Aos 65 anos, Tim Cook está mais perto do capítulo final de sua gestão do que do capítulo inicial. (Foto: Reprodução)
Durante os cinquenta anos da Apple, que serão completados nesta quarta-feira (1º), Tim Cook foi o CEO por 15 deles. Ou seja, na empresa de Steve Jobs, ele liderou por mais tempo que o icônico fundador. Agora, ele prepara a sucessão ao mesmo tempo em que tenta navegar pelo período que pode definir o seu legado à frente da gigante.
Aos 65 anos, o atual líder da Apple está mais perto do capítulo final de sua gestão do que do capítulo inicial: não é uma questão de performance, mas o caminho natural para quem elevou o valor de mercado da Apple de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões em uma década e meia. A aura de “encerramento de jornada” vem alimentando especulações sobre a transição de poder.
O nome apontado para ser o novo CEO é o de John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware. A lógica é simples: aos 50 anos, ele é o membro mais jovem da equipe executiva da empresa, o que garante potencial para um mandato de longo prazo.
Além disso, seria a volta ao poder de alguém com ligação direta ao desenvolvimento de hardware, uma área na qual Cook foi criticado por supostamente não criar revoluções na mesma intensidade que Jobs.
“Não acho que ele vá sair antes de 2027. Ele não vai sair até que a estratégia de IA esteja bem consolidada e antes de passar pelo 20º aniversário do iPhone, no qual se espera um novo design. Portanto, não acho que ele vá sair tão cedo”, diz Dan Ives, analista da Wedbush Securities especializado em Apple.
Para o jornalista David Pogue, que cobre a empresa há 35 anos e lançou no começo de março o livro “Apple: The First 50 years” (Apple: Os primeiros 50 anos, em tradução livre) o prazo é ainda maior: cinco anos até que algo possa ocorrer.
No entanto, Pogue, que entrevistou mais de 150 pessoas para o trabalho, concorda que o sucessor será alguém de dentro da empresa:
“Conversei com todas as pessoas do entorno executivo de Cook, e elas são incrivelmente inteligentes. São as pessoas mais inteligentes e perspicazes que você já conheceu na vida. Qualquer uma delas fará um bom trabalho. O sucessor virá de dentro da Apple. Eles não escolheriam alguém de fora para assumir”, conta ele.
Desafios atuais Ainda que suceder Steve Jobs com sucesso pareça o maior desafio na carreira de qualquer executivo, Cook ainda tem uma grande missão para estabelecer o seu legado. Ele precisa fazer a transição de uma empresa dependente de hardware para um ecossistema de serviços alimentado por inteligência artificial (IA), algo que pode garantir mais cinco décadas de prosperidade para a Apple.
“O futuro de toda a empresa de tecnologia vai passar por IA. É o teste de fogo do Tim Cook. Ele fez um trabalho incrível até agora. Ele criou muito mais valor, pelo menos numericamente, do que o Steve Jobs. Mas ele deixou a bola cair em inovação. Não é algo necessariamente conectado com o resultado do negócio”,, diz Manoel Lemos, sócio-diretor da Redpoint eventures.
Na era da IA, a companhia demorou para apresentar algo: a Apple Intelligence só chegou a modelos seletos da companhia quase dois anos após a explosão do ChatGPT. Neste período, Google, Meta, Microsoft, Samsung apresentaram serviços e ferramentas. A Siri, que seria o carro-chefe deste novo momento, surgiu inteligente em um evento em junho de 2024. Mas tudo não passou de uma demo.
Os recursos que chegaram não empolgaram e, no fim de 2025, Cook reorganizou o comando da divisão de IA. Agora, espera-se uma nova tentativa de levar a Siri para o futuro.
Ainda que Cook tenha lançado aparelhos como o Apple Watch, os AirPods e o Vision Pro, Ives observa também estagnação na frente de dispositivos físicos. No período, a Samsung testou designs com telas dobráveis, a Meta abriu mercado com os óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban e a OpenAI firmou parceria com Jony Ive, o ex-chefe de design da Apple, para desenvolver gadgets para a era da IA.
“O legado de Cook, a parte mais duradoura dele, será construído sobre como ele vai lidar com a IA, a quarta revolução industrial”, diz Ives. (Com informações do jornal O Globo)
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Líder mais longevo da Apple, Tim Cook prepara sucessão e tenta definir legado
Aos 65 anos, Tim Cook está mais perto do capítulo final de sua gestão do que do capítulo inicial. (Foto: Reprodução)
Durante os cinquenta anos da Apple, que serão completados nesta quarta-feira (1º), Tim Cook foi o CEO por 15 deles. Ou seja, na empresa de Steve Jobs, ele liderou por mais tempo que o icônico fundador. Agora, ele prepara a sucessão ao mesmo tempo em que tenta navegar pelo período que pode definir o seu legado à frente da gigante.
Aos 65 anos, o atual líder da Apple está mais perto do capítulo final de sua gestão do que do capítulo inicial: não é uma questão de performance, mas o caminho natural para quem elevou o valor de mercado da Apple de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões em uma década e meia. A aura de “encerramento de jornada” vem alimentando especulações sobre a transição de poder.
O nome apontado para ser o novo CEO é o de John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware. A lógica é simples: aos 50 anos, ele é o membro mais jovem da equipe executiva da empresa, o que garante potencial para um mandato de longo prazo.
Além disso, seria a volta ao poder de alguém com ligação direta ao desenvolvimento de hardware, uma área na qual Cook foi criticado por supostamente não criar revoluções na mesma intensidade que Jobs.
“Não acho que ele vá sair antes de 2027. Ele não vai sair até que a estratégia de IA esteja bem consolidada e antes de passar pelo 20º aniversário do iPhone, no qual se espera um novo design. Portanto, não acho que ele vá sair tão cedo”, diz Dan Ives, analista da Wedbush Securities especializado em Apple.
Para o jornalista David Pogue, que cobre a empresa há 35 anos e lançou no começo de março o livro “Apple: The First 50 years” (Apple: Os primeiros 50 anos, em tradução livre) o prazo é ainda maior: cinco anos até que algo possa ocorrer.
No entanto, Pogue, que entrevistou mais de 150 pessoas para o trabalho, concorda que o sucessor será alguém de dentro da empresa:
“Conversei com todas as pessoas do entorno executivo de Cook, e elas são incrivelmente inteligentes. São as pessoas mais inteligentes e perspicazes que você já conheceu na vida. Qualquer uma delas fará um bom trabalho. O sucessor virá de dentro da Apple. Eles não escolheriam alguém de fora para assumir”, conta ele.
Desafios atuais
Ainda que suceder Steve Jobs com sucesso pareça o maior desafio na carreira de qualquer executivo, Cook ainda tem uma grande missão para estabelecer o seu legado. Ele precisa fazer a transição de uma empresa dependente de hardware para um ecossistema de serviços alimentado por inteligência artificial (IA), algo que pode garantir mais cinco décadas de prosperidade para a Apple.
“O futuro de toda a empresa de tecnologia vai passar por IA. É o teste de fogo do Tim Cook. Ele fez um trabalho incrível até agora. Ele criou muito mais valor, pelo menos numericamente, do que o Steve Jobs. Mas ele deixou a bola cair em inovação. Não é algo necessariamente conectado com o resultado do negócio”,, diz Manoel Lemos, sócio-diretor da Redpoint eventures.
Na era da IA, a companhia demorou para apresentar algo: a Apple Intelligence só chegou a modelos seletos da companhia quase dois anos após a explosão do ChatGPT. Neste período, Google, Meta, Microsoft, Samsung apresentaram serviços e ferramentas. A Siri, que seria o carro-chefe deste novo momento, surgiu inteligente em um evento em junho de 2024. Mas tudo não passou de uma demo.
Os recursos que chegaram não empolgaram e, no fim de 2025, Cook reorganizou o comando da divisão de IA. Agora, espera-se uma nova tentativa de levar a Siri para o futuro.
Ainda que Cook tenha lançado aparelhos como o Apple Watch, os AirPods e o Vision Pro, Ives observa também estagnação na frente de dispositivos físicos. No período, a Samsung testou designs com telas dobráveis, a Meta abriu mercado com os óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban e a OpenAI firmou parceria com Jony Ive, o ex-chefe de design da Apple, para desenvolver gadgets para a era da IA.
“O legado de Cook, a parte mais duradoura dele, será construído sobre como ele vai lidar com a IA, a quarta revolução industrial”, diz Ives. (Com informações do jornal O Globo)
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