Rui Costa diz que mais de 40% dos eleitores recebem informações por WhatsApp, muitas delas enviesadas. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reclamou da comunicação do governo ao apresentar na terça-feira (31), um balanço sobre as principais realizações da equipe, desde 2023. A seis meses das eleições, o discurso refletiu a preocupação do PT com o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto.
Na reunião de despedida dos ministros que estão deixando os cargos para disputar as eleições, Costa relatou que mais de 40% da população se informa por grupos de WhatsApp. Foi então que, dirigindo-se ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, disse que era preciso estimular a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro.
“A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso (números favoráveis a Lula). Acho que a gente tem que colocar como foco comparar (os governos) e mostrar”, afirmou o ministro.
Não foi a única vez. Logo depois, o chefe da Casa Civil repetiu a cobrança. “Sidônio, o povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”, insistiu.
De saída do governo para se dedicar à campanha de senador pela Bahia, Costa disse que os dados relativos à maneira como os eleitores obtêm informação hoje em dia são de pesquisas e afirmou ser necessário superar o “desafio” da comunicação.
Responsável pelos programas eleitorais de Lula em 2022, Sidônio já fez campanhas de Costa, que foi governador da Bahia. Agora, porém, o ministro permanecerá na equipe. Tanto que indicou o publicitário baiano Raul Rabelo, seu braço-direito, para ser o marqueteiro do presidente.
Na parte fechada da reunião ministerial, Sidônio disse que, quando entrou no governo, em janeiro de 2024, havia uma crise provocada por uma fake news sobre o Pix.
O chefe da Secom observou que o governo cometeu erros na comunicação antes de sua chegada porque, quando uma fake news sai na frente, a possiblidade de a mentira ganhar a narrativa é sempre maior.
De acordo com relatos dos participantes da reunião, Sidônio argumentou que, quando o governo tem uma medida para tomar, precisa divulgar antes para que uma versão falsa não ocupe os espaços.
“Eu não faço o vento. Eu estendo a vela e posiciono a direção”, costuma dizer o chefe da Secom, sempre que é cobrado.
As últimas pesquisas mostram que Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico em simulações de segundo turno. A popularidade do presidente e do governo também vem caindo e a cúpula do PT não tem um diagnóstico preciso sobre por que isso acontece, embora Lula esteja demonstrando apreensão com o endividamento das famílias.
Depois do “vazamento” do mal-estar na reunião, Costa amenizou as críticas e disse que Sidônio faz um “excepcional trabalho”, que mudou de forma “substantiva” a comunicação do Planalto. O chefe da Casa Civil observou que não estava fazendo críticas, mas, sim, falando em “desafios” do governo para que a população tenha acesso a informações que não sejam enviesadas. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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Queixas sobre comunicação de Lula às vésperas da campanha provocam tensão na despedida dos ministros
Rui Costa diz que mais de 40% dos eleitores recebem informações por WhatsApp, muitas delas enviesadas. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reclamou da comunicação do governo ao apresentar na terça-feira (31), um balanço sobre as principais realizações da equipe, desde 2023. A seis meses das eleições, o discurso refletiu a preocupação do PT com o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto.
Na reunião de despedida dos ministros que estão deixando os cargos para disputar as eleições, Costa relatou que mais de 40% da população se informa por grupos de WhatsApp. Foi então que, dirigindo-se ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, disse que era preciso estimular a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro.
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Não foi a única vez. Logo depois, o chefe da Casa Civil repetiu a cobrança. “Sidônio, o povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”, insistiu.
De saída do governo para se dedicar à campanha de senador pela Bahia, Costa disse que os dados relativos à maneira como os eleitores obtêm informação hoje em dia são de pesquisas e afirmou ser necessário superar o “desafio” da comunicação.
Responsável pelos programas eleitorais de Lula em 2022, Sidônio já fez campanhas de Costa, que foi governador da Bahia. Agora, porém, o ministro permanecerá na equipe. Tanto que indicou o publicitário baiano Raul Rabelo, seu braço-direito, para ser o marqueteiro do presidente.
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O chefe da Secom observou que o governo cometeu erros na comunicação antes de sua chegada porque, quando uma fake news sai na frente, a possiblidade de a mentira ganhar a narrativa é sempre maior.
De acordo com relatos dos participantes da reunião, Sidônio argumentou que, quando o governo tem uma medida para tomar, precisa divulgar antes para que uma versão falsa não ocupe os espaços.
“Eu não faço o vento. Eu estendo a vela e posiciono a direção”, costuma dizer o chefe da Secom, sempre que é cobrado.
As últimas pesquisas mostram que Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico em simulações de segundo turno. A popularidade do presidente e do governo também vem caindo e a cúpula do PT não tem um diagnóstico preciso sobre por que isso acontece, embora Lula esteja demonstrando apreensão com o endividamento das famílias.
Depois do “vazamento” do mal-estar na reunião, Costa amenizou as críticas e disse que Sidônio faz um “excepcional trabalho”, que mudou de forma “substantiva” a comunicação do Planalto. O chefe da Casa Civil observou que não estava fazendo críticas, mas, sim, falando em “desafios” do governo para que a população tenha acesso a informações que não sejam enviesadas. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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