Crise cria “tempestade perfeita” e abre caminho para delação premiada de Daniel Vorcaro, com aval de ministro do Supremo, da Polícia Federal e sem a PGR
Eventual colaboração premiada dependerá da Polícia Federal (PF) e da decisão do próprio banqueiro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Nos bastidores da investigação que levou o banqueiro Daniel Vorcaro de volta à cadeia, um entendimento começa a se consolidar entre interlocutores do caso. A crise do Banco Master já não é vista apenas como um problema de um grupo ou de outro. Para quem acompanha de perto as apurações, trata-se de uma crise que expõe o próprio sistema.
Sem o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) às medidas mais duras da operação, o recado institucional que emerge no dia seguinte é diferente – e ajuda a explicar os movimentos que já começaram fora dos autos.
Ou seja: qualquer saída jurídica para Vorcaro teria de ser construída pelo próprio Vorcaro. Na prática, isso recoloca a delação premiada no radar.
Essa avaliação ganhou força nas últimas horas por dois sinais observados nos bastidores.
O primeiro é a movimentação em torno da defesa. Já há conversas sobre quem assumiria o caso, e alguns advogados procurados disseram que não aceitariam conduzir uma estratégia baseada em delação premiada. Esse tipo de recusa, neste momento, costuma ser visto por investigadores como um indicativo relevante sobre qual linha de defesa está sendo considerada.
Nos bastidores da investigação, o episódio não é tratado como um fato isolado. Integrantes do caso lembram que a PGR, sob comando de Paulo Gonet, já tomou outras decisões que foram interpretadas como sinais importantes dentro desse contexto.
Entre elas, o entendimento de que não havia irregularidade no contrato da mulher do ministro Alexandre de Moraes com o Master – um acordo de cerca de R$ 530 milhões – e a avaliação de que Dias Toffoli não era suspeito para seguir na relatoria do caso.
Quando essas peças são colocadas lado a lado, dizem interlocutores da investigação, o quadro começa a ficar mais claro.
A pergunta central passa a ser outra: se houver negociação de colaboração premiada, quem conduziria esse processo?
A resposta está na própria investigação. A Polícia Federal poderia assumir esse papel – possibilidade que já conta com respaldo em decisões do Supremo Tribunal Federal. O ponto sensível sempre foi quem daria a chancela jurídica final, já que a homologação precisa ser feita pela Justiça.
Com Toffoli na relatoria, investigadores avaliavam que seria difícil haver esse aval.
Com Mendonça, dizem fontes da investigação, esse caminho passa a ser visto como mais viável. O entendimento que circula entre investigadores, juristas e também no entorno de Vorcaro é de que o ministro tem sinalizado apoio à condução da investigação pela Polícia Federal.
Na prática, a mensagem interpretada por quem acompanha o caso é direta: se houver colaboração, ela dependerá menos de articulações políticas e mais da disposição do próprio Vorcaro em negociar com os investigadores.
E, se decidir falar, dizem investigadores, ele terá de entregar algo além do que já está nas mãos da polícia.
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