Políticos afirmam que receberam valores por serviços prestados em contratos assinados com banco de Vorcaro. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), ACM Neto (União Brasil), Marconi Perillo (PSDB), Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.
Os dados obtidos pela Folha indicam que, de 2024 a 2025, o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas.
O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil.
A empresa MV Projetos e Consultoria, de Marconi Perillo, ex-governador de Goiás e ex-presidente do PSDB, recebeu pagamentos de R$ 14,5 milhões entre 2022 e 2025. Perillo presidiu o PSDB de novembro de 2023 a novembro de 2025. Ele diz ter atuado de forma lícita como consultor de algumas empresas.
Duas empresas do Grupo Massa, da família do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), também aparecem nos dados. A Massa Intermediação, do pai do governador, o apresentador Ratinho, recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025. O apresentador era um dos garotos propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, que pertence ao Grupo Massa, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo o Master.
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Massa afirmou que “construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas”. A assessoria do Grupo Massa afirma que Ratinho Junior não é sócio do grupo. O governador não quis se manifestar a respeito do pagamento de R$ 21 milhões.
Já Meirelles afirmou que prestou consultoria ao Master e encerrou seu contrato em julho de 2025. Temer afirmou ter recebido uma quantia menor por serviços prestados.
Mantega, por sua vez, disse que foi contratado como consultor econômico financeiro para o banco entre 2024 e 2025, mas que, à época, “não tinha conhecimento de irregularidades eventualmente cometidas por essa instituição financeira”.
Rueda afirma que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita” e que o serviço prestado teve caráter estritamente técnico. “Todos os serviços prestados pelos escritórios são legais, contratados regularmente e com plena conformidade tributária”, declarou em nota.
Constam ainda nos documentos da Receita pagamentos de 2022 a 2025 no valor de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física. Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.
Os dados da Receita mostram valores pagos pelo Master desde 2022, sem correção pela inflação, incluindo cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 para o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, como revelou a Folha. Parte dos valores repassados pelo Master às empresas e políticos ficou retido por cobrança de impostos retidos na fonte.
A Lewandowski Advocacia recebeu ao menos R$ 6,1 milhões em pagamentos, que começaram em novembro de 2023. O escritório tem como sócios um filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo e da Justiça do governo Lula. Ele deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de entrar no governo. O ex-ministro diz que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Master.
O banco de Vorcaro pagou ainda R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, de 2023 até o último ano. A consultoria afirma que os serviços foram devidamente prestados e que não pode validar os valores mencionados.
Vorcaro relatou um encontro com ACM ao empresário e ex-ministro Fábio Faria. Na troca de mensagens, de 22 de maio de 2024, Vorcaro afirma: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto (Lima). ACM foi lá em casa”.
Foi na Bahia, estado de ACM e Jaques Wagner, que tiveram origem as carteiras falsas de crédito consignado repassadas pelo Master ao BRB, segundo investigadores do caso Master.
A WF Comunicação, que pertence ao ex-secretário de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do banco de Vorcaro em 2025. Ele também é considerado por Aldo Rebelo (DC) como possível vice em uma chapa à Presidência. Wajngarten diz que integra a equipe de defesa de Vorcaro e que presta serviços para o ex-banqueiro. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Banco Master também declarou pagamentos a Michel Temer, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, ACM Neto e o presidente do União Brasil
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