Com quase dois a cada cinco eleitores da amostra, a faixa de dois a cinco salários é uma das mais críticas para Lula. (Foto: EBC)
A primeira pesquisa Datafolha do ano eleitoral ilustra a dificuldade que o presidente Lula ainda enfrenta para conquistar os brasileiros beneficiados pela isenção do Imposto de Renda (IR), ampliada a quem ganha até R$ 5 mil. Entre dezembro e março, apesar de a medida ter entrado em vigor, o petista viu a aprovação estagnar e a intenção de voto cair em simulação de segundo turno na faixa alcançada por ela.
Ao mesmo tempo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a derrotar o presidente na simulação de segundo turno dentro do grupo que abarca quem recebe entre dois e cinco salários mínimos por mês, no qual se concentram os agraciados pela política do governo, e cresceu em diferentes estratos sociais.
Com quase dois a cada cinco eleitores da amostra, a faixa de dois a cinco salários é uma das mais críticas para Lula. Considerando a margem de erro específica do segmento – quatro pontos percentuais –, o presidente viu a aprovação seguir tecnicamente congelada, mas com oscilação negativa de dois pontos. Hoje, 42% desses eleitores apoiam o trabalho do petista, contra 55% que o rechaçam.
Além do cenário estagnado na percepção sobre o governo, as projeções eleitorais mostram que Flávio cresceu no embate direto num eventual segundo turno. A faixa de renda aqui analisada foi a segunda com maior variação nos últimos três meses, atrás apenas dos mais ricos.
Entre os entrevistados com renda de dois a cinco salários, o herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) derrota o petista por 48% a 40%. A despeito de representar empate técnico no limite da margem, o resultado inverte o registrado em dezembro, que era de 47% a 40% para o presidente.
Na campanha de 2022, a promessa de ampliar a isenção do IR foi uma das principais bandeiras de Lula. O Congresso a aprovou no ano passado, e, no PT, a leitura era de que a medida impulsionaria a avaliação do presidente quando entrasse em vigor.
Promessa
Fundador do Ipespe, o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda aponta que os números atuais na faixa de renda são parecidos com os das pesquisas anteriores ao segundo turno de 2022. A mudança no IR, diz, chegou agora mais como obrigação do que como uma novidade.
“Lula perdeu nesse segmento e não conseguiu, no governo, reverter o quadro. Não conseguiu emplacar uma narrativa de sucesso econômico: país crescendo, renda melhorando, empreendedores avançando”, avalia.
Na visão de Lavareda, o que chegará à campanha com maior potencial para Lula, no universo do trabalho, é a defesa do fim da escala 6×1. Trata-se de uma política que atinge sobretudo os trabalhadores de renda baixa – já propensos ao lulismo, mas que hoje lhe dão vitória menos confortável do que em outras ocasiões.
Também há, na esquerda, uma percepção de que Lula vai ter que ativar a máquina pública e colocar em curso algumas “bondades” ao longo dos próximos meses, a despeito da situação fiscal. Desde o ano passado, algumas medidas já foram anunciadas, como os programas Gás do Povo e Luz do Povo. Em 2022, Bolsonaro recorreu a esse tipo de pacote, atropelou a responsabilidade fiscal e conseguiu se tornar competitivo depois de um longo período de avaliação negativa em alta, mas não a ponto de vencer a disputa.
Outra expectativa de melhora a curto e médio prazo tem como base um fator habitual nas pesquisas: os primeiros trimestres do ano tendem a ser piores para os incumbentes, dado que é o momento em que os cidadãos sentem no bolso alguns impostos como IPTU e IPVA, além de gastos com material escolar, afirma o cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ. Pesa ainda, avalia, o fato de a isenção do IR ainda estar incipiente. Na campanha, o governo vai impulsionar a propaganda sobre a medida.
Flávio
Primeira Datafolha desde que Flávio foi anunciado como pré-candidato, a sondagem reforça a consolidação dele como nome da direita, antes atestada por outros institutos. O que chama atenção é como o presidenciável cresceu em todas os segmentos de gênero, renda e religião quando se simula a disputa com Lula no segundo turno.
Cada faixa tem uma margem de erro específica que precisa ser levada em conta, mas, em números absolutos, as maiores variações foram entre os mais ricos (+24 pontos), homens (+12) e evangélicos (+11). Na sequência, aparece o grupo que reúne os beneficiados pela nova isenção do IR, com oito pontos a mais para Flávio na comparação com dezembro.
Na análise por gênero, a vantagem de Flávio entre os homens é uma das principais diferenças para a última pesquisa feita antes do segundo turno de 2022, disputado entre Lula e Bolsonaro. Àquela altura, o petista tinha vantagem menor que a de agora no eleitorado feminino e conseguia empate técnico (47% a 46%) no masculino. (Com informações do jornal O Globo)
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Anúncio da isenção do Imposto de Renda não faz efeito nas pesquisas, e Lula cai na faixa beneficiada
Com quase dois a cada cinco eleitores da amostra, a faixa de dois a cinco salários é uma das mais críticas para Lula. (Foto: EBC)
A primeira pesquisa Datafolha do ano eleitoral ilustra a dificuldade que o presidente Lula ainda enfrenta para conquistar os brasileiros beneficiados pela isenção do Imposto de Renda (IR), ampliada a quem ganha até R$ 5 mil. Entre dezembro e março, apesar de a medida ter entrado em vigor, o petista viu a aprovação estagnar e a intenção de voto cair em simulação de segundo turno na faixa alcançada por ela.
Ao mesmo tempo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a derrotar o presidente na simulação de segundo turno dentro do grupo que abarca quem recebe entre dois e cinco salários mínimos por mês, no qual se concentram os agraciados pela política do governo, e cresceu em diferentes estratos sociais.
Com quase dois a cada cinco eleitores da amostra, a faixa de dois a cinco salários é uma das mais críticas para Lula. Considerando a margem de erro específica do segmento – quatro pontos percentuais –, o presidente viu a aprovação seguir tecnicamente congelada, mas com oscilação negativa de dois pontos. Hoje, 42% desses eleitores apoiam o trabalho do petista, contra 55% que o rechaçam.
Além do cenário estagnado na percepção sobre o governo, as projeções eleitorais mostram que Flávio cresceu no embate direto num eventual segundo turno. A faixa de renda aqui analisada foi a segunda com maior variação nos últimos três meses, atrás apenas dos mais ricos.
Entre os entrevistados com renda de dois a cinco salários, o herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) derrota o petista por 48% a 40%. A despeito de representar empate técnico no limite da margem, o resultado inverte o registrado em dezembro, que era de 47% a 40% para o presidente.
Na campanha de 2022, a promessa de ampliar a isenção do IR foi uma das principais bandeiras de Lula. O Congresso a aprovou no ano passado, e, no PT, a leitura era de que a medida impulsionaria a avaliação do presidente quando entrasse em vigor.
Promessa
Fundador do Ipespe, o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda aponta que os números atuais na faixa de renda são parecidos com os das pesquisas anteriores ao segundo turno de 2022. A mudança no IR, diz, chegou agora mais como obrigação do que como uma novidade.
“Lula perdeu nesse segmento e não conseguiu, no governo, reverter o quadro. Não conseguiu emplacar uma narrativa de sucesso econômico: país crescendo, renda melhorando, empreendedores avançando”, avalia.
Na visão de Lavareda, o que chegará à campanha com maior potencial para Lula, no universo do trabalho, é a defesa do fim da escala 6×1. Trata-se de uma política que atinge sobretudo os trabalhadores de renda baixa – já propensos ao lulismo, mas que hoje lhe dão vitória menos confortável do que em outras ocasiões.
Também há, na esquerda, uma percepção de que Lula vai ter que ativar a máquina pública e colocar em curso algumas “bondades” ao longo dos próximos meses, a despeito da situação fiscal. Desde o ano passado, algumas medidas já foram anunciadas, como os programas Gás do Povo e Luz do Povo. Em 2022, Bolsonaro recorreu a esse tipo de pacote, atropelou a responsabilidade fiscal e conseguiu se tornar competitivo depois de um longo período de avaliação negativa em alta, mas não a ponto de vencer a disputa.
Outra expectativa de melhora a curto e médio prazo tem como base um fator habitual nas pesquisas: os primeiros trimestres do ano tendem a ser piores para os incumbentes, dado que é o momento em que os cidadãos sentem no bolso alguns impostos como IPTU e IPVA, além de gastos com material escolar, afirma o cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ. Pesa ainda, avalia, o fato de a isenção do IR ainda estar incipiente. Na campanha, o governo vai impulsionar a propaganda sobre a medida.
Flávio
Primeira Datafolha desde que Flávio foi anunciado como pré-candidato, a sondagem reforça a consolidação dele como nome da direita, antes atestada por outros institutos. O que chama atenção é como o presidenciável cresceu em todas os segmentos de gênero, renda e religião quando se simula a disputa com Lula no segundo turno.
Cada faixa tem uma margem de erro específica que precisa ser levada em conta, mas, em números absolutos, as maiores variações foram entre os mais ricos (+24 pontos), homens (+12) e evangélicos (+11). Na sequência, aparece o grupo que reúne os beneficiados pela nova isenção do IR, com oito pontos a mais para Flávio na comparação com dezembro.
Na análise por gênero, a vantagem de Flávio entre os homens é uma das principais diferenças para a última pesquisa feita antes do segundo turno de 2022, disputado entre Lula e Bolsonaro. Àquela altura, o petista tinha vantagem menor que a de agora no eleitorado feminino e conseguia empate técnico (47% a 46%) no masculino. (Com informações do jornal O Globo)
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