Grupo avalia que governador de SP (foto) ficou frustrado com a escolha de Bolsonaro pelo filho. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP)
Políticos bolsonaristas estão insatisfeitos com a falta de um apoio mais enfático do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à pré-campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Tarcísio disse a jornalistas que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderá contar com ele, mas até agora só fala publicamente sobre o assunto quando perguntado, não declara seu apoio nas redes sociais e não participou de eventos da pré-campanha, como o almoço com empresários em dezembro em São Paulo.
Entre os bolsonaristas, já há quem o chame de “Tarcísio Garcia”, em referência ao ex-governador Rodrigo Garcia, que se manteve neutro entre Lula e Bolsonaro na campanha à reeleição em 2022 e que acabou amargando o terceiro lugar, ficando de fora do segundo turno.
Essa ala diz que, se Tarcísio não manifestar um apoio firme e escancarado a Flávio, pode ser visto como traidor e ser alvo da artilharia do grupo.
Já aliados de Tarcísio afirmam que a ansiedade dos apoiadores de Flávio é esperada, mas que ainda não é hora de fazer campanha e que o governador está focado na gestão estadual. Um deles diz que o momento, por enquanto, é de articular apoio com os demais partidos, e que essa responsabilidade é do senador, e não de Tarcísio.
Há também bolsonaristas que avaliam que as críticas são apressadas. “Há que se respeitar o tempo de cada pessoa. Nem tudo ocorre na janela temporal que terceiros desejam”, afirma Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Bolsonaro. “A relação do governador com o presidente é de total lealdade, respeito e amizade.”
Apoiadores de Flávio e líderes partidários acreditam que, se o filho do ex-presidente não desistir de concorrer, Tarcísio eventualmente entrará de cabeça na campanha, mesmo que por sobrevivência política. “Ele não vai querer nunca ser um (João) Doria, ficar com viés de traidor”, diz o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.
Para Nogueira, o governador ficou frustrado por não ter sido escolhido por Bolsonaro para a missão. O líder do PP afirmou, porém, que o próprio Tarcísio já disse a ele que apoiará Flávio.
Um integrante do PL especula que, caso Tarcísio não mergulhe na campanha, Bolsonaro poderia até mesmo apoiar outro candidato em São Paulo, rompendo com o governador e garantindo um palanque mais alinhado para o filho. Nogueira avalia que isso não acontecerá porque “seria ruim para os dois”.
O governador era o candidato preferido do mercado financeiro e do centrão, que buscava um nome para a Presidência que pudesse unir o eleitorado de direita. Publicamente, ao longo do ano passado, Tarcísio passou a fazer discursos de tom nacional e críticos ao governo federal, mas sempre disse que era candidato à reeleição.
Mesmo políticos que acreditam que a intenção do governador era continuar em São Paulo avaliam que Tarcísio ficou frustrado ao menos com a forma pela qual a pré-candidatura de Flávio foi anunciada, em dezembro. O senador confirmou nas redes sociais que havia sido escolhido pelo pai após a revelação da notícia pelo portal Metrópoles.
Não houve um evento construído antecipadamente em conjunto com o PL e aliados, como seria o esperado para a ocasião. Antes de declarar que seria o candidato de Bolsonaro, Flávio foi a São Paulo para contar a novidade a Tarcísio.
A decisão de manter a influência do clã Bolsonaro e escantear outros atores dessa decisão, inclusive o governador, que aguardava instruções para 2026, explicaria por que Tarcísio agora resiste a apoiar mais abertamente a campanha de Flávio, diz um integrante do PL.
O governador demorou três dias para se pronunciar após o anúncio da pré-candidatura. Quando o fez, questionado pela imprensa, disse que apoiaria o senador, afirmando que ele se juntava a “outros grandes nomes da oposição” que haviam se colocado à disposição. Durante a entrevista, Tarcísio tentou por diversas vezes fugir do assunto.
Entusiastas da campanha de Flávio afirmam que o apoio do governador é importante não apenas para garantir o palanque no estado com o maior colégio eleitoral do país, mas também em termos estratégicos. Considerando a intenção de vender o senador como uma versão “light” do pai, Tarcísio poderia ser apresentado como um exemplo de sucesso de um “bolsonarista moderado”, segundo esses interlocutores.
Na virada do ano, o governador se afastou por 17 dias para uma viagem de férias aos Estados Unidos. Na mesma época, Flávio foi ao país para visitar o irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL). Não houve encontro com Tarcísio. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Entre os bolsonaristas, já há quem o chame de “Tarcísio Garcia”, em referência ao ex-governador Rodrigo Garcia, que se manteve neutro entre Lula e Bolsonaro na campanha à reeleição em 2022 e que acabou amargando o terceiro lugar, ficando de fora do segundo turno.
Essa ala diz que, se Tarcísio não manifestar um apoio firme e escancarado a Flávio, pode ser visto como traidor e ser alvo da artilharia do grupo.
Já aliados de Tarcísio afirmam que a ansiedade dos apoiadores de Flávio é esperada, mas que ainda não é hora de fazer campanha e que o governador está focado na gestão estadual. Um deles diz que o momento, por enquanto, é de articular apoio com os demais partidos, e que essa responsabilidade é do senador, e não de Tarcísio.
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