O prazo previsto de pagamento seria de 48 meses, sendo o primeiro desembolso em 90 dias, com até três meses de carência. (Foto: Freepik)
O governo Lula (PT) avalia expandir o público do novo programa de renegociação de dívidas para além das pessoas físicas e também estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets.
O entendimento na equipe econômica é que, ao contar com recursos do governo para acessar uma linha de crédito mais barata e regularizar suas dívidas, o consumidor precisa também abrir mão de gastos ou comportamentos que podem comprometer novamente sua saúde financeira no futuro.
Pelo desenho em estudo, as famílias endividadas terão descontos, além de acesso a um novo crédito para quitar os débitos remanescentes. Esse empréstimo pode ter garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações), abastecido com recursos federais e que honraria os pagamentos em caso de inadimplência. Dessa forma, a operação pode ser contratada com prazo maior e juro menor.
O governo também discute abarcar as dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e micro e pequenas empresas no programa. Em outra frente, a equipe econômica ainda analisa a possibilidade de contemplar na renegociação as dívidas de crédito estudantil.
O endividamento das famílias é uma das principais preocupações de Lula em ano eleitoral. O novo programa foi encomendado pelo presidente ao Ministério da Fazenda, que vem discutindo as medidas com outras pastas do Executivo e também com o setor financeiro.
Para pessoas físicas, a renegociação está sendo concebida para atacar as três principais dívidas que estão comprometendo a renda dos brasileiros: cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantias. O programa não será restrito a essas modalidades, mas elas devem ser as principais.
Há ainda uma preocupação de não tornar o desenho muito complexo a ponto de dificultar sua implementação. A equipe econômica entende ser importante pôr a renegociação em prática logo, antes do período eleitoral.
Por isso, ainda que o desenho final do programa não consiga alcançar dívidas com concessionárias de energia ou água e crediários de loja, por exemplo, a leitura é que o alívio na dívida bancária ampliará a renda disponível e, indiretamente, contribuirá para que as famílias consigam regularizar esses outros débitos.
O formato final ainda não está fechado. Um dos pontos em aberto é como fazer um aporte adicional no FGO, para viabilizar a garantia às novas operações.
Um novo aporte no FGO representaria uma despesa primária, sujeita aos limites de gastos do arcabouço fiscal e também à meta de resultado primário. Isso significa que o Executivo precisaria cortar de outro lugar para acomodar o repasse.
Nesse contexto, surgiu a ideia de usar o dinheiro esquecido nos bancos, que hoje soma R$ 10,5 bilhões, segundo dados do SVR (Sistema de Valores a Receber), do Banco Central.
Agora, há uma avaliação na área técnica de que usar o dinheiro esquecido pode esbarrar em outras controvérsias. Ainda que o dinheiro seja considerado receita primária, a despesa com o repasse ao FGO precisaria respeitar as regras.
Já a alternativa de fazer a transferência direta do SVR para o FGO, sem passar pela conta única do Tesouro Nacional ou pelo Orçamento, poderia enfrentar questionamentos jurídicos e de órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União), que já se opôs a operações semelhantes feitas no passado recente.
O ministro Dario Durigan (Fazenda) se reuniu na última segunda-feira (30) com representantes do setor financeiro para discutir o desenho do programa.
No encontro, os bancos propuseram um modelo operacional em que a renegociação das dívidas não passe por uma plataforma do governo, como era o caso do Desenrola Brasil, mas ocorra nos próprios canais das instituições financeiras, simplificando as operações. Também seria obrigatória a realização de um curso sobre educação financeira para ter acesso à iniciativa.
O diagnóstico das instituições financeiras é que o endividamento das famílias está estruturalmente concentrado na baixa renda em produtos de alto custo e que é necessário o desenvolvimento de um programa para reduzir o estoque de inadimplência.
Um dos modelos apresentados pelos bancos, com foco em dívidas de cartões de crédito (rotativo e parcelado), crédito pessoal e cheque especial, propõe condições diferentes para duas faixas. A primeira teria como público-alvo quem recebe até três salários mínimos (R$ 4.863) e está negativado.
O prazo previsto de pagamento seria de 48 meses, sendo o primeiro desembolso em 90 dias, com até três meses de carência. Com informações da Folha de São Paulo.
O PL Antifacção institui um marco legal de combate ao crime organizado, endurece penas para facções e milícias Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados O PL Antifacção institui um marco legal de combate ao crime organizado, endurece penas para facções e milícias. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados) “Achei melhor para discutirmos com calma”, disse Motta. O …
Sóstenes Cavalcante afirmou que a falta de “acenos” de Tarcísio pesou na escolha do ex-presidente por endosso ao filho Flávio Bolsonaro. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que um dos motivos para o ex-presidente Jair Bolsonaro decidir escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) …
A Justiça da Itália decidiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) continuará presa no país europeu. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (28), um dia após a parlamentar passar por uma audiência com três juízes em Roma. A Corte de Apelação italiana alegou que existe o perigo de fuga de Zambelli e, por conta …
Conferência em Belém (PA) termina nesta sexta-feira (21) Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu voltar a Belém (PA) nesta quarta-feira (19) para participar da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), na reta final das negociações da conferência do clima. …
Governo avalia incluir MEIs em negociação de endividados e restringir aposta em bets
O prazo previsto de pagamento seria de 48 meses, sendo o primeiro desembolso em 90 dias, com até três meses de carência. (Foto: Freepik)
O governo Lula (PT) avalia expandir o público do novo programa de renegociação de dívidas para além das pessoas físicas e também estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets.
O entendimento na equipe econômica é que, ao contar com recursos do governo para acessar uma linha de crédito mais barata e regularizar suas dívidas, o consumidor precisa também abrir mão de gastos ou comportamentos que podem comprometer novamente sua saúde financeira no futuro.
Pelo desenho em estudo, as famílias endividadas terão descontos, além de acesso a um novo crédito para quitar os débitos remanescentes. Esse empréstimo pode ter garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações), abastecido com recursos federais e que honraria os pagamentos em caso de inadimplência. Dessa forma, a operação pode ser contratada com prazo maior e juro menor.
O governo também discute abarcar as dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e micro e pequenas empresas no programa. Em outra frente, a equipe econômica ainda analisa a possibilidade de contemplar na renegociação as dívidas de crédito estudantil.
O endividamento das famílias é uma das principais preocupações de Lula em ano eleitoral. O novo programa foi encomendado pelo presidente ao Ministério da Fazenda, que vem discutindo as medidas com outras pastas do Executivo e também com o setor financeiro.
Para pessoas físicas, a renegociação está sendo concebida para atacar as três principais dívidas que estão comprometendo a renda dos brasileiros: cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantias. O programa não será restrito a essas modalidades, mas elas devem ser as principais.
Há ainda uma preocupação de não tornar o desenho muito complexo a ponto de dificultar sua implementação. A equipe econômica entende ser importante pôr a renegociação em prática logo, antes do período eleitoral.
Por isso, ainda que o desenho final do programa não consiga alcançar dívidas com concessionárias de energia ou água e crediários de loja, por exemplo, a leitura é que o alívio na dívida bancária ampliará a renda disponível e, indiretamente, contribuirá para que as famílias consigam regularizar esses outros débitos.
O formato final ainda não está fechado. Um dos pontos em aberto é como fazer um aporte adicional no FGO, para viabilizar a garantia às novas operações.
Um novo aporte no FGO representaria uma despesa primária, sujeita aos limites de gastos do arcabouço fiscal e também à meta de resultado primário. Isso significa que o Executivo precisaria cortar de outro lugar para acomodar o repasse.
Nesse contexto, surgiu a ideia de usar o dinheiro esquecido nos bancos, que hoje soma R$ 10,5 bilhões, segundo dados do SVR (Sistema de Valores a Receber), do Banco Central.
Agora, há uma avaliação na área técnica de que usar o dinheiro esquecido pode esbarrar em outras controvérsias. Ainda que o dinheiro seja considerado receita primária, a despesa com o repasse ao FGO precisaria respeitar as regras.
Já a alternativa de fazer a transferência direta do SVR para o FGO, sem passar pela conta única do Tesouro Nacional ou pelo Orçamento, poderia enfrentar questionamentos jurídicos e de órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União), que já se opôs a operações semelhantes feitas no passado recente.
O ministro Dario Durigan (Fazenda) se reuniu na última segunda-feira (30) com representantes do setor financeiro para discutir o desenho do programa.
No encontro, os bancos propuseram um modelo operacional em que a renegociação das dívidas não passe por uma plataforma do governo, como era o caso do Desenrola Brasil, mas ocorra nos próprios canais das instituições financeiras, simplificando as operações. Também seria obrigatória a realização de um curso sobre educação financeira para ter acesso à iniciativa.
O diagnóstico das instituições financeiras é que o endividamento das famílias está estruturalmente concentrado na baixa renda em produtos de alto custo e que é necessário o desenvolvimento de um programa para reduzir o estoque de inadimplência.
Um dos modelos apresentados pelos bancos, com foco em dívidas de cartões de crédito (rotativo e parcelado), crédito pessoal e cheque especial, propõe condições diferentes para duas faixas. A primeira teria como público-alvo quem recebe até três salários mínimos (R$ 4.863) e está negativado.
O prazo previsto de pagamento seria de 48 meses, sendo o primeiro desembolso em 90 dias, com até três meses de carência. Com informações da Folha de São Paulo.
Related Posts
Presidente da Câmara dos Deputados decide adiar para 2026 o projeto de lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança: “Melhor para discutir com calma”
O PL Antifacção institui um marco legal de combate ao crime organizado, endurece penas para facções e milícias Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados O PL Antifacção institui um marco legal de combate ao crime organizado, endurece penas para facções e milícias. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados) “Achei melhor para discutirmos com calma”, disse Motta. O …
Líder do PL diz que ida de Tarcísio para o partido de Bolsonaro seria um “gesto”, mas sem garantia de recuo do ex-presidente
Sóstenes Cavalcante afirmou que a falta de “acenos” de Tarcísio pesou na escolha do ex-presidente por endosso ao filho Flávio Bolsonaro. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que um dos motivos para o ex-presidente Jair Bolsonaro decidir escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) …
Justiça da Itália mantém a prisão da deputada federal Carla Zambelli
A Justiça da Itália decidiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) continuará presa no país europeu. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (28), um dia após a parlamentar passar por uma audiência com três juízes em Roma. A Corte de Apelação italiana alegou que existe o perigo de fuga de Zambelli e, por conta …
Lula decide retornar à COP30 nesta quarta-feira na reta final das negociações sobre o clima
Conferência em Belém (PA) termina nesta sexta-feira (21) Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu voltar a Belém (PA) nesta quarta-feira (19) para participar da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), na reta final das negociações da conferência do clima. …