Insistência de ministro em se manter à frente do cargo levantou questionamentos. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao fim da linha no caso do Banco Master. Criticado até por colegas que o blindavam, ele vinha arrastando a Corte para uma das maiores crises recentes do Judiciário.
Euma reunião de todos os ministros do Supremo na noite dessa quinta-feira, ele pediu para deixar a relatoria. Em troca, foi arquivada uma acusação de suspeição contra ele.
A pressão sobre Toffoli, que já era grande, atingiu o grau máximo com a revelação de que um relatório da Polícia Federal (PF) detalhava as relações dele com Daniel Vorcaro, que era dono do Banco Master, e Fabiano Zettel, que é cunhado dele.
Essas informações vazaram a partir de dados do celular do banqueiro, que foram apreendidos na investigação. Mensagens mostram Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos a Toffoli e encontros com ele.
Isso porque o ministro era sócio, junto com seus irmãos, de uma empresa que era uma das donas do resort Tayayá, no Paraná. E essa empresa vendeu sua participação para um fundo ligado ao Master.
Isso levantou uma série de questionamentos. Primeiro, por que o ministro não revelou essa situação desde o início, e deixou para admitir sua participação apenas agora, quando as informações vieram à tona?
Segundo, como é possível ele imaginar que isso não seria um conflito de interesses?
As revelações foram chamadas de dinamite política, e o receio é o que mais vem pela frente, já que o conteúdo do celular de Vorcaro começa a ser conhecido apenas agora.
Também havia uma preocupação no governo Lula e no Congresso, já que a teia de relacionamentos de Daniel Vorcaro era muito extensa e pegava vários partidos, tanto ligados ao governo, quanto à oposição.
O ministro a princípio resistiu a deixar a relatoria, e teve como primeira reação dizer que a Polícia Federal não tinha legitimidade jurídica para pedir o afastamento dele.
Chegou a ser cogitada uma medida traumática, que seria o afastamento dele por ordem do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Uma hipótese intermediária seria determinar que o caso saísse do Supremo e fosse para a primeira instância, mas isso acabou sendo descartado.
E o que acontece agora? Num primeiro momento, a fervura vai baixar. Mas o fato é que a crise do Master atingiu o Supremo de forma inédita, num momento em que a corte está sob pressão em várias frentes e num ano eleitoral.
O momento é delicado, e espera-se que esse episódio ao menos crie regras para evitar conflitos de interesse futuros. (Com informações da coluna Painel/Folha de S.Paulo)
Ao longo de sua fala, o senador também citou o caso de seu irmão, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo ele, está “exilado” nos Estados Unidos. (Foto: Ag. Senado) Durante um comício do partido de direita italiano Liga, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a Itália tem “perseguidos políticos” do Brasil. “Há perseguidos políticos …
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Diante da insistência do ministro Dias Toffoli em permanecer na função de relator, coube a seus pares no Supremo tirá-lo do caso
Insistência de ministro em se manter à frente do cargo levantou questionamentos. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao fim da linha no caso do Banco Master. Criticado até por colegas que o blindavam, ele vinha arrastando a Corte para uma das maiores crises recentes do Judiciário.
Euma reunião de todos os ministros do Supremo na noite dessa quinta-feira, ele pediu para deixar a relatoria. Em troca, foi arquivada uma acusação de suspeição contra ele.
A pressão sobre Toffoli, que já era grande, atingiu o grau máximo com a revelação de que um relatório da Polícia Federal (PF) detalhava as relações dele com Daniel Vorcaro, que era dono do Banco Master, e Fabiano Zettel, que é cunhado dele.
Essas informações vazaram a partir de dados do celular do banqueiro, que foram apreendidos na investigação. Mensagens mostram Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos a Toffoli e encontros com ele.
Isso porque o ministro era sócio, junto com seus irmãos, de uma empresa que era uma das donas do resort Tayayá, no Paraná. E essa empresa vendeu sua participação para um fundo ligado ao Master.
Isso levantou uma série de questionamentos. Primeiro, por que o ministro não revelou essa situação desde o início, e deixou para admitir sua participação apenas agora, quando as informações vieram à tona?
Segundo, como é possível ele imaginar que isso não seria um conflito de interesses?
As revelações foram chamadas de dinamite política, e o receio é o que mais vem pela frente, já que o conteúdo do celular de Vorcaro começa a ser conhecido apenas agora.
Também havia uma preocupação no governo Lula e no Congresso, já que a teia de relacionamentos de Daniel Vorcaro era muito extensa e pegava vários partidos, tanto ligados ao governo, quanto à oposição.
O ministro a princípio resistiu a deixar a relatoria, e teve como primeira reação dizer que a Polícia Federal não tinha legitimidade jurídica para pedir o afastamento dele.
Chegou a ser cogitada uma medida traumática, que seria o afastamento dele por ordem do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Uma hipótese intermediária seria determinar que o caso saísse do Supremo e fosse para a primeira instância, mas isso acabou sendo descartado.
E o que acontece agora? Num primeiro momento, a fervura vai baixar. Mas o fato é que a crise do Master atingiu o Supremo de forma inédita, num momento em que a corte está sob pressão em várias frentes e num ano eleitoral.
O momento é delicado, e espera-se que esse episódio ao menos crie regras para evitar conflitos de interesse futuros. (Com informações da coluna Painel/Folha de S.Paulo)
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