Papudinha vira QG político de Bolsonaro como núcleo de validação de candidaturas, com o ex-presidente coordenando alianças estaduais e monitorando pesquisas
Internamente, a avaliação é que nenhuma definição importante pode prescindir de seu aval. (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)
Desde que foi transferido para a Papudinha, Jair Bolsonaro (PL) passou a ter acompanhamento médico constante, visitas frequentes de advogados e conversas diárias com antigos subordinados. O que ocorre dentro do 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, porém, ultrapassa a gestão da custódia. Aos poucos, a unidade se consolidou como ponto de validação política do bolsonarismo, onde cenários estaduais são apresentados, alianças são debatidas e decisões estratégicas recebem a chancela do ex-presidente.
O circuito é discreto, mas estruturado. Advogados e os filhos mantêm interlocução permanente com dirigentes partidários e recebem as ordens de Bolsonaro. A partir daí circulam avaliações sobre a montagem de palanques, alertas sobre movimentos autônomos de aliados e orientações para o pleito de outubro.
Ex-assessor da Presidência e formalmente nomeado na defesa do ex-presidente, João Henrique Nascimento de Freitas esteve na unidade ao menos oito vezes no período recente. O ex-ministro Adolfo Saschida também visitou Bolsonaro oito vezes. A frequência consolidou ambos como interlocutores fixos entre a Papudinha e a direção do PL.
Procurados para falar sobre o assunto, ambos não quiseram se manifestar.
Aval obrigatório
Segundo relatos de aliados ouvidos sob reserva, as conversas extrapolam temas como prazos processuais ou questões relacionadas à defesa. Os advogados apresentam o quadro dos estados, discutem pesquisas internas, relatam tensões regionais e retornam com o posicionamento do ex-presidente. Internamente, a avaliação é que nenhuma definição importante pode prescindir de seu aval.
Valdemar e Bessa também preferiram não se manifestar.
O advogado esteve na Papudinha no dia 20 de janeiro, às 14h33m, registrado como atendimento jurídico. Nos bastidores, porém, o episódio é descrito como interlocução política específica. O recado levado incluía a leitura da direção partidária sobre a montagem de palanques estaduais e a necessidade de evitar movimentos dispersos enquanto Bolsonaro permanece fora do circuito presencial.
Essa mediação se soma à dinâmica interna da unidade. Bolsonaro mantém contato diário com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e com o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, também presos no batalhão. Caminhadas sob escolta se transformam em debates sobre decisões judiciais, cenário institucional e cálculo eleitoral.
Entre os temas recorrentes nas conversas estão o veto ao PL da Dosimetria e a busca por articulação política para tentar reverter a decisão. Também entram na pauta levantamentos eleitorais que medem o desempenho de nomes da direita em cenários contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à espera de novos dados nos próximos meses que possam orientar alianças e investimentos políticos.
A saúde também passou a integrar o enredo político. Informações sobre dieta, dificuldades para dormir e acompanhamento médico constante circulam entre aliados e reforçam o discurso de que o ex-presidente enfrenta intercorrências clínicas, como crises de soluço. Documentos oficiais registram atendimentos frequentes e deslocamento de equipes à unidade, o que alimenta, fora da custódia, argumentos favoráveis à concessão de prisão domiciliar.
A convivência com Torres e Silvinei tem servido, segundo relatos, como válvula de escape. Em uma das conversas, Bolsonaro teria desabafado com o ex-ministro que ambos não seriam “criminosos’, mas deveria haver “um propósito nisso”. Torres, então, teria respondido que “nada é por acaso”.
Foi nesse ambiente que ocorreu, na quarta-feira, a visita do senador Rogério Marinho (PL-RN), hoje principal operador político da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A reunião durou cerca de duas horas e percorreu o mapa político do país. Segundo aliados, Marinho levou um diagnóstico detalhado dos estados e saiu com orientações sobre prioridades, riscos e limites de negociação.
— Precisamos ter o aval da liderança mais importante, que é o presidente Bolsonaro. Temos alternativas de composição e cada decisão gera consequências. Ele nos deu sua visão sobre os cenários nos estados.
Marinho apresentou alternativas em diferentes colégios eleitorais e ouviu de Bolsonaro onde enxerga maior risco de fragmentação do campo conservador. São Paulo e Minas foram tratados como prioridades imediatas, tanto pela disputa ao Senado quanto pela necessidade de evitar pulverização de candidaturas de direita. Goiás e Paraná também entraram no radar.
— O momento agora é de montagem de palanques, para termos representação para o candidato a presidente. A (escolha da) vice será um segundo momento — afirmou Marinho, indicando que a engenharia estadual antecede qualquer definição nacional. Com informações do portal O Globo.
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Desde que foi transferido para a Papudinha, Jair Bolsonaro (PL) passou a ter acompanhamento médico constante, visitas frequentes de advogados e conversas diárias com antigos subordinados. O que ocorre dentro do 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, porém, ultrapassa a gestão da custódia. Aos poucos, a unidade se consolidou como ponto de validação política do bolsonarismo, onde cenários estaduais são apresentados, alianças são debatidas e decisões estratégicas recebem a chancela do ex-presidente.
O circuito é discreto, mas estruturado. Advogados e os filhos mantêm interlocução permanente com dirigentes partidários e recebem as ordens de Bolsonaro. A partir daí circulam avaliações sobre a montagem de palanques, alertas sobre movimentos autônomos de aliados e orientações para o pleito de outubro.
Ex-assessor da Presidência e formalmente nomeado na defesa do ex-presidente, João Henrique Nascimento de Freitas esteve na unidade ao menos oito vezes no período recente. O ex-ministro Adolfo Saschida também visitou Bolsonaro oito vezes. A frequência consolidou ambos como interlocutores fixos entre a Papudinha e a direção do PL.
Procurados para falar sobre o assunto, ambos não quiseram se manifestar.
Aval obrigatório
Segundo relatos de aliados ouvidos sob reserva, as conversas extrapolam temas como prazos processuais ou questões relacionadas à defesa. Os advogados apresentam o quadro dos estados, discutem pesquisas internas, relatam tensões regionais e retornam com o posicionamento do ex-presidente. Internamente, a avaliação é que nenhuma definição importante pode prescindir de seu aval.
Valdemar e Bessa também preferiram não se manifestar.
O advogado esteve na Papudinha no dia 20 de janeiro, às 14h33m, registrado como atendimento jurídico. Nos bastidores, porém, o episódio é descrito como interlocução política específica. O recado levado incluía a leitura da direção partidária sobre a montagem de palanques estaduais e a necessidade de evitar movimentos dispersos enquanto Bolsonaro permanece fora do circuito presencial.
Essa mediação se soma à dinâmica interna da unidade. Bolsonaro mantém contato diário com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e com o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, também presos no batalhão. Caminhadas sob escolta se transformam em debates sobre decisões judiciais, cenário institucional e cálculo eleitoral.
Entre os temas recorrentes nas conversas estão o veto ao PL da Dosimetria e a busca por articulação política para tentar reverter a decisão. Também entram na pauta levantamentos eleitorais que medem o desempenho de nomes da direita em cenários contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à espera de novos dados nos próximos meses que possam orientar alianças e investimentos políticos.
A saúde também passou a integrar o enredo político. Informações sobre dieta, dificuldades para dormir e acompanhamento médico constante circulam entre aliados e reforçam o discurso de que o ex-presidente enfrenta intercorrências clínicas, como crises de soluço. Documentos oficiais registram atendimentos frequentes e deslocamento de equipes à unidade, o que alimenta, fora da custódia, argumentos favoráveis à concessão de prisão domiciliar.
A convivência com Torres e Silvinei tem servido, segundo relatos, como válvula de escape. Em uma das conversas, Bolsonaro teria desabafado com o ex-ministro que ambos não seriam “criminosos’, mas deveria haver “um propósito nisso”. Torres, então, teria respondido que “nada é por acaso”.
Foi nesse ambiente que ocorreu, na quarta-feira, a visita do senador Rogério Marinho (PL-RN), hoje principal operador político da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A reunião durou cerca de duas horas e percorreu o mapa político do país. Segundo aliados, Marinho levou um diagnóstico detalhado dos estados e saiu com orientações sobre prioridades, riscos e limites de negociação.
— Precisamos ter o aval da liderança mais importante, que é o presidente Bolsonaro. Temos alternativas de composição e cada decisão gera consequências. Ele nos deu sua visão sobre os cenários nos estados.
Marinho apresentou alternativas em diferentes colégios eleitorais e ouviu de Bolsonaro onde enxerga maior risco de fragmentação do campo conservador. São Paulo e Minas foram tratados como prioridades imediatas, tanto pela disputa ao Senado quanto pela necessidade de evitar pulverização de candidaturas de direita. Goiás e Paraná também entraram no radar.
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