O documento de 35 páginas do MJSP faz uma série de equiparações entre o texto de Derrite e o projeto original. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
O senador havia solicitado aos envolvidos na discussão documentos que pudessem embasar o seu relatório sobre o projeto. Vieira, considerado um parlamentar equidistante do governo e da oposição bolsonarista, deve terminar o parecer até a próxima semana.
O documento de 35 páginas do MJSP faz uma série de equiparações entre o texto de Derrite e o projeto original, elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério, e aponta alguns aspectos que considera problemáticos na versão que Vieira recebeu da Câmara.
O MJSP critica, sobretudo, o que vem chamando de “caos jurídico” que pode ser criado a partir de uma eventual aprovação do projeto de Derrite. Isso porque o texto aprovado cria um arcabouço do zero, o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, com uma nova tipificação; enquanto o projeto do governo apostava em atualizar legislações já existentes, como a Lei das Organizações Criminosas e o Código Penal.
“Criar um outro diploma para tratar paralelamente de ‘organizações criminosas ultraviolentas’, ao invés de fortalecer o combate ao crime organizado, poderá criar um conflito de normas e interpretações. O novo marco legal apresenta definição confusa do que seria essa ‘organização criminosa ultraviolenta’. No mesmo dispositivo, ainda apresenta o conceito de facção criminosa, sem correlação com a definição prevista no art. 2º da legislação atual”, diz o documento.
O governo também argumenta que o projeto atual pode, na sua visão, criminalizar movimentos sociais e manifestantes. O trecho em questão diz que “restringir, limitar, obstaculizar ou dificultar a livre circulação de pessoas, bens e serviços, públicos ou privados” passa a constituir crime.
“Malgrado as boas intenções, pode permitir a criminalização de ações políticas e sociais não-delitivas em sua origem, como movimentos meramente reivindicatórios de direitos”, diz o MJSP.
Em seguida, sugere a inclusão de um inciso para proteger civis inocentes: “O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria”.
A questão da redivisão de recursos apreendidos do crime – o calcanhar de Aquiles do texto de Derrite, que levaria a uma descapitalização da verba da Polícia Federal – também recebeu sugestões do governo federal.
Enquanto Derrite sugere o rateio em partes iguais entre o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos Estados ou do Distrito Federal dos valores apreendidos em caso de atuação conjunta entre a PF e as forças de segurança pública estaduais ou distritais, o MJSP alega que a medida viola as vinculações legais e constitucionais já estabelecidas.
O governo diz que, atualmente, os bens e valores do tráfico de drogas devem ser destinados ao Fundo Nacional Antidrogas; bens e valores de crimes cometidos por milícias devem ser direcionados ao FNSP; bens e valores obtidos nos crimes de lavagem de dinheiro vão para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal; e os bens e valores decorrentes das multas, recursos confiscados e alienados em favor da União dos crimes em geral vão para o Fundo Penitenciário Nacional.
O governo afirma que, em 2025, as receitas vindas de bens apreendidos somaram aproximadamente R$ 367,48 milhões, e que a retirada ou redistribuição desses valores reduziria a capacidade operacional e financeira dos órgãos e fundos, “afetando diretamente a execução de políticas públicas”.
O secretário de Assuntos Legislativos do MJSP, Marivaldo Pereira, afirmou ao Estadão que o governo “não vai admitir” a retirada de competência ou de recursos da PF e que vai “lutar até o fim” para derrubar o que chamou de obstáculos criados por Derrite a medidas para descapitalização das organizações criminosas e o bloqueio de patrimônio de criminosos.
Pereira mudou o discurso da semana passada logo após a aprovação no plenário da Câmara, quando ele declarou que a aposta do Palácio do Planalto era salvar o projeto original no Senado:
“Nunca há da parte do Executivo apego à aprovação do texto original. Estamos agora tentando salvar o sistema existente e evitar caos jurídico que a proposta, tal como está, vai criar no sistema de persecução penal, de combate a organizações criminosas. É possível ter outra proposta, mas precisa respeitar o sistema existente. Não fazemos questão de que seja o texto do governo”, afirmou. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/ministerio-da-justica-faz-quase-60-sugestoes-ao-senado-para-corrigir-o-projeto-de-lei-antifaccao/ Ministério da Justiça faz quase 60 sugestões ao Senado para corrigir o Projeto de Lei Antifacção 2025-11-28
Se condenarem o grupo, ministros vão fixar tempo de prisão e reparação de danos. (Foto: Reprodução/TV Globo) A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, a partir da terça-feira (9), seis réus do chamado “núcleo 2” da trama golpista. A Primeira Turma vai decidir se condena ou absolve os réus. Se forem absolvidos, …
Desde 1985, seis ministros anteciparam aposentadoria da Corte em mais de seis anos. (Foto: Luiz Silveira/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso anunciou nessa quinta-feira (9), que antecipará sua aposentadoria da Corte. O magistrado poderia permanecer no cargo até março de 2033, quando completará 75 anos, idade limite para a aposentadoria …
A expectativa é que a proposta seja votada até o fim do ano, antes de 2026, quando o plenário fica esvaziado pelas eleições. (Foto: Antonio Augusto/TSE) O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula uma proposta de reforma política para instituir o voto distrital misto nas eleições a partir de 2030. A iniciativa …
Segundo o governo brasileiro, a edição deste ano da cúpula discutirá mudanças climáticas, transição energética, minerais críticos e trabalho decente, entre outros assuntos. Os minerais críticos são recursos de importância estratégica para a economia. Eles são essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e eletrônicos. Além de participar da cúpula, Lula deve ter …
Ministério da Justiça faz quase 60 sugestões ao Senado para corrigir o Projeto de Lei Antifacção
O documento de 35 páginas do MJSP faz uma série de equiparações entre o texto de Derrite e o projeto original. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
O senador havia solicitado aos envolvidos na discussão documentos que pudessem embasar o seu relatório sobre o projeto. Vieira, considerado um parlamentar equidistante do governo e da oposição bolsonarista, deve terminar o parecer até a próxima semana.
O documento de 35 páginas do MJSP faz uma série de equiparações entre o texto de Derrite e o projeto original, elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério, e aponta alguns aspectos que considera problemáticos na versão que Vieira recebeu da Câmara.
O MJSP critica, sobretudo, o que vem chamando de “caos jurídico” que pode ser criado a partir de uma eventual aprovação do projeto de Derrite. Isso porque o texto aprovado cria um arcabouço do zero, o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, com uma nova tipificação; enquanto o projeto do governo apostava em atualizar legislações já existentes, como a Lei das Organizações Criminosas e o Código Penal.
“Criar um outro diploma para tratar paralelamente de ‘organizações criminosas ultraviolentas’, ao invés de fortalecer o combate ao crime organizado, poderá criar um conflito de normas e interpretações. O novo marco legal apresenta definição confusa do que seria essa ‘organização criminosa ultraviolenta’. No mesmo dispositivo, ainda apresenta o conceito de facção criminosa, sem correlação com a definição prevista no art. 2º da legislação atual”, diz o documento.
O governo também argumenta que o projeto atual pode, na sua visão, criminalizar movimentos sociais e manifestantes. O trecho em questão diz que “restringir, limitar, obstaculizar ou dificultar a livre circulação de pessoas, bens e serviços, públicos ou privados” passa a constituir crime.
“Malgrado as boas intenções, pode permitir a criminalização de ações políticas e sociais não-delitivas em sua origem, como movimentos meramente reivindicatórios de direitos”, diz o MJSP.
Em seguida, sugere a inclusão de um inciso para proteger civis inocentes: “O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria”.
A questão da redivisão de recursos apreendidos do crime – o calcanhar de Aquiles do texto de Derrite, que levaria a uma descapitalização da verba da Polícia Federal – também recebeu sugestões do governo federal.
Enquanto Derrite sugere o rateio em partes iguais entre o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos Estados ou do Distrito Federal dos valores apreendidos em caso de atuação conjunta entre a PF e as forças de segurança pública estaduais ou distritais, o MJSP alega que a medida viola as vinculações legais e constitucionais já estabelecidas.
O governo diz que, atualmente, os bens e valores do tráfico de drogas devem ser destinados ao Fundo Nacional Antidrogas; bens e valores de crimes cometidos por milícias devem ser direcionados ao FNSP; bens e valores obtidos nos crimes de lavagem de dinheiro vão para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal; e os bens e valores decorrentes das multas, recursos confiscados e alienados em favor da União dos crimes em geral vão para o Fundo Penitenciário Nacional.
O governo afirma que, em 2025, as receitas vindas de bens apreendidos somaram aproximadamente R$ 367,48 milhões, e que a retirada ou redistribuição desses valores reduziria a capacidade operacional e financeira dos órgãos e fundos, “afetando diretamente a execução de políticas públicas”.
O secretário de Assuntos Legislativos do MJSP, Marivaldo Pereira, afirmou ao Estadão que o governo “não vai admitir” a retirada de competência ou de recursos da PF e que vai “lutar até o fim” para derrubar o que chamou de obstáculos criados por Derrite a medidas para descapitalização das organizações criminosas e o bloqueio de patrimônio de criminosos.
Pereira mudou o discurso da semana passada logo após a aprovação no plenário da Câmara, quando ele declarou que a aposta do Palácio do Planalto era salvar o projeto original no Senado:
“Nunca há da parte do Executivo apego à aprovação do texto original. Estamos agora tentando salvar o sistema existente e evitar caos jurídico que a proposta, tal como está, vai criar no sistema de persecução penal, de combate a organizações criminosas. É possível ter outra proposta, mas precisa respeitar o sistema existente. Não fazemos questão de que seja o texto do governo”, afirmou. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/ministerio-da-justica-faz-quase-60-sugestoes-ao-senado-para-corrigir-o-projeto-de-lei-antifaccao/
Ministério da Justiça faz quase 60 sugestões ao Senado para corrigir o Projeto de Lei Antifacção
2025-11-28
Related Posts
Trama golpista: Supremo julga nesta semana núcleo 2; saiba o que pode acontecer com os réus
Se condenarem o grupo, ministros vão fixar tempo de prisão e reparação de danos. (Foto: Reprodução/TV Globo) A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, a partir da terça-feira (9), seis réus do chamado “núcleo 2” da trama golpista. A Primeira Turma vai decidir se condena ou absolve os réus. Se forem absolvidos, …
Além de Barroso, outros ministros anteciparam a saída do Supremo
Desde 1985, seis ministros anteciparam aposentadoria da Corte em mais de seis anos. (Foto: Luiz Silveira/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso anunciou nessa quinta-feira (9), que antecipará sua aposentadoria da Corte. O magistrado poderia permanecer no cargo até março de 2033, quando completará 75 anos, idade limite para a aposentadoria …
Brasil poderá implantar o voto distrital misto; saiba como está este tema
A expectativa é que a proposta seja votada até o fim do ano, antes de 2026, quando o plenário fica esvaziado pelas eleições. (Foto: Antonio Augusto/TSE) O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula uma proposta de reforma política para instituir o voto distrital misto nas eleições a partir de 2030. A iniciativa …
Lula desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do G20
Segundo o governo brasileiro, a edição deste ano da cúpula discutirá mudanças climáticas, transição energética, minerais críticos e trabalho decente, entre outros assuntos. Os minerais críticos são recursos de importância estratégica para a economia. Eles são essenciais para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, painéis solares e eletrônicos. Além de participar da cúpula, Lula deve ter …