As joias foram apreendidas pela Polícia Federal e atualmente estão armazenadas na Caixa Econômica Federal. (Foto: Reprodução)
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação pedindo que a Receita Federal assuma a custódia das joias sauditas dadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, para iniciar o procedimento fiscal de perdimento dos bens. As joias foram apreendidas pela Polícia Federal e atualmente estão armazenadas na Caixa Econômica Federal.
Em 2023, o Estadão revelou que o governo de Bolsonaro tentou trazer ilegalmente para o Brasil presentes do regime da Arábia Saudita para o então presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os itens foram apreendidos no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Reportagens mostraram que o governo Bolsonaro fez reiteradas tentativas para obter as peças sem pagar o imposto e a multa estipulados por lei para esses casos. A última ocorreu dois dias antes do fim do mandato de Bolsonaro, em dezembro de 2022.
Após o Estadão ter revelado o caso, Michelle disse que “não estava sabendo” que tinha “tudo isso”, referindo-se às joias. “Quer dizer que, ‘eu tenho tudo isso’ e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa impressa vexatória”, publicou Michelle no Instagram em março daquele ano.
Jair Bolsonaro disse à CNN Brasil que não tinha conhecimento dos presentes e dos valores, mas que as joias iam para o o acervo da Presidência. Negou que tenha cometido alguma ilegalidade.
Em julho de 2024, com base na investigação do Estadão, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Operação Lucas 2:22 reconstituiu o esquema organizado para desviar presentes de alto valor para serem posteriormente vendidos no exterior. Outros dez investigados também foram indiciados.
Recentemente, Gonet pediu ao relator do caso no STF, o ministro Alexandre de Moraes que o inquérito seja arquivado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliou que a legislação brasileira não é clara sobre a natureza jurídica de presentes recebidos por presidentes da República em razão do cargo, ou seja, se esses itens pertencem ao patrimônio pessoal do chefe do Executivo ou ao patrimônio da União. Segundo o órgão, mesmo admitindo a existência dos fatos, a lacuna jurídica impede a caracterizar o caso como criminal.
“A natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República permanece controvertida, sem disciplina legislativa específica, sujeita a interpretações administrativas divergentes, inclusive no âmbito da sistemática do controle externo”, escreveu o PGR.
“Enquanto subsistir a lacuna legislativa sobre a natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República, a incidência do Direito Penal revela-se incompatível com os princípios que delimitam o exercício legítimo do poder punitivo no Estado Democrático de Direito”, disse Gonet.
Na manifestação, Gonet ressalta o trabalho da PF de análise do caso e diz que não está excluída a hipótese de “sindicâncias de ordem não penal”. Isso significa que mesmo defendendo o arquivamento do inquérito no STF o procurador-geral não descarta que órgãos administrativos ou de controle investiguem se houve irregularidades na gestão ou no destino das joias, o que pode levar a medidas como devolução dos bens ou sanções administrativas, mas sem punição penal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
Para representantes do PSOL e integrantes da DPU, convocação do órgão para defender parlamentar no Conselho de Ética é irregular. Foto: Reprodução de YouTube Para representantes do PSOL e integrantes da DPU, convocação do órgão para defender parlamentar no Conselho de Ética é irregular. (Foto: Reprodução de YouTube) Os deputados do PSOL Chico Alencar (RJ) …
Na saída da reunião a portas fechadas na presidência do STF, Toffoli passou diante dos jornalistas em silêncio. (Foto: Luiz Silveira/STF) Após reunião que definiu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, o magistrado afirmou que a conversa de mais de três horas com os colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) …
Decisões individuais de ministros impedem que verbas indenizatórias sem previsão legal e acima do teto sejam pagas. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adiou para o dia 25 de março a conclusão do julgamento das ações que tratam do pagamento dos chamados “penduricalhos” – verbas indenizatórias que podem dar …
Auditor afirmou que é mais fácil investigar crime organizado do que autoridades públicas. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado) Em nota divulgada após o depoimento, a associação que representa os auditores fiscais da Receita afirmou que Kleber Cabral foi intimado apenas em razão das declarações concedidas à imprensa após operação contra quatro funcionários do órgão. O depoimento …
Procuradoria-Geral da República pede a transferência de joias sauditas de Bolsonaro para a Receita Federal
As joias foram apreendidas pela Polícia Federal e atualmente estão armazenadas na Caixa Econômica Federal. (Foto: Reprodução)
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação pedindo que a Receita Federal assuma a custódia das joias sauditas dadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, para iniciar o procedimento fiscal de perdimento dos bens. As joias foram apreendidas pela Polícia Federal e atualmente estão armazenadas na Caixa Econômica Federal.
Em 2023, o Estadão revelou que o governo de Bolsonaro tentou trazer ilegalmente para o Brasil presentes do regime da Arábia Saudita para o então presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os itens foram apreendidos no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Reportagens mostraram que o governo Bolsonaro fez reiteradas tentativas para obter as peças sem pagar o imposto e a multa estipulados por lei para esses casos. A última ocorreu dois dias antes do fim do mandato de Bolsonaro, em dezembro de 2022.
Após o Estadão ter revelado o caso, Michelle disse que “não estava sabendo” que tinha “tudo isso”, referindo-se às joias. “Quer dizer que, ‘eu tenho tudo isso’ e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa impressa vexatória”, publicou Michelle no Instagram em março daquele ano.
Jair Bolsonaro disse à CNN Brasil que não tinha conhecimento dos presentes e dos valores, mas que as joias iam para o o acervo da Presidência. Negou que tenha cometido alguma ilegalidade.
Em julho de 2024, com base na investigação do Estadão, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Operação Lucas 2:22 reconstituiu o esquema organizado para desviar presentes de alto valor para serem posteriormente vendidos no exterior. Outros dez investigados também foram indiciados.
Recentemente, Gonet pediu ao relator do caso no STF, o ministro Alexandre de Moraes que o inquérito seja arquivado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliou que a legislação brasileira não é clara sobre a natureza jurídica de presentes recebidos por presidentes da República em razão do cargo, ou seja, se esses itens pertencem ao patrimônio pessoal do chefe do Executivo ou ao patrimônio da União. Segundo o órgão, mesmo admitindo a existência dos fatos, a lacuna jurídica impede a caracterizar o caso como criminal.
“A natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República permanece controvertida, sem disciplina legislativa específica, sujeita a interpretações administrativas divergentes, inclusive no âmbito da sistemática do controle externo”, escreveu o PGR.
“Enquanto subsistir a lacuna legislativa sobre a natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República, a incidência do Direito Penal revela-se incompatível com os princípios que delimitam o exercício legítimo do poder punitivo no Estado Democrático de Direito”, disse Gonet.
Na manifestação, Gonet ressalta o trabalho da PF de análise do caso e diz que não está excluída a hipótese de “sindicâncias de ordem não penal”. Isso significa que mesmo defendendo o arquivamento do inquérito no STF o procurador-geral não descarta que órgãos administrativos ou de controle investiguem se houve irregularidades na gestão ou no destino das joias, o que pode levar a medidas como devolução dos bens ou sanções administrativas, mas sem punição penal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
Related Posts
Deputados pedem apuração sobre Defensoria Pública ter assumido caso Eduardo Bolsonaro na Câmara
Para representantes do PSOL e integrantes da DPU, convocação do órgão para defender parlamentar no Conselho de Ética é irregular. Foto: Reprodução de YouTube Para representantes do PSOL e integrantes da DPU, convocação do órgão para defender parlamentar no Conselho de Ética é irregular. (Foto: Reprodução de YouTube) Os deputados do PSOL Chico Alencar (RJ) …
“Excelente”: saiba como foi a reação de Dias Toffoli a reunião no Supremo que definiu sua saída do caso Master
Na saída da reunião a portas fechadas na presidência do STF, Toffoli passou diante dos jornalistas em silêncio. (Foto: Luiz Silveira/STF) Após reunião que definiu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, o magistrado afirmou que a conversa de mais de três horas com os colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) …
Supremo adia para 25 de março julgamento sobre “penduricalhos” em salários públicos; suspensão em vigor segue valendo
Decisões individuais de ministros impedem que verbas indenizatórias sem previsão legal e acima do teto sejam pagas. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adiou para o dia 25 de março a conclusão do julgamento das ações que tratam do pagamento dos chamados “penduricalhos” – verbas indenizatórias que podem dar …
Auditor da Receita Federal intimado por Alexandre de Moraes é ouvido pela Polícia Federal como investigado
Auditor afirmou que é mais fácil investigar crime organizado do que autoridades públicas. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado) Em nota divulgada após o depoimento, a associação que representa os auditores fiscais da Receita afirmou que Kleber Cabral foi intimado apenas em razão das declarações concedidas à imprensa após operação contra quatro funcionários do órgão. O depoimento …