São Paulo terá o palanque mais forte possível para garantir a vitória de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Com quase metade do eleitorado nacional, o Sudeste tem representado um obstáculo ao presidente Lula na formação de palanques para outubro. Se em São Paulo e Minas Gerais ainda não há nitidez sobre quem serão os candidatos a governador, no Rio há temor de que Eduardo Paes (PSD) pouco se envolva na campanha nacional.
Para engrossar o caldo de incertezas, a pesquisa Genial/Quaest da semana passada mostrou que a aprovação ao governo caiu na região, o que reduz o poder de magnetismo do presidente. Nos últimos dias, Lula entrou em cena e teve conversas a sós com possíveis postulantes a governos estaduais.
São Paulo, Minas e Rio são os estados mais populosos do país — no Sudeste, o Espírito Santo é exceção no quesito robustez do eleitorado. Às vezes, reduzir danos e perder por pouco em uma unidade federativa de grande porte é mais relevante do que ganhar em locais de peso reduzido. Em 2022, por exemplo, a vantagem de Lula na capital paulista, apesar da derrota no estado, foi crucial para a vitória nacional contra Jair Bolsonaro (PL).
É por isso que, a despeito do favoritismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou de alguém apoiado pelo ex-presidente na eleição paulista, o PT defende que Lula tenha um candidato de apelo na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O principal nome é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vem sendo incentivado pelo próprio Lula. Eles almoçaram juntos por três horas na quarta-feira.
Cumpridor de missões
Depois de perder a reeleição como prefeito de São Paulo em 2016, Haddad aceitou missões do partido em circunstâncias complicadas — nas quais o PT tinha pouca esperança de vitória, mas precisava de alguém para impulsionar o “13”. Perdeu para Bolsonaro na presidencial de 2018 e para Tarcísio na estadual de 2022. O ministro não quer encarar de novo uma disputa de difícil êxito, mas tentam convencê-lo com base em promessas para o futuro que o coloquem como sucessor do presidente em 2030.
Nomes estrelados da Esplanada, mas de fora do PT, também são aventados. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, é um dos citados, mas seu partido refuta a ideia e quer a manutenção da chapa com Lula. Outras opções são Simone Tebet, do Planejamento, que migraria do MDB para o PSB e mudaria o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para o estado, e Márcio França (PSB), do Empreendedorismo.
“São Paulo terá o palanque mais forte possível para garantir a vitória de Lula. Para isso, contamos com nosso time de ministros”, aponta o presidente do PT-SP, deputado federal Kiko Celeguim, entusiasta da candidatura de Haddad.
O local com maior indefinição é Minas, tradicional “espelho” do pleito nacional, já que o placar por lá costuma ser muito parecido com o geral do país. Durante boa parte de 2025, o presidente defendia abertamente a candidatura do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), mas a ideia esfriou nos últimos meses.
Diante da ausência de quadros do PT, alguns setores começaram a buscar alternativas. Apesar de não terem até o momento o aval do diretório local, lideranças como a prefeita de Contagem e possível candidata ao Senado, Marília Campos, defendem uma reaproximação entre Lula e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, hoje no PDT. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também entrou em cena e foi à capital mineira conversar com Kalil.
“Para mim, temos um candidato. Kalil é um excelente nome. É de centro, já apoiou Lula (em 2022), tem voto e proximidade com nossas pautas. É uma aliança que foge da polarização — afirma Marília Campos, que pode ser instada a concorrer ao Palácio Tiradentes se as opções de outros partidos não avançarem.
Kalil não abre portas de forma explícita e rechaça a intenção de nacionalizar a campanha, mas se diz disposto a conversar com Lula.
“Eu só não converso nem me aproximo do PL de Bolsonaro e de quem está hoje no governo do estado. Quero construir uma frente de centro”, aponta. “Não conheço uma pessoa que, não sendo inimiga do presidente da República, vai negar uma conversa com ele se for convidada. Isso não significa que, na conversa, vou dizer sim para uma parceria. Pode sair um belo sim ou um belo não.”
Além de Pacheco e Kalil, outro nome cogitado nos últimos meses é o do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), que chegou a ter conversas com o PSB sobre a possibilidade de concorrer pelo partido. Ele se desgastou com a esquerda ao aprovar a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), mas teria como ativo a proximidade com deputados e prefeitos. (Com informações do portal O Globo)
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