“Torço e trabalharei para que, em 2026, a gente possa criar as condições para uma alternativa ao que está aí”, declarou Leite. (Foto: Vitor Rosa/Secom)
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), está diante de uma encruzilhada. Deseja concorrer à Presidência da República, mas depende de um aval ainda incerto do presidente de seu partido, Gilberto Kassab.
Se essa aposta não vingar, pode disputar uma das duas vagas de senador pelo Rio Grande do Sul, que já são alvo de um duelo acirrado entre candidatos apoiados por Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Primeiro governador reeleito do Rio Grande do Sul em quase cem anos, Leite é também o primeiro a mudar de partido durante o mandato. Em maio, ele deixou o PSDB, no qual havia ingressado aos 16 anos, e filiou-se ao PSD.
Garantindo não se sentir representado por Bolsonaro e Lula, ele declarou voto no primeiro em 2018 e vê com naturalidade a presença de três ministros de seu partido no governo do segundo.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
* Governador, o senhor vai ser candidato a que em 2026?
Bom, antes de mais nada, todo o meu foco está voltado ao governo (do RS). Estou caminhando para o último ano de um ciclo de governo, de oito anos, que transformou profundamente a realidade do nosso Estado. Então, estou focado em garantir todas essas entregas, e entendo que, nos primeiros meses de 2026, com o quadro pré-eleitoral tomando melhor forma, a gente vai ter um entendimento de onde melhor eu possa contribuir.
Não me sinto representado nem por Lula, nem por Bolsonaro. São dois campos que estão muito mais focados em destruir o outro do que em construir algo diferente para o País. É a minha leitura.
Quero ajudar o país a ter um caminho alternativo. Dentro do PSD, eu me coloco à disposição para isso. Mas isso não depende apenas da minha vontade, depende da circunstância político-eleitoral nacional, depende do meu partido.
* Kassab diz que o partido tem dois possíveis candidatos à Presidência: o senhor e o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Como vai se resolver essa situação no PSD?
Tenho confiança de que por uma boa conversa, uma boa análise das circunstâncias, da disposição de cada um. O governador Ratinho faz um governo também de grandes transformações no Paraná, é um bom governador, um bom quadro político.
Tenho convicção de que, nos primeiros meses do ano que vem, vamos ter conversas que vão encaminhar o posicionamento que o PSD deverá ter no processo eleitoral.
* Em 2018, no segundo turno, o senhor apoiou Jair Bolsonaro. Em 2022, também no segundo turno, o senhor se declarou neutro. Seu partido tem três ministros no governo Lula. Qual desses elementos e desses perfis vai ser determinante na sua posição em 2026?
Para colocar as coisas em seu devido lugar, acho que é importante esclarecer: em 2018, eu não apoiei Bolsonaro, eu declarei voto. Acho que tem bastante diferença entre as duas coisas. Meu adversário aqui no Rio Grande do Sul (o ex-governador José Ivo Sartori, do MDB), ele, sim, apoiou, fez campanha conjunta, cunhou um nome. Aqui havia o “Sartonaro”, que era a junção do meu adversário com Bolsonaro.
Não fiz isso. Não fiz material de campanha pesada, não pedi votos para Bolsonaro, simplesmente declarei meu voto naquele contexto.
Torço e trabalharei para que, em 2026, a gente possa criar as condições para uma alternativa ao que está aí. Como o PSD não teve candidato a presidente em 2022, determinadas lideranças do partido apoiaram Bolsonaro, outros apoiaram Lula. Como não teve candidato e houve esses apoios ao Lula, é natural e legítimo que possam alguns deles integrar o governo. Mas o presidente Kassab tem deixado muito claro que, em 2026, não estaremos nem com Lula nem com Bolsonaro. Buscaremos um caminho diferente.
O PSD, pelo tamanho que adquiriu no País, com o número de prefeituras, com a bancada específica que tem no Congresso, com os governadores que tem, acho que tem um papel bastante relevante na construção de um caminho alternativo para o Brasil. (Com informações da BBC Brasil)
https://www.osul.com.br/eduardo-leite-diz-que-o-presidente-do-seu-partido-tem-deixado-muito-claro-que-nao-estaremos-nem-com-lula-nem-com-bolsonaro-nas-eleicoes/ Eduardo Leite diz que o presidente do seu partido tem deixado muito claro que “não estaremos nem com Lula nem com Bolsonaro” nas eleições 2025-12-23
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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), está diante de uma encruzilhada. Deseja concorrer à Presidência da República, mas depende de um aval ainda incerto do presidente de seu partido, Gilberto Kassab.
Se essa aposta não vingar, pode disputar uma das duas vagas de senador pelo Rio Grande do Sul, que já são alvo de um duelo acirrado entre candidatos apoiados por Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Primeiro governador reeleito do Rio Grande do Sul em quase cem anos, Leite é também o primeiro a mudar de partido durante o mandato. Em maio, ele deixou o PSDB, no qual havia ingressado aos 16 anos, e filiou-se ao PSD.
Garantindo não se sentir representado por Bolsonaro e Lula, ele declarou voto no primeiro em 2018 e vê com naturalidade a presença de três ministros de seu partido no governo do segundo.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
* Governador, o senhor vai ser candidato a que em 2026?
Bom, antes de mais nada, todo o meu foco está voltado ao governo (do RS). Estou caminhando para o último ano de um ciclo de governo, de oito anos, que transformou profundamente a realidade do nosso Estado. Então, estou focado em garantir todas essas entregas, e entendo que, nos primeiros meses de 2026, com o quadro pré-eleitoral tomando melhor forma, a gente vai ter um entendimento de onde melhor eu possa contribuir.
Não me sinto representado nem por Lula, nem por Bolsonaro. São dois campos que estão muito mais focados em destruir o outro do que em construir algo diferente para o País. É a minha leitura.
Quero ajudar o país a ter um caminho alternativo. Dentro do PSD, eu me coloco à disposição para isso. Mas isso não depende apenas da minha vontade, depende da circunstância político-eleitoral nacional, depende do meu partido.
* Kassab diz que o partido tem dois possíveis candidatos à Presidência: o senhor e o governador do Paraná, Ratinho Júnior. Como vai se resolver essa situação no PSD?
Tenho confiança de que por uma boa conversa, uma boa análise das circunstâncias, da disposição de cada um. O governador Ratinho faz um governo também de grandes transformações no Paraná, é um bom governador, um bom quadro político.
Tenho convicção de que, nos primeiros meses do ano que vem, vamos ter conversas que vão encaminhar o posicionamento que o PSD deverá ter no processo eleitoral.
* Em 2018, no segundo turno, o senhor apoiou Jair Bolsonaro. Em 2022, também no segundo turno, o senhor se declarou neutro. Seu partido tem três ministros no governo Lula. Qual desses elementos e desses perfis vai ser determinante na sua posição em 2026?
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Não fiz isso. Não fiz material de campanha pesada, não pedi votos para Bolsonaro, simplesmente declarei meu voto naquele contexto.
Torço e trabalharei para que, em 2026, a gente possa criar as condições para uma alternativa ao que está aí. Como o PSD não teve candidato a presidente em 2022, determinadas lideranças do partido apoiaram Bolsonaro, outros apoiaram Lula. Como não teve candidato e houve esses apoios ao Lula, é natural e legítimo que possam alguns deles integrar o governo. Mas o presidente Kassab tem deixado muito claro que, em 2026, não estaremos nem com Lula nem com Bolsonaro. Buscaremos um caminho diferente.
O PSD, pelo tamanho que adquiriu no País, com o número de prefeituras, com a bancada específica que tem no Congresso, com os governadores que tem, acho que tem um papel bastante relevante na construção de um caminho alternativo para o Brasil. (Com informações da BBC Brasil)
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