Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
A cerimônia que marcou o lançamento de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência teve um gesto de peso político: o apoio público do bispo Samuel Ferreira. O movimento evidenciou sinais de enfraquecimento na relação entre Flávio Bolsonaro e parte relevante das lideranças evangélicas.
Ferreira lidera a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad), uma das principais estruturas do pentecostalismo no país. Segundo ele, a rede reúne cerca de 42 mil templos e mais de 100 mil pastores, o que amplia o peso político de seu posicionamento.
A sinalização de apoio a Caiado foi comunicada diretamente aos pastores da denominação, indicando uma reorganização de forças dentro do segmento religioso. O episódio sugere que outras lideranças também reavaliam suas posições no atual cenário político.
Entre nomes influentes, o pastor Silas Malafaia, historicamente aliado de Jair Bolsonaro, já manifestou resistência à indicação de Flávio Bolsonaro. Outras lideranças, por sua vez, mantêm postura mais reservada.
Flávio também enfrenta desafios na interlocução com figuras-chave desse público. A relação distante com Michelle Bolsonaro, que tem forte influência entre eleitores evangélicos, especialmente mulheres, é apontada como um dos fatores que dificultam sua aproximação com esse segmento.
Além disso, analistas observam questionamentos sobre autenticidade. Diferentemente do pai, que nunca buscou se identificar diretamente como evangélico, Flávio tenta ocupar esse espaço, mas encontra resistência em parte do eleitorado religioso, que valoriza familiaridade com práticas e códigos do meio.
Outro ponto levantado por lideranças é a ausência de vínculos claros do senador com uma igreja ou referência pastoral específica. Essa indefinição gera dúvidas sobre sua capacidade de manter compromissos firmados dentro desse campo.
Episódios recentes também contribuem para o cenário de cautela. O deputado Otoni de Paula, por exemplo, se afastou do bolsonarismo após não obter apoio em uma disputa municipal, e hoje integra um grupo que busca alternativas dentro do campo conservador.
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. Lideranças religiosas avaliam que a associação a candidatos com maior nível de controvérsia pode impactar a imagem das igrejas diante dos fiéis.
Esse cálculo ocorre em um contexto de mudança no comportamento do eleitorado evangélico. Estudos indicam maior resistência à presença direta da política nos espaços religiosos, o que tende a tornar o apoio institucional mais sensível.
Também pesa a percepção de que nomes considerados mais viáveis dentro da direita foram deixados de lado, como o governador Tarcísio de Freitas, visto por parte das lideranças como uma alternativa com menor resistência e maior capacidade de diálogo com diferentes públicos.
Diante desse quadro, a tendência é de maior cautela por parte das igrejas, especialmente no primeiro turno. O cenário aponta para fragmentação no campo evangélico, com diferentes grupos adotando estratégias distintas ao longo do processo eleitoral.
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Direita evangélica racha com apoio de bispo a Ronaldo Caiado
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
A cerimônia que marcou o lançamento de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência teve um gesto de peso político: o apoio público do bispo Samuel Ferreira. O movimento evidenciou sinais de enfraquecimento na relação entre Flávio Bolsonaro e parte relevante das lideranças evangélicas.
Ferreira lidera a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad), uma das principais estruturas do pentecostalismo no país. Segundo ele, a rede reúne cerca de 42 mil templos e mais de 100 mil pastores, o que amplia o peso político de seu posicionamento.
A sinalização de apoio a Caiado foi comunicada diretamente aos pastores da denominação, indicando uma reorganização de forças dentro do segmento religioso. O episódio sugere que outras lideranças também reavaliam suas posições no atual cenário político.
Entre nomes influentes, o pastor Silas Malafaia, historicamente aliado de Jair Bolsonaro, já manifestou resistência à indicação de Flávio Bolsonaro. Outras lideranças, por sua vez, mantêm postura mais reservada.
Flávio também enfrenta desafios na interlocução com figuras-chave desse público. A relação distante com Michelle Bolsonaro, que tem forte influência entre eleitores evangélicos, especialmente mulheres, é apontada como um dos fatores que dificultam sua aproximação com esse segmento.
Além disso, analistas observam questionamentos sobre autenticidade. Diferentemente do pai, que nunca buscou se identificar diretamente como evangélico, Flávio tenta ocupar esse espaço, mas encontra resistência em parte do eleitorado religioso, que valoriza familiaridade com práticas e códigos do meio.
Outro ponto levantado por lideranças é a ausência de vínculos claros do senador com uma igreja ou referência pastoral específica. Essa indefinição gera dúvidas sobre sua capacidade de manter compromissos firmados dentro desse campo.
Episódios recentes também contribuem para o cenário de cautela. O deputado Otoni de Paula, por exemplo, se afastou do bolsonarismo após não obter apoio em uma disputa municipal, e hoje integra um grupo que busca alternativas dentro do campo conservador.
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. Lideranças religiosas avaliam que a associação a candidatos com maior nível de controvérsia pode impactar a imagem das igrejas diante dos fiéis.
Esse cálculo ocorre em um contexto de mudança no comportamento do eleitorado evangélico. Estudos indicam maior resistência à presença direta da política nos espaços religiosos, o que tende a tornar o apoio institucional mais sensível.
Também pesa a percepção de que nomes considerados mais viáveis dentro da direita foram deixados de lado, como o governador Tarcísio de Freitas, visto por parte das lideranças como uma alternativa com menor resistência e maior capacidade de diálogo com diferentes públicos.
Diante desse quadro, a tendência é de maior cautela por parte das igrejas, especialmente no primeiro turno. O cenário aponta para fragmentação no campo evangélico, com diferentes grupos adotando estratégias distintas ao longo do processo eleitoral.
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