Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira. (Foto: Divulgação/PP)
A megaoperação que apura um suposto esquema bilionário de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro no setor de combustível aumentou a lista de pessoas ligadas a caciques do Centrão que se tornaram alvo de investigações recentes de órgãos federais. Um dos alvos de mandados de busca e apreensão foi o engenheiro Jonathas Assunção, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, partido que anunciou o rompimento com o governo Lula. Além dele, outros quatro aliados de nomes como Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e do deputado Elmar Nascimento (União-BA), entraram na mira de investigações recentes.
Assunção foi número 2 da Casa Civil no período em que Nogueira ocupou a pasta, no governo Bolsonaro. Atualmente, ele é executivo da Refit, uma das principais refinarias alvo da Operação Poço Lobato, que investiga um esquema de fraude fiscal estimado em R$ 26 bilhões. Procurados, Ciro e Assunção não se manifestaram. O senador não é investigado na operação.
Em nota, a Refit afirmou que “os débitos tributários” estão sendo questionados pela companhia judicialmente, “exatamente como fazem inúmeras empresas brasileiras que divergem de uma cobrança”. “Trata-se, portanto, de uma disputa jurídica legítima”, argumenta, e não de “tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos”.
A empresa, dona da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio, é chefiada por Ricardo Magro, que também é próximo de nomes do Centrão, como Nogueira e Rueda. Como mostrou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, o empresário chegou a ser DJ em um evento do presidente do União Brasil.
Outros aliados
A operação que mirou a Refit se soma a outras frentes que envolvem aliados de Nogueira e Rueda. No início de novembro, Victor Linhares, também ex-assessor do senador, teve o endereço vasculhado na Operação Carbono Oculto 86, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis no Piauí. Linhares não é investigado, mas a Polícia Civil quer ouvi-lo sobre sua proximidade com suspeitos de liderar o esquema.
Em nota, Linhares ressaltou que a situação envolve um depósito recebido em sua conta referente a uma “transação comercial legítima realizada antes da venda da empresa para o grupo que hoje é alvo da investigação”. “Trata-se, portanto, de um fato alheio a qualquer atividade ilícita e sem vínculo temporal ou material com os acontecimentos que motivaram a operação”, pontuou.
Além dos ex-assessores, outro aliado de Ciro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi atingido pelas ações da Polícia Federal (PF). O empresário foi preso na semana passada, durante a Operação Compliance Zero, que apura supostos crimes contra o sistema financeiro. Ele foi detido no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando embarcava para Dubai. A PF antecipou a prisão por suspeita de que ele estaria fugindo do país. Na última sexta-feira, a Justiça Federal mandou soltá-lo.
Após a operação, a defesa do banqueiro negou a fraude da qual ele é acusado. “Essas carteiras (de crédito alvo de suspeitas de irregularidades) foram previamente adquiridas pelo Banco Master junto a terceiros que atuavam na originação de créditos, prática comum de mercado. Isso significa que o Banco Master não captou diretamente os empréstimos consignados que compunham essas carteiras”, pontuou em nota.
A defesa ressaltou, ainda, que as medidas cautelares foram injustas, desnecessárias e “acabaram forçando o BC (Banco Central) a decretar liquidação extrajudicial no Banco Master”.
As investigações que atingem aliados de caciques do Centrão ocorrem no momento que o grupo capitaneado por Nogueira e Rueda se afastou do governo Lula. À frente da federação PP-União, as siglas determinaram a saída de seus filiados de cargos na gestão petista. Os ministros do Esporte, André Fufuca (PP), e do Turismo, Celso Sabino (União), recusaram-se a cumprir a ordem e devem sofrer retaliações das siglas.
O próprio Rueda passou a ser citado em apurações da PF após um piloto afirmar, em depoimento, que aeronaves usadas por integrantes do PCC infiltrados no setor de combustíveis pertenceriam a uma empresa da qual ele seria sócio oculto. O dirigente não é investigado e tem negado ser dono das aeronaves.
— As acusações eram tão frágeis e infundadas que sequer são objeto de investigação formal — disse Rueda.
Outro foco de desgaste recai sobre Elmar Nascimento, um dos principais líderes do Centrão. O prefeito de Campo Formoso (BA), Elmo Nascimento, seu irmão, e um primo, o vereador Francisquinho Nascimento (União), foram alvos da PF na Operação Overclean, que apura fraudes em licitações, desvio de recursos de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. O deputado não é investigado. Procurado, ele não comentou. Com informações do portal O Globo.
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Outros aliados
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A defesa ressaltou, ainda, que as medidas cautelares foram injustas, desnecessárias e “acabaram forçando o BC (Banco Central) a decretar liquidação extrajudicial no Banco Master”.
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O próprio Rueda passou a ser citado em apurações da PF após um piloto afirmar, em depoimento, que aeronaves usadas por integrantes do PCC infiltrados no setor de combustíveis pertenceriam a uma empresa da qual ele seria sócio oculto. O dirigente não é investigado e tem negado ser dono das aeronaves.
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