Versões apresentadas por dono do Master e executivo de banco serão contrapostas após falas individuais. (Foto: Reprodução)
A Polícia Federal vai interrogar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, no início da tarde desta terça-feira (30), depois de um recuo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli da decisão de promover uma acareação entre eles.
Após a coleta dos depoimentos, se a delegada responsável pelo caso Master entender ainda necessária, promoverá uma acareação entre os três. O representante do BC não é investigado.
Inicialmente, o ministro Dias Toffoli, relator das apurações no STF (Supremo Tribunal Federal), havia determinado a realização da acareação. Nessa segunda (29), o magistrado recuou e deixou para a PF avaliar a necessidade de colocá-los frente a frente.
A acareação serve para sanar inconsistências em depoimentos com declarações divergentes em um processo penal – entre acusados, vítimas e testemunhas, por exemplo. O confronto dos relatos ajuda o juiz a buscar a versão mais fidedigna antes de sua decisão.
Toffoli marcou a acareação antes de serem tomados depoimentos individuais pela polícia e apontadas contradições objetivas entre os personagens do caso.
O ministro tem argumentado que já existem informações divergentes nos autos do inquérito, e os depoimentos devem servir de reforço nesse sentido.
o Banco Central avaliou recorrer contra participação de seu diretor na acareação inicialmente ordenada por Toffoli. O recurso cogitado pela área jurídica do regulador foi um mandado de segurança que seria apresentado no domingo (28), durante o plantão da corte, o que direcionaria o pedido a seu presidente, o ministro Edson Fachin.
A instituição mudou a estratégia avaliada no domingo para buscar um depoimento técnico de Aquino, tomado sem a participação de Vorcaro e Costa, já que o diretor do BC não está na condição de investigado. A acareação era vista internamente no banco como um meio de enfraquecer o diretor.
Além do BC, a PGR (Procuradoria-Geral da República) também defendeu a suspensão por tempo indeterminado da acareação, sob o argumento de que seria prematuro realizar o procedimento em um momento no qual ainda não há contradições a serem esclarecidas.
Instituições financeiras também reagiram ao procedimento em uma nota conjunta na qual defendem o Banco Central e afirmam que “a presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente”.
O texto é assinado por Febraban (federação dos bancos), ABBC (associação de bancos), Acrefi (associação das instituições de crédito) e Zetta (associação de empresas do setor financeiro).
O processo que corre no STF é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master para o BRB apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o banco de Brasília — R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.
O escândalo do Master levou à liquidação do banco em 18 novembro e, no dia anterior, à prisão de Daniel Vorcaro, seu controlador, por 12 dias. Ele segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
A urgência na determinação de uma acareação com um representante do BC tem levantado outros temores com as investigações sob a responsabilidade de Toffoli.
Pouco antes do Natal, dois oficiais de Justiça estiveram no Master, em São Paulo, à procura do liquidante da instituição, Eduardo Félix Bianchini, o que alimentou a expectativa de que ele seja intimado para prestar esclarecimentos nos próximos dias.
Servidor aposentado do Banco Central e escolhido pelo regulador para cuidar da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, Bianchini passou o Natal com a família fora de São Paulo e não estava no escritório durante a visita dos oficiais. O gabinete de Toffoli negou, por meio da sua assessoria, que tenha partido dele o envio de oficiais de Justiça para intimar o liquidante do Master. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/dono-do-banco-master-e-ex-presidente-do-banco-de-brasilia-devem-depor-a-policia-federal-antes-de-acareacao-sobre-negociacoes/ Dono do Banco Master e ex-presidente do Banco de Brasília devem depor à Polícia Federal antes de acareação sobre negociações 2025-12-29
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O ministro tem argumentado que já existem informações divergentes nos autos do inquérito, e os depoimentos devem servir de reforço nesse sentido.
o Banco Central avaliou recorrer contra participação de seu diretor na acareação inicialmente ordenada por Toffoli. O recurso cogitado pela área jurídica do regulador foi um mandado de segurança que seria apresentado no domingo (28), durante o plantão da corte, o que direcionaria o pedido a seu presidente, o ministro Edson Fachin.
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A investigação sobre a tentativa de venda do Master para o BRB apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o banco de Brasília — R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.
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2025-12-29
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