeachment de Dilma entre a classe política.
A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completa dez anos nesta sexta-feira (17).
“(Dilma) foi impichada por suas qualidades, e não pelos seus erros. Não cedia às pressões”, diz o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que foi líder do governo na Câmara entre fevereiro de 2015 e maio de 2016, quando a petista foi afastada.
José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e advogado-geral da União do governo Dilma, além de advogado particular da petista durante o impeachment, concorda que os ataques às sedes dos três Poderes, cometidos por bolsonaristas insatisfeitos com a vitória de Lula na eleição de 2022, tiveram origem no impeachment.
Para ele, o 8 de Janeiro mostra um desrespeito ao resultado das urnas, de modo semelhante ao que acredita ter ocorrido em 2016. “O processo de impeachment trouxe um desequilíbrio entre os Poderes”, afirma. “Temos que disputar as eleições, mas, se não fizermos uma repactuação, estaremos sempre submetidos a situações que geram sentimento golpista, como ocorreu no 8 de Janeiro.”
O presidente Lula relacionou o impeachment à ascensão do bolsonarismo, durante entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum: “Elegemos uma mulher como a Dilma e depois tivemos um golpe de Estado e caímos na mão de um fascista”.
Impeachment
O pano de fundo da época era caótico para o PT. Dilma foi reeleita em 2014 com resultado apertado, enfrentando resistência de boa parte do PMDB, partido do então vice-presidente Michel Temer e do então presidente da Câmara Eduardo Cunha, tanto por discussões no Congresso como pelo descumprimento de acordos em palanques estaduais durante as eleições.
Segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas do PT, o PMDB passou a se dividir nas votações, com muitos de seus deputados atuando como oposição e impondo derrotas aos petistas.
Em abril de 2015, Dilma escalou Temer, que havia presidido a Câmara anos antes, para a articulação política no Congresso. O objetivo era tentar garantir o apoio do PMDB e apaziguar os ânimos com deputados de outros partidos, algo que não ocorreu.
“Foi um erro político grave”, avalia o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), presidente do PT na época. “(Temer) foi criando poder e preparando um bloco de confiança dele para assumir o governo”, diz.
Na Justiça Eleitoral, o PSDB de Aécio Neves, candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, pedia a impugnação da chapa Dilma-Temer. A sigla alegava financiamento ilegal de campanha, com base em apurações da Operação Lava Jato, que vinha desgastando o PT politicamente pela implicação de diversos quadros em esquemas de corrupção.
Paralelamente, a queda dos preços das matérias primas, principais produtos de exportações brasileiras, e o aumento da inflação foram acompanhados por protestos que levaram milhares à rua contra o governo Dilma e o PT. Em 13 de março de 2016, 500 mil pessoas participaram de manifestação pelo impeachment na avenida Paulista, segundo estimou o Datafolha, no maior ato político já registrado em São Paulo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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