Avanço das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master elevou a temperatura entre o Congresso e o Supremo e passou a preocupar o governo Lula
Relação entre o Supremo e o Congresso passa por novo tensionamento. (Foto: Agência Senado)
O avanço das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master elevou a temperatura entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a preocupar o governo Lula pelo potencial desgaste eleitoral que o caso pode gerar. Parlamentares da cúpula da Câmara e do Senado e integrantes do Executivo dizem enxergar um cenário de desordem em Brasília, com a apuração sobre o Master ganhando novos contornos políticos e pressionando deputados e senadores, o Planalto e o STF às vésperas das eleições. Eles afirmam que a tendência é que o caso ainda se arraste por algum tempo, podendo provocar impacto nas eleições.
Há também tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula do Congresso com o governo federal. Nos bastidores, políticos e magistrados dizem enxergar aval do Planalto na condução da Polícia Federal (PF) nas investigações. Ministros do STF ficaram incomodados com o movimento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entregar ao presidente da Corte, Edson Fachin, informações do celular de Daniel Vorcaro que incluíam menções ao ministro Dias Toffoli, então relator do caso no Supremo.
Na leitura de interlocutores do tribunal, o chefe da PF não teria feito esse movimento sem antes ter obtido o aval do Planalto. Além disso, avaliam que o entorno do presidente Lula fez coro às críticas a Dias Toffoli, expondo o ministro e a Corte como um todo.
Já congressistas acusam o Planalto de influenciar a atuação da PF para prejudicar adversários políticos de Lula. O governo, por sua vez, se vê também pressionado com as suspeitas de envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e busca distensionar a relação com os demais Poderes.
Queda na confiança
Aliados de Lula veem o cenário com apreensão, especialmente no momento em que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), antes em segundo plano, ganharam visibilidade diante do interesse de congressistas em capitalizar eleitoralmente os trabalhos e da divulgação do material dessas investigações. Integrantes do governo avaliam que a escalada de tensão entre Congresso e Supremo, somada ao avanço de revelações sobre os casos, pode criar um ambiente político de difícil controle e alimentar discursos da oposição.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na quinta-feira (12) mostrou que a confiança da população no STF caiu para 43%, enquanto 49% desconfiam — os dados mostram um recuo de sete pontos percentuais na parcela da população que confia no Supremo, se comparado ao levantamento anterior, de agosto.
Tentativa de equilíbrio
Governistas dizem ainda que é preciso buscar um equilíbrio entre não tensionar totalmente com o Congresso, para não fragilizar a base do Palácio do Planalto, e reforçar a autonomia da PF nas investigações, “doa a quem doer”. Além disso, afirmam que é preciso cautela para evitar qualquer ruído com partidos num momento em que são costuradas alianças nas eleições.
Interlocutores de Lula dizem, por outro lado, que o governo não pode adotar postura defensiva em meio às revelações do Master. Uma das linhas adotadas por governistas tem sido atrelar o escândalo a figuras da oposição usando o termo “Bolso Master”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Eles têm explorado, por exemplo, o fato de o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro preso na semana passada, ter sido um dos principais doadores das campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Bolsonaro em 2022.
Novas informações sobre relações entre políticos e integrantes do Judiciário com o banqueiro começam a ser divulgadas, ampliando o alcance político das investigações e aumentando a pressão sobre diferentes setores do poder público.
Reportagem do jornal O Globo revelou nesta semana, por exemplo, que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao governo da Bahia, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central.
Parlamentares apostam que o caso continuará produzindo novos capítulos nas próximas semanas, à medida que as investigações avançam, e se arrastará até o processo eleitoral. (As informações são de O Globo)
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Há também tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula do Congresso com o governo federal. Nos bastidores, políticos e magistrados dizem enxergar aval do Planalto na condução da Polícia Federal (PF) nas investigações. Ministros do STF ficaram incomodados com o movimento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entregar ao presidente da Corte, Edson Fachin, informações do celular de Daniel Vorcaro que incluíam menções ao ministro Dias Toffoli, então relator do caso no Supremo.
Na leitura de interlocutores do tribunal, o chefe da PF não teria feito esse movimento sem antes ter obtido o aval do Planalto. Além disso, avaliam que o entorno do presidente Lula fez coro às críticas a Dias Toffoli, expondo o ministro e a Corte como um todo.
Já congressistas acusam o Planalto de influenciar a atuação da PF para prejudicar adversários políticos de Lula. O governo, por sua vez, se vê também pressionado com as suspeitas de envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e busca distensionar a relação com os demais Poderes.
Queda na confiança
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Tentativa de equilíbrio
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Interlocutores de Lula dizem, por outro lado, que o governo não pode adotar postura defensiva em meio às revelações do Master. Uma das linhas adotadas por governistas tem sido atrelar o escândalo a figuras da oposição usando o termo “Bolso Master”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Eles têm explorado, por exemplo, o fato de o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro preso na semana passada, ter sido um dos principais doadores das campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Bolsonaro em 2022.
Novas informações sobre relações entre políticos e integrantes do Judiciário com o banqueiro começam a ser divulgadas, ampliando o alcance político das investigações e aumentando a pressão sobre diferentes setores do poder público.
Reportagem do jornal O Globo revelou nesta semana, por exemplo, que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao governo da Bahia, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central.
Parlamentares apostam que o caso continuará produzindo novos capítulos nas próximas semanas, à medida que as investigações avançam, e se arrastará até o processo eleitoral. (As informações são de O Globo)
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