Ministro expôs ao presidente o seu desejo de sair do cargo em uma conversa no último dia 23. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Com a possível saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o ano com desafios na gestão de uma área considerada prioritária na disputa pela reeleição. A busca por substituto do ministro, que manifestou sua vontade de deixar o cargo na semana passada, se juntou a outra mudança debatida no Planalto e que ainda não encontra consenso no entorno do presidente: a divisão da pasta, com a criação de uma estrutura dedicada exclusivamente à segurança pública, promessa de campanha ainda não cumprida pelo petista.
Já a divisão do ministério é objeto de debate interno no Executivo e tem como objetivo focar no enfrentamento ao crime organizado, tema de forte apelo para a direita e motivo de desgaste para seguidos governos do PT. O partido defende a criação do Ministério da Segurança Pública, mas uma ala do Planalto avalia se é conveniente implementar a mudança a menos de um ano da eleição. Lula tem afirmado publicamente que criará a pasta se a PEC da Segurança Pública for aprovada pelo Congresso. Uma outra possibilidade é deixar a inovação para o eventual novo mandato, caso o petista seja reeleito.
Impasse
De acordo com aliados, Lewandowski acredita que Lula irá definir o novo titular nos primeiros dias de janeiro, assim que voltar do período de descanso na Restinga da Marambaia, no Rio, viabilizando a sua saída em breve. Integrantes do governo, porém, não levam fé em desfecho tão rápido, já que o petista costuma postergar decisões desse tipo.
Paralelamente, auxiliares do presidente, como o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, trabalham para convencer Lewandowski a rever a sua posição. Um outro integrante do governo afirma acreditar que Lula não quer a saída do ministro da Justiça. Diz ainda que a situação é semelhante à do ministro da Defesa, José Múcio, que no começo do ano revelou seu desejo de deixar o governo, mas depois voltou atrás.
Esse aliado afirma que Lewandowski está cansado, mas retornará melhor das férias. O ministro volta a Brasília no dia 8 para participar do ato de memória dos 3 anos da tentativa de golpe e invasão das sedes dos Poderes.
Caso o plano de convencê-lo a ficar não dê certo, são citados como opções para a pasta o atual ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Carvalho ganhou destaque ao atuar nas investigações que resultaram na operação da Polícia Federal contra fraudes no INSS. Ao falar na CPI sobre o caso, o chefe da CGU também se saiu bem, na avaliação do Planalto, ao fazer o embate político com adversários do governo, como o senador Sergio Moro (União-PR). Pessoas próximas a Vinicius de Carvalho garantem que ele não tem se movimentado nem foi sondado para mudar de pasta.
Já aliados de Pacheco afirmam que ele não está disposto, neste momento, a assumir o cargo, caso o convite venha a ser feito. Segundo esses aliados, o senador não trabalha com a hipótese de ingressar no Executivo e avalia que o cenário político e institucional não oferece incentivos claros para uma mudança desse porte.
A resistência ocorre em meio a uma disputa recente entre o Planalto e a cúpula do Senado, após Lula ter preterido Pacheco na indicação à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a escolha de Messias, cujo nome ainda não foi votado pela Casa. A leitura entre senadores foi a de que o presidente ignorou um compromisso político construído ao longo da legislatura, ampliando ruídos na relação com o Congresso em momento considerado sensível para a articulação.
Um integrante do Ministério da Justiça acredita que os pretendentes ao comando da pasta devem se manter discretos em seus movimentos. O presidente não gosta quando identifica articulações públicas ou de bastidores em busca de cargos de primeiro escalão nos seus governos.
No caso de Pacheco, um outro obstáculo apontado por aliados para a sua entrada no governo é a possível desidratação do Ministério da Justiça com a criação de uma pasta específica para a Segurança Pública. A divisão alteraria significativamente o peso político da Justiça, ao transferir para uma nova estrutura a agenda mais visível e com maior capacidade de articulação federativa – especialmente junto a governadores, forças policiais e ao próprio Congresso. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/substituto-do-ministro-da-justica-e-divisao-de-ministerio-ampliam-desafios-de-lula-na-seguranca-publica/ Substituto do ministro da Justiça e divisão de ministério ampliam os desafios de Lula na segurança pública 2026-01-01
Pelas contas da XP Investimentos, a proposta vai aumentar custos em R$ 2 bilhões para o governo federal no ano que vem, que é obrigado a arcar com novas obrigações para os entes subnacionais criadas pelo Congresso. (Foto: Reprodução) Com a piora da relação entre o governo Lula e lideranças do Congresso, uma série de …
Senador descartou disputar o governo de Minas Gerais e ressaltou “transparência” e “franqueza” no encontro com o presidente. (Foto: Pedro França/Agência Senado) O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou nessa quarta-feira (19) que a conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante jantar, na última segunda (17), foi “amistosa, franca e esclarecedora”, …
Tarcísio é cotado para se candidatar à Presidência da República em 2026 Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP Tarcísio é cotado para se candidatar à Presidência da República em 2026. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio …
Fux defendeu ainda a necessidade de previsibilidade e estabilidade nas decisões judiciais Foto: Carlos Moura/STF Fux defendeu ainda a necessidade de previsibilidade e estabilidade nas decisões judiciais. (Foto: Carlos Moura/STF) O ministro Luiz Fux criticou o que chamou de “fetiche” em levar ações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e avaliou que a alta das custas …
Substituto do ministro da Justiça e divisão de ministério ampliam os desafios de Lula na segurança pública
Ministro expôs ao presidente o seu desejo de sair do cargo em uma conversa no último dia 23. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Com a possível saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o ano com desafios na gestão de uma área considerada prioritária na disputa pela reeleição. A busca por substituto do ministro, que manifestou sua vontade de deixar o cargo na semana passada, se juntou a outra mudança debatida no Planalto e que ainda não encontra consenso no entorno do presidente: a divisão da pasta, com a criação de uma estrutura dedicada exclusivamente à segurança pública, promessa de campanha ainda não cumprida pelo petista.
Já a divisão do ministério é objeto de debate interno no Executivo e tem como objetivo focar no enfrentamento ao crime organizado, tema de forte apelo para a direita e motivo de desgaste para seguidos governos do PT. O partido defende a criação do Ministério da Segurança Pública, mas uma ala do Planalto avalia se é conveniente implementar a mudança a menos de um ano da eleição. Lula tem afirmado publicamente que criará a pasta se a PEC da Segurança Pública for aprovada pelo Congresso. Uma outra possibilidade é deixar a inovação para o eventual novo mandato, caso o petista seja reeleito.
Impasse
De acordo com aliados, Lewandowski acredita que Lula irá definir o novo titular nos primeiros dias de janeiro, assim que voltar do período de descanso na Restinga da Marambaia, no Rio, viabilizando a sua saída em breve. Integrantes do governo, porém, não levam fé em desfecho tão rápido, já que o petista costuma postergar decisões desse tipo.
Paralelamente, auxiliares do presidente, como o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, trabalham para convencer Lewandowski a rever a sua posição. Um outro integrante do governo afirma acreditar que Lula não quer a saída do ministro da Justiça. Diz ainda que a situação é semelhante à do ministro da Defesa, José Múcio, que no começo do ano revelou seu desejo de deixar o governo, mas depois voltou atrás.
Esse aliado afirma que Lewandowski está cansado, mas retornará melhor das férias. O ministro volta a Brasília no dia 8 para participar do ato de memória dos 3 anos da tentativa de golpe e invasão das sedes dos Poderes.
Caso o plano de convencê-lo a ficar não dê certo, são citados como opções para a pasta o atual ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Carvalho ganhou destaque ao atuar nas investigações que resultaram na operação da Polícia Federal contra fraudes no INSS. Ao falar na CPI sobre o caso, o chefe da CGU também se saiu bem, na avaliação do Planalto, ao fazer o embate político com adversários do governo, como o senador Sergio Moro (União-PR). Pessoas próximas a Vinicius de Carvalho garantem que ele não tem se movimentado nem foi sondado para mudar de pasta.
Já aliados de Pacheco afirmam que ele não está disposto, neste momento, a assumir o cargo, caso o convite venha a ser feito. Segundo esses aliados, o senador não trabalha com a hipótese de ingressar no Executivo e avalia que o cenário político e institucional não oferece incentivos claros para uma mudança desse porte.
A resistência ocorre em meio a uma disputa recente entre o Planalto e a cúpula do Senado, após Lula ter preterido Pacheco na indicação à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a escolha de Messias, cujo nome ainda não foi votado pela Casa. A leitura entre senadores foi a de que o presidente ignorou um compromisso político construído ao longo da legislatura, ampliando ruídos na relação com o Congresso em momento considerado sensível para a articulação.
Um integrante do Ministério da Justiça acredita que os pretendentes ao comando da pasta devem se manter discretos em seus movimentos. O presidente não gosta quando identifica articulações públicas ou de bastidores em busca de cargos de primeiro escalão nos seus governos.
No caso de Pacheco, um outro obstáculo apontado por aliados para a sua entrada no governo é a possível desidratação do Ministério da Justiça com a criação de uma pasta específica para a Segurança Pública. A divisão alteraria significativamente o peso político da Justiça, ao transferir para uma nova estrutura a agenda mais visível e com maior capacidade de articulação federativa – especialmente junto a governadores, forças policiais e ao próprio Congresso. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/substituto-do-ministro-da-justica-e-divisao-de-ministerio-ampliam-desafios-de-lula-na-seguranca-publica/
Substituto do ministro da Justiça e divisão de ministério ampliam os desafios de Lula na segurança pública
2026-01-01
Related Posts
Retaliação do Congresso pode custar mais de R$ 100 bilhões ao governo federal. Em conflito com Lula, Legislativo estuda votação de “pautas-bomba”
Pelas contas da XP Investimentos, a proposta vai aumentar custos em R$ 2 bilhões para o governo federal no ano que vem, que é obrigado a arcar com novas obrigações para os entes subnacionais criadas pelo Congresso. (Foto: Reprodução) Com a piora da relação entre o governo Lula e lideranças do Congresso, uma série de …
De saída da vida pública: ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco conta como foi conversa com Lula sobre vaga no Supremo
Senador descartou disputar o governo de Minas Gerais e ressaltou “transparência” e “franqueza” no encontro com o presidente. (Foto: Pedro França/Agência Senado) O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou nessa quarta-feira (19) que a conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante jantar, na última segunda (17), foi “amistosa, franca e esclarecedora”, …
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diz que Lula e Trump têm que “sentar e conversar mesmo”
Tarcísio é cotado para se candidatar à Presidência da República em 2026 Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP Tarcísio é cotado para se candidatar à Presidência da República em 2026. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio …
Ministro Luiz Fux critica “fetiche” em levar ações ao Supremo
Fux defendeu ainda a necessidade de previsibilidade e estabilidade nas decisões judiciais Foto: Carlos Moura/STF Fux defendeu ainda a necessidade de previsibilidade e estabilidade nas decisões judiciais. (Foto: Carlos Moura/STF) O ministro Luiz Fux criticou o que chamou de “fetiche” em levar ações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e avaliou que a alta das custas …