Em uma tentativa de ampliar seu eleitorado além do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro passou a divulgar pontos do que deverá constar em seu plano de governo na corrida presidencial
Presidenciável promete, por exemplo, reduzir impostos, cortar gastos e manter responsabilidade fiscal, mas sem explicar como faria para controlar despesas públicas. (Foto: Reprodução de vídeo)
Em uma tentativa de ampliar seu eleitorado além do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a divulgar pontos do que deverá constar em seu plano de governo na corrida presidencial, mas já enfrenta questionamentos sobre parte das propostas, como ajuste fiscal, mudanças no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e privatizações. O presidenciável promete, por exemplo, reduzir impostos, cortar gastos e manter responsabilidade fiscal, mas sem explicar como faria para controlar despesas públicas e para manter o equilíbrio fiscal.
Já o chamado “Plano Real da Saúde” aposta em reorganizar o financiamento e a remuneração do SUS, mas especialistas apontam que alterações assim costumam pressionar o gasto público. Em outra frente, Flávio defende vender 95% das estatais sem indicar quais empresas entrariam no programa.
Dirigentes do partido afirmam que o plano passou a funcionar como teste político da candidatura, com o desafio de demonstrar que as propostas são viáveis. Alguns pontos são vistos com ressalvas entre interlocutores do mercado.
O núcleo econômico combina redução da carga tributária, corte de despesas administrativas, diminuição do número de ministérios, digitalização da máquina pública e avanço de privatizações. Em paralelo, Flávio tem defendido revisar pontos da reforma tributária recém-aprovada e discutir alterações nas reformas trabalhista e previdenciária.
Zonas de tensão
A simultaneidade dessas promessas é apontada por economistas como uma das principais zonas de tensão do plano, sobretudo pela ausência, até o momento, de detalhamento sobre uma âncora fiscal de um eventual governo.
A formulação do plano vem sendo conduzida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e reúne economistas ligados ao antigo Ministério da Economia do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano. O grupo diz trabalhar na estruturação de um programa ancorado em responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado e reformas administrativas.
“Temos interesse em diminuir a carga tributária e tornar o governo muito mais funcional. O país vive um aumento geométrico da dívida pública e precisa de responsabilidade fiscal. Seremos o contraponto do que está aí. Respeito à propriedade privada e revisão de grandes reformas, como a trabalhista e a previdenciária, que foram descaracterizadas. Temos que promover uma reforma tributária real”, afirmou Marinho.
Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo avaliam que a combinação entre redução de impostos e ampliação de privatizações pode ser viável do ponto de vista teórico, mas depende da existência de uma regra fiscal capaz de sobreviver a pressões políticas.
“Quando você reduz imposto, diminui a receita. Privatizações geram receitas extraordinárias, mas que não se repetem. Sem uma regra clara que limite o crescimento das despesas, o ajuste pode até fechar a conta no primeiro momento, mas gerar desequilíbrio depois”, afirma a economista Juliana Inhasz Kessler, professora do Insper.
Experiências recentes pesam nessa avaliação. O teto de gastos aprovado em 2016, no governo de Michel Temer, perdeu eficácia após ser furado diversas vezes na gestão Bolsonaro. O novo arcabouço fiscal apresentado por Fernando Haddad, por sua vez, teve a meta de déficit zero revista antes mesmo de completar um ano e já convive com exceções e créditos extraordinários negociados com o Congresso. A promessa de revisitar reformas recentes também é vista com cuidado, diante do risco de reabrir debates sobre propostas ainda em fase de implementação.
Para a economista Margarida Gutierrez, doutora pela UFRJ, a discussão sobre mudanças estruturais nas contas públicas é necessária diante do cenário fiscal brasileiro, mas é preciso ter cautela quando se trata de privatizações.
“O Brasil tem um total desequilíbrio de contas públicas, e muitos especialistas estão fazendo propostas. A sociedade brasileira precisa se conscientizar de que o atual modelo fracassou. A questão da privatização não deve ser olhada pelo prisma fiscal, mas pela eficiência. As que são eficientes, como a Petrobras, não oneram o erário público. A discussão tem que ser feita caso a caso”, disse ela.
Aliados afirmam que Flávio busca repetir a estratégia adotada pelo pai em 2018, quando Paulo Guedes foi apresentado como o Posto Ipiranga da campanha e responsável por dar credibilidade à agenda econômica e à candidatura. O ex-ministro mantém interlocução frequente com o senador e participa de discussões sobre o plano, mas seu retorno a um eventual governo é considerado improvável. A ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques, pupila de Guedes, passou a ser considerada para a função.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou nesta quarta-feira a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, iniciativa que reúne órgãos públicos, bancos e empresas de tecnologia para tentar reduzir o avanço dos golpes financeiros praticados pela internet e por aplicativos de mensagem. A aliança foi formalizada com um plano de ação …
A manifestação da posição brasileira foi feita pelo embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese. Foto: Gabinete do Procurador-Geral dos EUA/X A manifestação da posição brasileira foi feita pelo embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese. (Foto: Gabinete do Procurador-Geral dos EUA/X) O governo brasileiro afirmou, nesta terça-feira (23), que a mobilização militar dos Estados Unidos no …
Com as sanções, todos os eventuais bens de Viviane nos EUA estão bloqueados Foto: Divulgação Com as sanções, todos os eventuais bens de Viviane nos EUA estão bloqueados. (Foto: Divulgação) Com base na Lei Magnitsky, utilizada para punir estrangeiros, o governo dos Estados Unidos aplicou sanções, nesta segunda-feira (22), contra Viviane Barci de Moraes, mulher …
Tendência é que na mesma data o presidente vete projeto que reduz pena de Bolsonaro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O evento que o governo Luiz Inácio Lula da Silva preparou para esta quinta-feira (8) com o objetivo de marcar os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes não deve reunir a cúpula do …
Em uma tentativa de ampliar seu eleitorado além do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro passou a divulgar pontos do que deverá constar em seu plano de governo na corrida presidencial
Presidenciável promete, por exemplo, reduzir impostos, cortar gastos e manter responsabilidade fiscal, mas sem explicar como faria para controlar despesas públicas. (Foto: Reprodução de vídeo)
Em uma tentativa de ampliar seu eleitorado além do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a divulgar pontos do que deverá constar em seu plano de governo na corrida presidencial, mas já enfrenta questionamentos sobre parte das propostas, como ajuste fiscal, mudanças no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e privatizações. O presidenciável promete, por exemplo, reduzir impostos, cortar gastos e manter responsabilidade fiscal, mas sem explicar como faria para controlar despesas públicas e para manter o equilíbrio fiscal.
Já o chamado “Plano Real da Saúde” aposta em reorganizar o financiamento e a remuneração do SUS, mas especialistas apontam que alterações assim costumam pressionar o gasto público. Em outra frente, Flávio defende vender 95% das estatais sem indicar quais empresas entrariam no programa.
Dirigentes do partido afirmam que o plano passou a funcionar como teste político da candidatura, com o desafio de demonstrar que as propostas são viáveis. Alguns pontos são vistos com ressalvas entre interlocutores do mercado.
O núcleo econômico combina redução da carga tributária, corte de despesas administrativas, diminuição do número de ministérios, digitalização da máquina pública e avanço de privatizações. Em paralelo, Flávio tem defendido revisar pontos da reforma tributária recém-aprovada e discutir alterações nas reformas trabalhista e previdenciária.
Zonas de tensão
A simultaneidade dessas promessas é apontada por economistas como uma das principais zonas de tensão do plano, sobretudo pela ausência, até o momento, de detalhamento sobre uma âncora fiscal de um eventual governo.
A formulação do plano vem sendo conduzida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e reúne economistas ligados ao antigo Ministério da Economia do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano. O grupo diz trabalhar na estruturação de um programa ancorado em responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado e reformas administrativas.
“Temos interesse em diminuir a carga tributária e tornar o governo muito mais funcional. O país vive um aumento geométrico da dívida pública e precisa de responsabilidade fiscal. Seremos o contraponto do que está aí. Respeito à propriedade privada e revisão de grandes reformas, como a trabalhista e a previdenciária, que foram descaracterizadas. Temos que promover uma reforma tributária real”, afirmou Marinho.
Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo avaliam que a combinação entre redução de impostos e ampliação de privatizações pode ser viável do ponto de vista teórico, mas depende da existência de uma regra fiscal capaz de sobreviver a pressões políticas.
“Quando você reduz imposto, diminui a receita. Privatizações geram receitas extraordinárias, mas que não se repetem. Sem uma regra clara que limite o crescimento das despesas, o ajuste pode até fechar a conta no primeiro momento, mas gerar desequilíbrio depois”, afirma a economista Juliana Inhasz Kessler, professora do Insper.
Experiências recentes pesam nessa avaliação. O teto de gastos aprovado em 2016, no governo de Michel Temer, perdeu eficácia após ser furado diversas vezes na gestão Bolsonaro. O novo arcabouço fiscal apresentado por Fernando Haddad, por sua vez, teve a meta de déficit zero revista antes mesmo de completar um ano e já convive com exceções e créditos extraordinários negociados com o Congresso.
A promessa de revisitar reformas recentes também é vista com cuidado, diante do risco de reabrir debates sobre propostas ainda em fase de implementação.
Para a economista Margarida Gutierrez, doutora pela UFRJ, a discussão sobre mudanças estruturais nas contas públicas é necessária diante do cenário fiscal brasileiro, mas é preciso ter cautela quando se trata de privatizações.
“O Brasil tem um total desequilíbrio de contas públicas, e muitos especialistas estão fazendo propostas. A sociedade brasileira precisa se conscientizar de que o atual modelo fracassou. A questão da privatização não deve ser olhada pelo prisma fiscal, mas pela eficiência. As que são eficientes, como a Petrobras, não oneram o erário público. A discussão tem que ser feita caso a caso”, disse ela.
Aliados afirmam que Flávio busca repetir a estratégia adotada pelo pai em 2018, quando Paulo Guedes foi apresentado como o Posto Ipiranga da campanha e responsável por dar credibilidade à agenda econômica e à candidatura. O ex-ministro mantém interlocução frequente com o senador e participa de discussões sobre o plano, mas seu retorno a um eventual governo é considerado improvável. A ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques, pupila de Guedes, passou a ser considerada para a função.
Related Posts
Ministério da Justiça lança plano para combater fraudes bancárias digitais
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou nesta quarta-feira a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, iniciativa que reúne órgãos públicos, bancos e empresas de tecnologia para tentar reduzir o avanço dos golpes financeiros praticados pela internet e por aplicativos de mensagem. A aliança foi formalizada com um plano de ação …
Governo Lula afirma que os Estados Unidos violam Carta da ONU e pede fim do bloqueio na Venezuela
A manifestação da posição brasileira foi feita pelo embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese. Foto: Gabinete do Procurador-Geral dos EUA/X A manifestação da posição brasileira foi feita pelo embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese. (Foto: Gabinete do Procurador-Geral dos EUA/X) O governo brasileiro afirmou, nesta terça-feira (23), que a mobilização militar dos Estados Unidos no …
Governo dos Estados Unidos aplica sanções contra a mulher do ministro do Supremo Alexandre de Moraes
Com as sanções, todos os eventuais bens de Viviane nos EUA estão bloqueados Foto: Divulgação Com as sanções, todos os eventuais bens de Viviane nos EUA estão bloqueados. (Foto: Divulgação) Com base na Lei Magnitsky, utilizada para punir estrangeiros, o governo dos Estados Unidos aplicou sanções, nesta segunda-feira (22), contra Viviane Barci de Moraes, mulher …
Evento do governo sobre o 8 de Janeiro em Brasília nesta quinta não terá presença da cúpula do Congresso e contará com poucos ministros do Supremo
Tendência é que na mesma data o presidente vete projeto que reduz pena de Bolsonaro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O evento que o governo Luiz Inácio Lula da Silva preparou para esta quinta-feira (8) com o objetivo de marcar os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes não deve reunir a cúpula do …