Os dois principais concorrentes à Presidência têm o desafio adicional da rejeição elevada. (Foto: PR e Câmara dos Deputados)
O empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, de acordo com a pesquisa Datafolha, vai acirrar a disputa por eleitores que se dizem fora da polarização, de acordo com integrantes das pré-campanhas, num cenário em que os dois principais concorrentes à Presidência têm o desafio adicional da rejeição elevada.
O instituto mostrou que Flávio tem 46% no segundo turno contra Lula, que marca 45%, numericamente atrás pela primeira vez. Quanto à rejeição, o petista apresenta 48%, enquanto o adversário registra 46%. Parte da sondagem aponta um desafio a mais para o petista: 40% avaliam que o governo como ruim ou péssimo e 29% como bom ou ótimo. Já sobre o trabalho de Lula como presidente, 51% desaprovam (eram 49% em março) e 45% aprovam (eram 47%).
O grupo de 27% dos eleitores, segundo a Folha de S.Paulo, que se dizem distantes do petismo e do bolsonarismo é um dos focos dos candidatos e vai influenciar a busca por votos de agora em diante. A fatia também é o alvo dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que também brigam pelo Planalto e tentam ganhar musculatura no primeiro turno. O Datafolha mostrou Lula empata com os dois numa disputa de segundo turno.
No campo do discurso, Lula vai incorporar um tom mais duro nas questões de segurança pública. Pessoas próximas afirmam que ele tem sido convencido também a fazer acenos aos evangélicos, o que vai incluir menções à família.
A avaliação quase unânime do seu entorno é de que Lula não consegue mais se conectar com esse segmento apenas pelo debate da melhoria da qualidade de vida ou de índices econômicos.
Sem radicalismos
Para que o plano funcione, aliados de Lula defendem que a campanha busque isolar a área mais à esquerda do PT e do PSOL e escape de pautas identitárias e ideológicas que possam passar a imagem de radicalidade.
A campanha deve apostar na comparação direta com o governo do Jair Bolsonaro, usando imagens como a de pessoas em busca de restos de carne em um caminhão de ossos. Lula também deve mostrar que o litro da gasolina chegou no começo de 2022 a R$ 9. Há possibilidade de o petista recorrer às imagens, já usadas na última eleição, de covas de cemitério sendo cavadas para enterrar os mortos pela covid.
Com o crescimento de Flávio, o grupo do presidente prepara uma artilharia mais direta de ataques, além de buscar exaltar as ações do governo e indicar que, se eleito, o senador as reverteria, tentando investir no discurso do “medo”.
Lula e seus aliados vão insistir na ideia de que, por mais que a situação do Brasil não esteja como desejado pelos eleitores, o quadro poderia ser pior.
No campo político, Lula tem trabalhado pela neutralidade da federação União-PP e de outros partidos de centro e centro-direita, como MDB e Republicanos. No caso do PSD, que já tem Caiado como pré-candidato, a ideia é tentar uma aproximação com o partido no maior número de estados possível.
A campanha do PT tem apostado em São Paulo para tentar fazer um aceno ao centro e enfraquecer Flávio. O objetivo é montar um palanque forte para Lula, que será representado pelo pré-candidato a governador Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda. Petistas tentam atrair o PSD e outras siglas não alinhadas à esquerda, como o PSDB, para a coligação de Haddad.
Nessa queda de braço, o PL tem tentado usar a vaga de vice de Flávio para ampliar as alianças. Um dos cotados é Zema. Os dois estiveram juntos no fim de semana e publicaram um vídeo lado a lado nas redes sociais brincando sobre a vaga de vice.
Há também uma pressão para que a federação União Brasil-PP esteja formalmente na coligação de Flávio.
Quanto ao discurso, o grupo bolsonarista vai seguir explorando o tema da segurança, o endividamento recorde e tenta desgastar Lula até entre o eleitorado feminino, que costuma rejeitar mais o bolsonarismo e apoiar o petista.
Bolsonaristas têm procurado inverter uma cobrança feita a eles, já que Jair Bolsonaro teve somente três ministras mulheres na gestão.
Aliados de Flávio passaram a cobrar do PT a participação de mulheres no governo. No caso mais recente, criticaram o fato de a Secretaria de Relações Institucionais sair do comando de Gleisi Hoffmann e ficar com José Guimarães.
Apesar disso, com a tendência de crescimento nas pesquisas e o receio de criar novas divisões na direita ou questionamentos, o senador do PL evita antecipar de forma detalhada como vai ser seu plano de governo e não aponta nomes que possam compor sua equipe econômica nem de segurança. (Com informações do jornal O Globo)
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Empate em pesquisa acirra ataques entre Lula e Flávio Bolsonaro em busca de eleitor fora da polarização
Os dois principais concorrentes à Presidência têm o desafio adicional da rejeição elevada. (Foto: PR e Câmara dos Deputados)
O empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, de acordo com a pesquisa Datafolha, vai acirrar a disputa por eleitores que se dizem fora da polarização, de acordo com integrantes das pré-campanhas, num cenário em que os dois principais concorrentes à Presidência têm o desafio adicional da rejeição elevada.
O instituto mostrou que Flávio tem 46% no segundo turno contra Lula, que marca 45%, numericamente atrás pela primeira vez. Quanto à rejeição, o petista apresenta 48%, enquanto o adversário registra 46%. Parte da sondagem aponta um desafio a mais para o petista: 40% avaliam que o governo como ruim ou péssimo e 29% como bom ou ótimo. Já sobre o trabalho de Lula como presidente, 51% desaprovam (eram 49% em março) e 45% aprovam (eram 47%).
O grupo de 27% dos eleitores, segundo a Folha de S.Paulo, que se dizem distantes do petismo e do bolsonarismo é um dos focos dos candidatos e vai influenciar a busca por votos de agora em diante. A fatia também é o alvo dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que também brigam pelo Planalto e tentam ganhar musculatura no primeiro turno. O Datafolha mostrou Lula empata com os dois numa disputa de segundo turno.
No campo do discurso, Lula vai incorporar um tom mais duro nas questões de segurança pública. Pessoas próximas afirmam que ele tem sido convencido também a fazer acenos aos evangélicos, o que vai incluir menções à família.
A avaliação quase unânime do seu entorno é de que Lula não consegue mais se conectar com esse segmento apenas pelo debate da melhoria da qualidade de vida ou de índices econômicos.
Sem radicalismos
Para que o plano funcione, aliados de Lula defendem que a campanha busque isolar a área mais à esquerda do PT e do PSOL e escape de pautas identitárias e ideológicas que possam passar a imagem de radicalidade.
A campanha deve apostar na comparação direta com o governo do Jair Bolsonaro, usando imagens como a de pessoas em busca de restos de carne em um caminhão de ossos. Lula também deve mostrar que o litro da gasolina chegou no começo de 2022 a R$ 9. Há possibilidade de o petista recorrer às imagens, já usadas na última eleição, de covas de cemitério sendo cavadas para enterrar os mortos pela covid.
Com o crescimento de Flávio, o grupo do presidente prepara uma artilharia mais direta de ataques, além de buscar exaltar as ações do governo e indicar que, se eleito, o senador as reverteria, tentando investir no discurso do “medo”.
Lula e seus aliados vão insistir na ideia de que, por mais que a situação do Brasil não esteja como desejado pelos eleitores, o quadro poderia ser pior.
No campo político, Lula tem trabalhado pela neutralidade da federação União-PP e de outros partidos de centro e centro-direita, como MDB e Republicanos. No caso do PSD, que já tem Caiado como pré-candidato, a ideia é tentar uma aproximação com o partido no maior número de estados possível.
A campanha do PT tem apostado em São Paulo para tentar fazer um aceno ao centro e enfraquecer Flávio. O objetivo é montar um palanque forte para Lula, que será representado pelo pré-candidato a governador Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda. Petistas tentam atrair o PSD e outras siglas não alinhadas à esquerda, como o PSDB, para a coligação de Haddad.
Nessa queda de braço, o PL tem tentado usar a vaga de vice de Flávio para ampliar as alianças. Um dos cotados é Zema. Os dois estiveram juntos no fim de semana e publicaram um vídeo lado a lado nas redes sociais brincando sobre a vaga de vice.
Há também uma pressão para que a federação União Brasil-PP esteja formalmente na coligação de Flávio.
Quanto ao discurso, o grupo bolsonarista vai seguir explorando o tema da segurança, o endividamento recorde e tenta desgastar Lula até entre o eleitorado feminino, que costuma rejeitar mais o bolsonarismo e apoiar o petista.
Bolsonaristas têm procurado inverter uma cobrança feita a eles, já que Jair Bolsonaro teve somente três ministras mulheres na gestão.
Aliados de Flávio passaram a cobrar do PT a participação de mulheres no governo. No caso mais recente, criticaram o fato de a Secretaria de Relações Institucionais sair do comando de Gleisi Hoffmann e ficar com José Guimarães.
Apesar disso, com a tendência de crescimento nas pesquisas e o receio de criar novas divisões na direita ou questionamentos, o senador do PL evita antecipar de forma detalhada como vai ser seu plano de governo e não aponta nomes que possam compor sua equipe econômica nem de segurança. (Com informações do jornal O Globo)
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