Presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolidou uma série de mudanças que alteraram o futuro político e frustram alguns de seus aliados mais fiéis. Em nome da “governabilidade” e da própria estratégia eleitoral, o presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada. Um exemplo dessa movimentação é o do deputado federal José Guimarães (PT-CE), que tomou posse como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, assumindo a articulação política com o Congresso.
Guimarães pretendia concorrer ao Senado. Ele já está em seu quinto mandato como deputado federal e é o líder mais longevo do governo. Mas teve o sonho barrado por Lula, tanto para permitir uma negociação mais ampla no palanque do Ceará como para tentar algum diálogo com o Congresso, onde a relação do Planalto é mantida às turras.
Na semana passada, Guimarães chegou a afirmar a interlocutores que não gostaria de ficar sem mandato. Durante um almoço com empresários promovido pelo Grupo Esfera, em Brasília, ele destacou que sua permanência no Legislativo era vista como impreterível pelos próprios correligionários.
“O PT em peso diz que não pode o Guimarães ficar sem mandato porque senão é uma estaca que vai ser retirada do fronte político. Eu quero disputar o Senado no meu estado”, afirmou na ocasião.
Na cerimônia de posse, ele reforçou a informação e disse que foi muito difícil “a militância e o pessoal do nosso grupo aceitar a nomeação na SRI”.
Apesar da declaração, Guimarães ressaltou que sempre manteria sua lealdade ao presidente. É o que faz agora ao assumir a cadeira no Palácio do Planalto, ficando impedido de concorrer nas eleições deste ano. Guimarães é um dos poucos petistas que conseguem dialogar nas reuniões de líderes com todos os segmentos políticos da Câmara. Transita da esquerda a direita tentando firmar acordos e, muitas vezes, tem de engolir recuos do Planalto como se fossem falhas suas.
Foi assim, por exemplo, na discussão sobre envio ou não de um projeto para o fim da escala de trabalho 6×1. Guimarães disse em reunião do Colégio de Líderes que o governo não mandaria mais a proposta para o Congresso. No dia seguinte, o presidente Lula disse o contrário.
Agora, um dos desafios do novo ministro será levar justamente levar adiante a proposta de fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, questões que têm provocado controvérsias no Congresso Nacional.
“Ele é experiente, moderado e respeitado pelos líderes”, afirmou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Guimarães será substituído na Câmara pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que já foi ministro da Secretaria de Comunicação do Planalto. Mas com perfil muito diferente que o antecessor, Pimenta não teve sucesso na Secom e deve enfrentar mais dificuldade na liderança do governo.
No Planalto, Guimarães assume a vaga deixada por Gleisi Hoffmann, que também teve seu objetivo político original alterado. Deputada federal pelo PT do Paraná, ela pretendia concorrer à reeleição na Câmara, mas, por determinação de Lula, deverá disputar o Senado na chapa paranaense. A missão é considerada complexa, uma vez que pesquisas apontam vantagem da direita no estado.
Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também seguiu a orientação presidencial. Após meses de discussão, ele aceitou se desincompatibilizar da pasta para concorrer ao Governo de São Paulo. O cenário no Estado segue indefinido nas articulações: o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), ainda busca o apoio de Lula para compor a chapa petista como candidato ao Senado.
França foi um dos poucos aliados que insistiram em um projeto próprio, embora também tenha feito concessões. Inicialmente, ele desejava disputar o Governo de São Paulo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas Lula manteve a preferência por Haddad. Diante do impasse, França decidiu deixar o ministério para ajustar sua rota política e focar na disputa pela vaga de senador. (Opinião/jornal O Estado de S. Paulo)
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Lula consolidou uma série de mudanças que alteraram o futuro político e frustram alguns de seus aliados mais fiéis
Presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Presidente impôs missões que interrompem projetos pessoais de nomes centrais do PT e de partidos da base aliada. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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Guimarães pretendia concorrer ao Senado. Ele já está em seu quinto mandato como deputado federal e é o líder mais longevo do governo. Mas teve o sonho barrado por Lula, tanto para permitir uma negociação mais ampla no palanque do Ceará como para tentar algum diálogo com o Congresso, onde a relação do Planalto é mantida às turras.
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“O PT em peso diz que não pode o Guimarães ficar sem mandato porque senão é uma estaca que vai ser retirada do fronte político. Eu quero disputar o Senado no meu estado”, afirmou na ocasião.
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Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também seguiu a orientação presidencial. Após meses de discussão, ele aceitou se desincompatibilizar da pasta para concorrer ao Governo de São Paulo. O cenário no Estado segue indefinido nas articulações: o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), ainda busca o apoio de Lula para compor a chapa petista como candidato ao Senado.
França foi um dos poucos aliados que insistiram em um projeto próprio, embora também tenha feito concessões. Inicialmente, ele desejava disputar o Governo de São Paulo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas Lula manteve a preferência por Haddad. Diante do impasse, França decidiu deixar o ministério para ajustar sua rota política e focar na disputa pela vaga de senador. (Opinião/jornal O Estado de S. Paulo)
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