Ciro Nogueira (foto) diz que acordo só depende de o candidato do PL manter discurso de moderação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reforçou as negociações para costurar uma aliança eleitoral com o Centrão e está próximo de fechar o apoio da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP.
Os presidentes das duas siglas afirmaram que a adesão só depende de o senador restringir o espaço do bolsonarismo radical em sua campanha, mantendo um discurso de moderação que vem adotando desde que lançou sua pré-campanha – na contramão de seu passado político e do projeto de seu grupo ideológico.
“Hoje, só depende de Flávio. Se ele continuar essa pessoa equilibrada, falando para o centro, para o Brasil virar a página dessa disputa, ele vai ter nosso apoio. Se virar um candidato de extrema direita, que acho que não vai acontecer, (ele não terá)… Ele tem tudo para receber nosso apoio”, afirmou o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI).
Mesma linha
O presidente do União Brasil, o advogado Antônio Rueda, segue a mesma linha. “A tendência é essa. Se Flávio for um nome para unir o Brasil, não teremos dificuldades”, afirmou o dirigente do partido.
A exigência de um discurso voltado para o centro reflete uma conhecida disputa por espaço na direita, em que os partidos do Centrão buscam expandir sua influência, com menos poder para nomes mais radicais do bolsonarismo.
Segundo interlocutores do PL e da Federação União Progressista, as conversas entre os dirigentes têm acontecido com frequência. Há diálogo, inclusive, para acordos sobre candidaturas na maioria dos estados.
A expectativa é que a aliança deva ser formalizada até o fim de maio. É o tempo necessário para os líderes dos partidos resolverem impasses que ainda restam nos estados, medir a moderação do discurso de Flávio e, mais importante, sua perspectiva de vitória.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a aliança será natural caso o senador continue crescendo nas pesquisas. Há entusiasmo com o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11), em que ele aparece numericamente à frente de Lula (PT) numa simulação de segundo turno.
A avaliação é que, diante de uma expectativa de vitória, os partidos se aproximarão naturalmente. A perspectiva de poder, dizem os políticos, fará com que essas legendas queiram apoiá-lo mais cedo, em busca de garantir melhores espaços num eventual governo.
Tom diferente
O senador tem apostado em um tom diferente do pai. Tem sido comedido no discurso religioso e contra minorias, fez sequenciais acenos ao eleitorado feminino e tem evitado entrar em polêmicas. Essa postura tem facilitado seu trânsito por diferentes grupos partidários.
Até o momento, Flávio não atraiu o apoio de partidos do chamado Centrão. Uma aliança formal com essas siglas é considerada valiosa porque conta para a divisão do tempo de propaganda eleitoral na televisão e rádio.
Segundo cálculo do cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, o presidente Lula largou na frente nesse quesito, tendo encaminhado o apoio da federação PSOL-Rede, além do PSB e do PDT. O petista teria 46% do tempo de propaganda eleitoral, enquanto Flávio conta com 37% se tiver apenas o PL. Ronaldo Caiado (PSD) tem 17%.
Se conseguir o apoio de União Brasil e PP, Flávio poderia até dobrar seu tempo de rádio e TV. A divisão oficial ainda será feita pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas 90% são de acordo com o tamanho das siglas na Câmara, enquanto 10% são divididos igualitariamente.
Além do tempo de TV, uma aliança com a federação União Progressista daria a Flávio mais capilaridade, principalmente no Norte, no Centro-Oeste e no Sudeste, onde as siglas possuem bases eleitorais consolidadas. Os dois partidos somam 98 deputados.
Dificuldades
Enquanto isso, Flávio encontra dificuldades no diálogo com as outras duas grandes siglas que compõem o chamado Centrão, grupo que flutua entre governos independentemente da posição ideológica do presidente de ocasião.
Flávio esteve em março com o presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP). A conversa, no entanto, não foi positiva. Há arestas entre os partidos, e a tendência hoje é que a sigla fique neutra na eleição, sem declarar apoio a nenhum candidato no primeiro turno.
No PSD, Flávio também não teve sucesso. Tentou convencer o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado a abandonar sua candidatura, quando ele ainda estava no União Brasil, mas sem sucesso. Quando o goiano migrou para o PSD, eles voltaram a conversar, mas uma eventual aliança ficou para um possível 2º turno contra Lula. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Flávio Bolsonaro tenta costurar uma aliança; PP e União Brasil sinalizam apoio à sua candidatura
Ciro Nogueira (foto) diz que acordo só depende de o candidato do PL manter discurso de moderação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reforçou as negociações para costurar uma aliança eleitoral com o Centrão e está próximo de fechar o apoio da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP.
Os presidentes das duas siglas afirmaram que a adesão só depende de o senador restringir o espaço do bolsonarismo radical em sua campanha, mantendo um discurso de moderação que vem adotando desde que lançou sua pré-campanha – na contramão de seu passado político e do projeto de seu grupo ideológico.
“Hoje, só depende de Flávio. Se ele continuar essa pessoa equilibrada, falando para o centro, para o Brasil virar a página dessa disputa, ele vai ter nosso apoio. Se virar um candidato de extrema direita, que acho que não vai acontecer, (ele não terá)… Ele tem tudo para receber nosso apoio”, afirmou o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI).
Mesma linha
O presidente do União Brasil, o advogado Antônio Rueda, segue a mesma linha. “A tendência é essa. Se Flávio for um nome para unir o Brasil, não teremos dificuldades”, afirmou o dirigente do partido.
A exigência de um discurso voltado para o centro reflete uma conhecida disputa por espaço na direita, em que os partidos do Centrão buscam expandir sua influência, com menos poder para nomes mais radicais do bolsonarismo.
Segundo interlocutores do PL e da Federação União Progressista, as conversas entre os dirigentes têm acontecido com frequência. Há diálogo, inclusive, para acordos sobre candidaturas na maioria dos estados.
A expectativa é que a aliança deva ser formalizada até o fim de maio. É o tempo necessário para os líderes dos partidos resolverem impasses que ainda restam nos estados, medir a moderação do discurso de Flávio e, mais importante, sua perspectiva de vitória.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a aliança será natural caso o senador continue crescendo nas pesquisas. Há entusiasmo com o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11), em que ele aparece numericamente à frente de Lula (PT) numa simulação de segundo turno.
A avaliação é que, diante de uma expectativa de vitória, os partidos se aproximarão naturalmente. A perspectiva de poder, dizem os políticos, fará com que essas legendas queiram apoiá-lo mais cedo, em busca de garantir melhores espaços num eventual governo.
Tom diferente
O senador tem apostado em um tom diferente do pai. Tem sido comedido no discurso religioso e contra minorias, fez sequenciais acenos ao eleitorado feminino e tem evitado entrar em polêmicas. Essa postura tem facilitado seu trânsito por diferentes grupos partidários.
Até o momento, Flávio não atraiu o apoio de partidos do chamado Centrão. Uma aliança formal com essas siglas é considerada valiosa porque conta para a divisão do tempo de propaganda eleitoral na televisão e rádio.
Segundo cálculo do cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, o presidente Lula largou na frente nesse quesito, tendo encaminhado o apoio da federação PSOL-Rede, além do PSB e do PDT. O petista teria 46% do tempo de propaganda eleitoral, enquanto Flávio conta com 37% se tiver apenas o PL. Ronaldo Caiado (PSD) tem 17%.
Se conseguir o apoio de União Brasil e PP, Flávio poderia até dobrar seu tempo de rádio e TV. A divisão oficial ainda será feita pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas 90% são de acordo com o tamanho das siglas na Câmara, enquanto 10% são divididos igualitariamente.
Além do tempo de TV, uma aliança com a federação União Progressista daria a Flávio mais capilaridade, principalmente no Norte, no Centro-Oeste e no Sudeste, onde as siglas possuem bases eleitorais consolidadas. Os dois partidos somam 98 deputados.
Dificuldades
Enquanto isso, Flávio encontra dificuldades no diálogo com as outras duas grandes siglas que compõem o chamado Centrão, grupo que flutua entre governos independentemente da posição ideológica do presidente de ocasião.
Flávio esteve em março com o presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP). A conversa, no entanto, não foi positiva. Há arestas entre os partidos, e a tendência hoje é que a sigla fique neutra na eleição, sem declarar apoio a nenhum candidato no primeiro turno.
No PSD, Flávio também não teve sucesso. Tentou convencer o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado a abandonar sua candidatura, quando ele ainda estava no União Brasil, mas sem sucesso. Quando o goiano migrou para o PSD, eles voltaram a conversar, mas uma eventual aliança ficou para um possível 2º turno contra Lula. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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