Ministra afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização
Foto: Sophia Santos/STF
Ministra afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização. (Foto: Sophia Santos/STF)
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia afirmou, em sua fala no evento “Todas e Todos Contra o Feminicídio”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização, enquanto mulheres continuam sendo mortas física e socialmente.
“Eu não falo em recivilização, porque eu não falo em civilização em um local em que matam pessoas. Matam crianças, matam meninas fisicamente, socialmente, intelectualmente, psiquicamente. Isto não é uma civilização. Isto é um simulacro que ainda não chegou ao aspecto civilizatório de uma humanidade que rejeita a barbárie. Isto é, sim, barbárie. (…) Resolveram nos matar, resolvemos viver”, ressaltou nesta quarta-feira (11/3), ao destacar, com base em dados de 2026, que uma mulher é assassinada no país a cada menos de 6 horas pelo simples fato de ser mulher.
Um dos marcos jurídicos detalhados pela ministra foi a decisão do Supremo, de março de 2025, que declarou inconstitucional o uso do argumento de “defesa da honra” em casos de feminicídio. Cármen criticou a estratégia de advogados de atacar a vida pregressa das vítimas para justificar o crime, mencionando casos históricos onde réus foram absolvidos sob aplausos após assassinarem mulheres com tiros no rosto.
A ministra utilizou ainda a metáfora da “gata borralheira” para descrever o confinamento histórico das mulheres ao espaço doméstico, enquanto os homens ocupam os espaços de decisão e lazer.
“Os clubes de charuto continuam ainda hoje aqui em Brasília, em qualquer lugar do Brasil. Os homens se reúnem, se divertem, se apresentam e depois na hora de promover para um tribunal são estes que vão porque já conhecem aquele que vai nomear, porque é aquele que eu te apresentei depois do jogo do futebol. Onde estamos nós? De casa para o trabalho, do trabalho para casa, com dupla, quando não, com tripla jornada. Mas vocês são muito guerreiras e todo ser humano tem que ser guerreiro nesse sentido de lutar pela vida. Nós queremos ser namoradas, nós queremos ser festivas, queremos ser amigas, queremos passear, queremos não ser guerreiras o tempo todo, porque isso cansa. A vida não é um estresse, a vida é uma grande aventura para ser vivida com prazer. O destino do ser humano é a felicidade”, afirmou a magistrada.
Para Cármen Lúcia, “sem mulheres não há democracia”. Ela encerrou citando a escritora Conceição Evaristo: “Combinaram de nos matar e nós combinamos de não morrer”, reafirmando que a resistência feminina é o que mantém viva a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária, conforme o Artigo 3° da Constituição Federal.
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“Resolveram nos matar, resolvemos viver”, diz a ministra Cármen Lúcia em discurso contra o feminicídio
Ministra afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização
Foto: Sophia Santos/STF
Ministra afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização. (Foto: Sophia Santos/STF)
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia afirmou, em sua fala no evento “Todas e Todos Contra o Feminicídio”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização, enquanto mulheres continuam sendo mortas física e socialmente.
“Eu não falo em recivilização, porque eu não falo em civilização em um local em que matam pessoas. Matam crianças, matam meninas fisicamente, socialmente, intelectualmente, psiquicamente. Isto não é uma civilização. Isto é um simulacro que ainda não chegou ao aspecto civilizatório de uma humanidade que rejeita a barbárie. Isto é, sim, barbárie. (…) Resolveram nos matar, resolvemos viver”, ressaltou nesta quarta-feira (11/3), ao destacar, com base em dados de 2026, que uma mulher é assassinada no país a cada menos de 6 horas pelo simples fato de ser mulher.
Um dos marcos jurídicos detalhados pela ministra foi a decisão do Supremo, de março de 2025, que declarou inconstitucional o uso do argumento de “defesa da honra” em casos de feminicídio. Cármen criticou a estratégia de advogados de atacar a vida pregressa das vítimas para justificar o crime, mencionando casos históricos onde réus foram absolvidos sob aplausos após assassinarem mulheres com tiros no rosto.
A ministra utilizou ainda a metáfora da “gata borralheira” para descrever o confinamento histórico das mulheres ao espaço doméstico, enquanto os homens ocupam os espaços de decisão e lazer.
“Os clubes de charuto continuam ainda hoje aqui em Brasília, em qualquer lugar do Brasil. Os homens se reúnem, se divertem, se apresentam e depois na hora de promover para um tribunal são estes que vão porque já conhecem aquele que vai nomear, porque é aquele que eu te apresentei depois do jogo do futebol. Onde estamos nós? De casa para o trabalho, do trabalho para casa, com dupla, quando não, com tripla jornada. Mas vocês são muito guerreiras e todo ser humano tem que ser guerreiro nesse sentido de lutar pela vida. Nós queremos ser namoradas, nós queremos ser festivas, queremos ser amigas, queremos passear, queremos não ser guerreiras o tempo todo, porque isso cansa. A vida não é um estresse, a vida é uma grande aventura para ser vivida com prazer. O destino do ser humano é a felicidade”, afirmou a magistrada.
Para Cármen Lúcia, “sem mulheres não há democracia”. Ela encerrou citando a escritora Conceição Evaristo: “Combinaram de nos matar e nós combinamos de não morrer”, reafirmando que a resistência feminina é o que mantém viva a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária, conforme o Artigo 3° da Constituição Federal.
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