Presidente anunciou veto ao projeto de lei da dosimetria na última quinta-feira (8). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O veto do presidente Lula ao projeto que altera a dosimetria das penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro abriu uma nova frente de embate político em Brasília e, na avaliação de analistas, acabou produzindo um efeito colateral relevante: o isolamento do governo em relação ao centro e à direita no Congresso.
Em entrevista ao Ponto de Vista, o cientista político Adriano Cerqueira afirmou que, no aspecto legislativo, o projeto já cumpriu um papel de pacificação entre os principais grupos parlamentares. “O PL da Dosimetria, de certo modo, já pacificou os grupos de centro, centro-direita e direita no Congresso”, avaliou.
A proposta surgiu como alternativa a uma anistia ampla – defendida por setores mais radicalizados e acabou reunindo apoio expressivo de diferentes partidos, sendo aprovada por larga maioria. Para Cerqueira, isso demonstra que o tema do 8 de Janeiro, ao menos no Legislativo, já estava encaminhado. “O Congresso, como um todo, votou esse projeto com apoio significativo. Esse campo político está pacificado”, disse.
Segundo o analista, o veto presidencial deixou claro quem permanece em posição divergente. “Quem não está pacificada é a esquerda, a extrema esquerda e o próprio Lula com o PT”, afirmou. Na leitura de Cerqueira, o governo decidiu manter o tema na agenda como instrumento político, especialmente em um ano eleitoral.
A estratégia passa por reforçar o discurso da defesa da democracia e da oposição ao golpismo, ainda que isso amplie o atrito com outros setores. “O governo quer colocar na agenda eleitoral a pauta dos inimigos da democracia. Isso interessa mais à sua base ideológica”, analisou.
Evento
Cerqueira também comentou o ato promovido pelo presidente em defesa da democracia, que teve adesão concentrada em partidos e movimentos de esquerda. Para ele, o evento revelou o isolamento político do Planalto. “Foi um ato esvaziado, com pouca adesão popular e sem a presença dos presidentes da Câmara e do Senado”, disse.
Na avaliação do cientista político, a iniciativa teve menos o objetivo de construir consensos amplos e mais a função de reaproximar Lula de sua base eleitoral mais fiel. “A esquerda estava um pouco desgarrada. Esse tema serve para mobilizar esse público”, afirmou.
Impacto eleitoral
O veto ao PL da Dosimetria, segundo Cerqueira, contribuiu para afastar ainda mais o governo de outros grupos políticos relevantes. “Esse movimento isolou a Presidência e o PT em relação a setores que agora discutem uma adesão mais clara a chapas de oposição”, avaliou.
No horizonte, ele vê a reorganização do campo oposicionista, com diferentes hipóteses ainda em jogo desde uma candidatura de centro-direita até nomes ligados ao bolsonarismo. “O cenário segue aberto, mas o que está claro é que o veto reforçou a divisão e empurrou o debate para um confronto mais direto com o Lula”, concluiu.
Para o cientista político, a tentativa de pacificação institucional acabou se transformando em mais um elemento da polarização que deve marcar o caminho até as próximas eleições presidenciais. (Com informações do portal da revista Veja)
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Segundo o analista, o veto presidencial deixou claro quem permanece em posição divergente. “Quem não está pacificada é a esquerda, a extrema esquerda e o próprio Lula com o PT”, afirmou. Na leitura de Cerqueira, o governo decidiu manter o tema na agenda como instrumento político, especialmente em um ano eleitoral.
A estratégia passa por reforçar o discurso da defesa da democracia e da oposição ao golpismo, ainda que isso amplie o atrito com outros setores. “O governo quer colocar na agenda eleitoral a pauta dos inimigos da democracia. Isso interessa mais à sua base ideológica”, analisou.
Evento
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Impacto eleitoral
O veto ao PL da Dosimetria, segundo Cerqueira, contribuiu para afastar ainda mais o governo de outros grupos políticos relevantes. “Esse movimento isolou a Presidência e o PT em relação a setores que agora discutem uma adesão mais clara a chapas de oposição”, avaliou.
No horizonte, ele vê a reorganização do campo oposicionista, com diferentes hipóteses ainda em jogo desde uma candidatura de centro-direita até nomes ligados ao bolsonarismo. “O cenário segue aberto, mas o que está claro é que o veto reforçou a divisão e empurrou o debate para um confronto mais direto com o Lula”, concluiu.
Para o cientista político, a tentativa de pacificação institucional acabou se transformando em mais um elemento da polarização que deve marcar o caminho até as próximas eleições presidenciais. (Com informações do portal da revista Veja)
https://www.osul.com.br/o-efeito-colateral-da-decisao-de-lula-que-afeta-a-pena-de-bolsonaro/
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