Projeto ganhou impulso e apoio do governo Lula após a Operação Carbono Oculto.
Foto: PF/Divulgação
Projeto ganhou impulso e apoio do governo Lula após a Operação Carbono Oculto. (Foto: PF/Divulgação)
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9), por 436 votos a 2, o projeto que define punições para devedores contumazes e novas regras para a atuação no setor de combustíveis, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro.
O texto, que vai à sanção presidencial, cria regras gerais para a identificação e o controle de devedores contumazes: contribuintes que não pagam seus débitos – ou seja, sonegam impostos – de forma intencional e reiterada.
O relator na Câmara, deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), rejeitou todas as emendas apresentadas, mantendo o texto aprovado por unanimidade no Senado em setembro.
“Apesar do inegável mérito das sugestões apresentadas, a nossa opção é pela manutenção do texto recebido do Senado Federal, o qual equaciona com precisão os interesses do Estado, da sociedade e da iniciativa privada em torno da matéria”, disse o relator.
Durante a discussão, todos os deputados se manifestaram a favor da proposta, inclusive os de oposição. A deputada Bia Kicis (PL-DF), por exemplo, disse que o texto não vai afetar os pequenos empreendedores e empresários sérios. “Realmente, estamos combatendo sonegadores, criminosos, verdadeiras organizações criminosas. Esse projeto protege, até. Ele traz mecanismos de defesa para aquela pessoa que não consegue pagar”, argumentou.
“Essa matéria é fruto desse conjunto de articulações que nós fizemos, é fundamental para o País, porque combate a sonegação, privilegia aqueles que pagam e contribuem”, elogiou o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), ressaltando que a medida tem grande impacto nas contas públicas.
A tramitação
O projeto tramita há oito anos no Congresso e só voltou aos holofotes após o estouro, no final de agosto, da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal – que investiga um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em fintechs ligadas a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após a operação, o governo Lula entrou em campo em defesa da proposta, sobretudo a equipe econômica – uma vez que, a exemplo do que está sendo investigado na operação, a Receita Federal vem argumentando que a prática de abrir sucessivos CNPJs para escapar do Fisco vem sendo usada pelo crime organizado para lavar dinheiro.
Pelo projeto, as empresas enquadradas como devedoras contumazes terão os CNPJs baixados. Elas serão proibidas de participar de licitações ou manter vínculos com a administração pública, não poderão entrar em recuperação judicial e, caso seja aberto processo penal contra os sócios em razão da dívida tributária, eles não poderão pedir o perdão pagando o valor atrasado.
De lá para cá, porém, o projeto ficou travado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só designou um relator para a proposta no final de novembro, o deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP).
Motta foi pressionado após a deflagração da Operação Poço de Lobato – que investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo o Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
https://www.osul.com.br/devedor-contumaz-camara-aprova-projeto-que-endurece-regras-para-punir-sonegadores/ Devedor contumaz: Câmara aprova projeto que endurece regras para punir sonegadores 2025-12-10
Foto: Gustavo Moreno/STF Dino afirma que a decisão da CPMI foi ilegal porque a quebra de sigilo foi autorizada em uma votação “em globo”. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O ministro Flávio Dino suspendeu a quebra do sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e …
“Eu quero uma pessoa que seja antes de tudo uma pessoa gabaritada para ser ministro da Suprema Corte”, disse.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) Em viagem à Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre o perfil da pessoa que ele vai indicar para ocupar a vaga que será aberta com a saída do ministro …
O posicionamento de Moraes foi expresso em processos de execução penal de ao menos dez casos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. (Foto: Luiz Silveira/STF) O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional e que pode reduzir as penas …
Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou famoso como “Careca do INSS”. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim nesse sábado (28), após completar 180 dias de trabalhos marcados por polêmicas, disputas político-eleitorais, queda de braço com …
Devedor contumaz: Câmara aprova projeto que endurece regras para punir sonegadores
Projeto ganhou impulso e apoio do governo Lula após a Operação Carbono Oculto.
Foto: PF/Divulgação
Projeto ganhou impulso e apoio do governo Lula após a Operação Carbono Oculto. (Foto: PF/Divulgação)
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9), por 436 votos a 2, o projeto que define punições para devedores contumazes e novas regras para a atuação no setor de combustíveis, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro.
O texto, que vai à sanção presidencial, cria regras gerais para a identificação e o controle de devedores contumazes: contribuintes que não pagam seus débitos – ou seja, sonegam impostos – de forma intencional e reiterada.
O relator na Câmara, deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), rejeitou todas as emendas apresentadas, mantendo o texto aprovado por unanimidade no Senado em setembro.
“Apesar do inegável mérito das sugestões apresentadas, a nossa opção é pela manutenção do texto recebido do Senado Federal, o qual equaciona com precisão os interesses do Estado, da sociedade e da iniciativa privada em torno da matéria”, disse o relator.
Durante a discussão, todos os deputados se manifestaram a favor da proposta, inclusive os de oposição. A deputada Bia Kicis (PL-DF), por exemplo, disse que o texto não vai afetar os pequenos empreendedores e empresários sérios. “Realmente, estamos combatendo sonegadores, criminosos, verdadeiras organizações criminosas. Esse projeto protege, até. Ele traz mecanismos de defesa para aquela pessoa que não consegue pagar”, argumentou.
“Essa matéria é fruto desse conjunto de articulações que nós fizemos, é fundamental para o País, porque combate a sonegação, privilegia aqueles que pagam e contribuem”, elogiou o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), ressaltando que a medida tem grande impacto nas contas públicas.
A tramitação
O projeto tramita há oito anos no Congresso e só voltou aos holofotes após o estouro, no final de agosto, da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal – que investiga um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em fintechs ligadas a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após a operação, o governo Lula entrou em campo em defesa da proposta, sobretudo a equipe econômica – uma vez que, a exemplo do que está sendo investigado na operação, a Receita Federal vem argumentando que a prática de abrir sucessivos CNPJs para escapar do Fisco vem sendo usada pelo crime organizado para lavar dinheiro.
Pelo projeto, as empresas enquadradas como devedoras contumazes terão os CNPJs baixados. Elas serão proibidas de participar de licitações ou manter vínculos com a administração pública, não poderão entrar em recuperação judicial e, caso seja aberto processo penal contra os sócios em razão da dívida tributária, eles não poderão pedir o perdão pagando o valor atrasado.
De lá para cá, porém, o projeto ficou travado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só designou um relator para a proposta no final de novembro, o deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP).
Motta foi pressionado após a deflagração da Operação Poço de Lobato – que investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo o Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
https://www.osul.com.br/devedor-contumaz-camara-aprova-projeto-que-endurece-regras-para-punir-sonegadores/
Devedor contumaz: Câmara aprova projeto que endurece regras para punir sonegadores
2025-12-10
Related Posts
Ministro Flávio Dino vê “ilegalidade” e suspende quebra do sigilo bancário de Lulinha e sua amiga pela CPMI do INSS
Foto: Gustavo Moreno/STF Dino afirma que a decisão da CPMI foi ilegal porque a quebra de sigilo foi autorizada em uma votação “em globo”. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O ministro Flávio Dino suspendeu a quebra do sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e …
“Eu não quero amigo e não sei se será mulher, homem, branco ou preto”, diz Lula sobre a vaga de ministro no Supremo
“Eu quero uma pessoa que seja antes de tudo uma pessoa gabaritada para ser ministro da Suprema Corte”, disse.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) Em viagem à Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre o perfil da pessoa que ele vai indicar para ocupar a vaga que será aberta com a saída do ministro …
O ministro Alexandre de Moraes, suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional e que pode reduzir as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados
O posicionamento de Moraes foi expresso em processos de execução penal de ao menos dez casos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. (Foto: Luiz Silveira/STF) O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional e que pode reduzir as penas …
Polêmicas, disputas eleitorais e agressões físicas que marcaram os 180 dias de funcionamento da CPMI do INSS
Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou famoso como “Careca do INSS”. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim nesse sábado (28), após completar 180 dias de trabalhos marcados por polêmicas, disputas político-eleitorais, queda de braço com …