A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal
Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de vários indícios de crimes com envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal. Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa.
Não é difícil resgatar registros dos defensores mais vocais do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, muitos deles correm para apagar seus rastros.
Em situações assim, a transparência costuma ser a melhor arma contra a impunidade. Por isso causou surpresa a medida tomada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando a exigência de sigilo sobre o processo envolvendo o Master. Toffoli decidiu vetar à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS acesso às informações financeiras e mensagens trocadas por Vorcaro.
É possível que Toffoli tenha querido evitar vazamentos que prejudiquem a investigação. Como não fundamentou de forma satisfatória sua decisão, é impossível saber ao certo. Seria mais saudável, de todo modo, que o processo corresse à vista de todos. Ainda mais diante das notícias que vieram a público nos últimos dias.
O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou que Toffoli viajou para Lima para assistir à final da Libertadores num jato particular, na companhia de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos envolvidos no caso Master.
No mesmo dia da viagem ao Peru, o processo do Master lhe foi distribuído por sorteio. Ele assevera que não tratou do caso na viagem. Menos de uma semana depois, contudo, atendeu à demanda da defesa, concentrando as decisões sobre a investigação e aumentando o grau de sigilo.
A situação despertou novos questionamentos depois que a colunista Malu Gaspar, também do O Globo, revelou o valor do contrato do Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes: cerca de R$ 3,6 milhões por mês, ou um total em torno de R$ 130 milhões durante três anos.
Pelo contrato, tal valor remunera não a defesa de uma causa específica, mas a atuação genérica em favor do Master na Justiça, no Banco Central, na Receita Federal, no Cade, até no Congresso.
As acusações contra Vorcaro e Master não deveriam despertar suspeitas contra figuras de relevo na fronteira entre a política, os negócios e o meio jurídico. E manter o sigilo só faz alimentá-las. O melhor que Toffoli tem a fazer é conduzir o processo da forma mais transparente possível. (Opinião/jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/a-curta-trajetoria-do-banco-master-terminada-com-liquidacao-extrajudicial-deixou-um-prejuizo-de-no-minimo-r-10-bilhoes-alem-de-envolvimento-de-caciques-do-congresso-e-do-governo-do-distrito-federa/ A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal 2025-12-15
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Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de vários indícios de crimes com envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal. Na tentativa fracassada de salvar o banco, ficou claro que a lista de suspeitos é longa.
Não é difícil resgatar registros dos defensores mais vocais do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, muitos deles correm para apagar seus rastros.
Em situações assim, a transparência costuma ser a melhor arma contra a impunidade. Por isso causou surpresa a medida tomada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando a exigência de sigilo sobre o processo envolvendo o Master. Toffoli decidiu vetar à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS acesso às informações financeiras e mensagens trocadas por Vorcaro.
É possível que Toffoli tenha querido evitar vazamentos que prejudiquem a investigação. Como não fundamentou de forma satisfatória sua decisão, é impossível saber ao certo. Seria mais saudável, de todo modo, que o processo corresse à vista de todos. Ainda mais diante das notícias que vieram a público nos últimos dias.
O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou que Toffoli viajou para Lima para assistir à final da Libertadores num jato particular, na companhia de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos envolvidos no caso Master.
No mesmo dia da viagem ao Peru, o processo do Master lhe foi distribuído por sorteio. Ele assevera que não tratou do caso na viagem. Menos de uma semana depois, contudo, atendeu à demanda da defesa, concentrando as decisões sobre a investigação e aumentando o grau de sigilo.
A situação despertou novos questionamentos depois que a colunista Malu Gaspar, também do O Globo, revelou o valor do contrato do Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes: cerca de R$ 3,6 milhões por mês, ou um total em torno de R$ 130 milhões durante três anos.
Pelo contrato, tal valor remunera não a defesa de uma causa específica, mas a atuação genérica em favor do Master na Justiça, no Banco Central, na Receita Federal, no Cade, até no Congresso.
As acusações contra Vorcaro e Master não deveriam despertar suspeitas contra figuras de relevo na fronteira entre a política, os negócios e o meio jurídico. E manter o sigilo só faz alimentá-las. O melhor que Toffoli tem a fazer é conduzir o processo da forma mais transparente possível. (Opinião/jornal O Globo)
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A curta trajetória do Banco Master, terminada com liquidação extrajudicial, deixou um prejuízo de no mínimo R$ 10 bilhões, além de envolvimento de caciques do Congresso e do governo do Distrito Federal
2025-12-15
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