Como contexto, o governo Lula sofre de um estiramento global de popularidade. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Corrida Internacional de São Silvestre é uma das corridas de rua mais tradicionais do Brasil e é sempre realizada no último dia do ano. O percurso é de 15 km e tem largada e chegada na Avenida Paulista, em São Paulo. Em 2026, teremos a última corrida eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.
Aos 80 anos, o atual presidente, ganhando ou perdendo o pleito de outubro, dificilmente voltará a disputar um cargo público. Se vencer ou chegar em segundo lugar, terá ficado nessas posições dianteiras em 7 dos 10 pleitos presidenciais depois da redemocratização. Um feito único no país e de difícil analogia no mundo democrático. Todavia, esse último percurso eleitoral será repleto de obstáculos.
Como contexto, o governo Lula sofre de um estiramento global de popularidade. A maioria absoluta dos chefes de Estado, em países minimamente democráticos, tem saldo de popularidade negativo (um nível de desaprovação maior do que aprovação). O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum são exceções, ao constantemente se manterem em terreno positivo de avaliação.
Esse quadro é consequência de eleições que são decididas, em grande medida, por uma batalha de rejeições em disputas muito acirradas. Os vencedores iniciam um mandato sendo amplamente rejeitados por, pelo menos, metade da opinião pública. Isso, na prática, produz tetos de popularidade muito baixos. A gestão vigente do Palácio Planalto é parte desse mesmo circuito.
As pesquisas de opinião, desde o início do mandato, mostram que em nenhum momento os eleitores de Jair Bolsonaro do segundo turno de 2022 aprovaram de maneira consistente a atual administração federal, muito diferente dos primeiros mandatos do petista. Naquela época, uma parte relevante do eleitorado dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin aprovou a gestão do ex-líder sindical. Em 2010, Lula terminou o mandato com praticamente 80% de avaliação positiva. Números inimagináveis em 2026. Para piorar, a desaprovação cresceu ao longo do mandato e atualmente tem saldo negativo.
Para vencer, o maior corredor presidencial da história terá de encarar uma melhora de popularidade e intenção de voto semelhante à árdua subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio do percurso da São Silvestre. Não custa lembrar que todos os ex-presidentes brasileiros que tentaram reeleição melhoraram seus índices de aprovação durante o ano eleitoral. A inclinação positiva sempre se iniciou já durante o primeiro semestre.
Para encarar essa subida, a gestão petista tem três obstáculos concretos a superar. Primeiro, reconquistar os eleitores lulistas do segundo turno de 2022. Depois, buscar minimizar a abstenção que constantemente prejudica o PT. No Brasil, as eleições nacionais têm, em média, 20% de abstenção. A essência desse não comparecimento é de votantes com menores índices de renda e escolaridade, um subgrupo que tenderia a votar, em sua maioria, no Partido dos Trabalhadores. Esse, inclusive, é um dos principais motivos pelos quais Lula e o PT nunca venceram no primeiro turno. E por último, quase uma missão impossível, tentar convencer uma parte (mesmo que ínfima) de eleitores de Bolsonaro de 2022 a mudar de lado.
Para dar fôlego a essa arrancada final, parece que o governo conta com a nova tabela do imposto de renda, o provável fim da jornada 6×1, potenciais bondades fiscais e o êxito na comunicação de diversos programas governamentais menos conhecidos. Será suficiente? Não sabemos.
O que temos convicção é que os números de aprovação ao longo desse primeiro semestre dirão bastante sobre em qual posição o presidente largará na campanha. Como preditores de popularidade, os índices de confiança do consumidor costumam ser eficientes para antecipar tendências. Vale ficarmos atentos. De qualquer maneira, se o presidente chegar em agosto com 55% de aprovação, dificilmente não cruzará a linha de chegada na frente. Porém, se seguir patinando entre os atuais 45% a 47%, se colocará na arriscada posição de terminar sua última corrida mais próximo da Consolação do que da Paulista. (Com informações do portal O Globo)
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A (difícil) última corrida de Lula: os três obstáculos que o petista precisa superar até a eleição
Como contexto, o governo Lula sofre de um estiramento global de popularidade. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Corrida Internacional de São Silvestre é uma das corridas de rua mais tradicionais do Brasil e é sempre realizada no último dia do ano. O percurso é de 15 km e tem largada e chegada na Avenida Paulista, em São Paulo. Em 2026, teremos a última corrida eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.
Aos 80 anos, o atual presidente, ganhando ou perdendo o pleito de outubro, dificilmente voltará a disputar um cargo público. Se vencer ou chegar em segundo lugar, terá ficado nessas posições dianteiras em 7 dos 10 pleitos presidenciais depois da redemocratização. Um feito único no país e de difícil analogia no mundo democrático. Todavia, esse último percurso eleitoral será repleto de obstáculos.
Como contexto, o governo Lula sofre de um estiramento global de popularidade. A maioria absoluta dos chefes de Estado, em países minimamente democráticos, tem saldo de popularidade negativo (um nível de desaprovação maior do que aprovação). O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum são exceções, ao constantemente se manterem em terreno positivo de avaliação.
Esse quadro é consequência de eleições que são decididas, em grande medida, por uma batalha de rejeições em disputas muito acirradas. Os vencedores iniciam um mandato sendo amplamente rejeitados por, pelo menos, metade da opinião pública. Isso, na prática, produz tetos de popularidade muito baixos. A gestão vigente do Palácio Planalto é parte desse mesmo circuito.
As pesquisas de opinião, desde o início do mandato, mostram que em nenhum momento os eleitores de Jair Bolsonaro do segundo turno de 2022 aprovaram de maneira consistente a atual administração federal, muito diferente dos primeiros mandatos do petista. Naquela época, uma parte relevante do eleitorado dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin aprovou a gestão do ex-líder sindical. Em 2010, Lula terminou o mandato com praticamente 80% de avaliação positiva. Números inimagináveis em 2026. Para piorar, a desaprovação cresceu ao longo do mandato e atualmente tem saldo negativo.
Para vencer, o maior corredor presidencial da história terá de encarar uma melhora de popularidade e intenção de voto semelhante à árdua subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio do percurso da São Silvestre. Não custa lembrar que todos os ex-presidentes brasileiros que tentaram reeleição melhoraram seus índices de aprovação durante o ano eleitoral. A inclinação positiva sempre se iniciou já durante o primeiro semestre.
Para encarar essa subida, a gestão petista tem três obstáculos concretos a superar. Primeiro, reconquistar os eleitores lulistas do segundo turno de 2022. Depois, buscar minimizar a abstenção que constantemente prejudica o PT. No Brasil, as eleições nacionais têm, em média, 20% de abstenção. A essência desse não comparecimento é de votantes com menores índices de renda e escolaridade, um subgrupo que tenderia a votar, em sua maioria, no Partido dos Trabalhadores. Esse, inclusive, é um dos principais motivos pelos quais Lula e o PT nunca venceram no primeiro turno. E por último, quase uma missão impossível, tentar convencer uma parte (mesmo que ínfima) de eleitores de Bolsonaro de 2022 a mudar de lado.
Para dar fôlego a essa arrancada final, parece que o governo conta com a nova tabela do imposto de renda, o provável fim da jornada 6×1, potenciais bondades fiscais e o êxito na comunicação de diversos programas governamentais menos conhecidos. Será suficiente? Não sabemos.
O que temos convicção é que os números de aprovação ao longo desse primeiro semestre dirão bastante sobre em qual posição o presidente largará na campanha. Como preditores de popularidade, os índices de confiança do consumidor costumam ser eficientes para antecipar tendências. Vale ficarmos atentos. De qualquer maneira, se o presidente chegar em agosto com 55% de aprovação, dificilmente não cruzará a linha de chegada na frente. Porém, se seguir patinando entre os atuais 45% a 47%, se colocará na arriscada posição de terminar sua última corrida mais próximo da Consolação do que da Paulista. (Com informações do portal O Globo)
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