Alessandro Stefanutto foi demitido do INSS quando as fraudes dos descontos ilegais foram reveladas. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A defesa de Stefanutto afirma que não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão dele e que trata-se de uma prisão “completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação”.
Stefanutto, que é servidor de carreira da AGU (Advocacia Geral da União), havia assumido o comando do INSS em julho de 2023 e foi afastado em abril de 2025, quando as fraudes dos descontos ilegais foram reveladas.
Veja seis pontos que levaram Stefanutto à prisão:
* O esquema bilionário de descontos irregulares
A Operação Sem Desconto mira um esquema que teria descontado o valor estimado de R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.
Sob a gestão de Stefanutto, o INSS prometeu reformar o sistema de validação desses descontos, mas as medidas não chegaram a ser implementadas antes de seu afastamento.
Uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) em 29 das mais de 40 entidades investigadas verificou que muitas não possuíam a estrutura operacional necessária para fornecer os serviços que prometiam, como convênios médicos ou auxílio funerário.
Auditores apontam que o INSS, sob a gestão de Stefanutto, não suspendeu repasses nem bloqueou convênios com associações que aplicavam descontos irregulares, o que teria permitido a continuidade da fraude. A PF investiga se houve omissão ou facilitação por parte da cúpula do órgão.
* Falhas no controle interno do INSS
Stefanutto é investigado por ter mantido servidores e dirigentes ligados ao grupo em posições estratégicas, mesmo após denúncias internas.
* Suposta interferência em investigações internas
A prisão de Stefanutto é resultado de um dos dez mandados de prisão preventiva cumpridos pela Polícia Federal nessa quinta-feira (13), que também envolveu 63 mandados de busca e apreensão.
O pedido se baseia em indícios de que o ex-presidente teria atuado para interferir na coleta de provas e na substituição de servidores que colaboravam com a investigação.
* Movimentações financeiras suspeitas
Durante seu depoimento de dez horas à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS em 13 de outubro de 2025, Stefanutto foi questionado sobre suas movimentações financeiras.
O ex-presidente justificou que o valor correspondia a um Pix feito entre contas pessoais. As transferências, ele afirma, foram para transferir recursos que recebeu da AGU (Advocacia Geral da União) do Banco do Brasil para o Itaú, a fim de pagar seu financiamento bancário.
A PF, porém, aponta que a movimentação ocorreu em meio ao avanço das investigações internas do INSS e sem lastro compatível com sua renda mensal.
* Relação com dirigentes de associações
Em setembro, a CPMI do INSS aprovou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Stefanutto. O objetivo era rastrear comunicações e movimentações financeiras que pudessem demonstrar ligação entre o ex-presidente e dirigentes de associações de fachada.
A comissão também solicitou relatórios de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre o ex-presidente.
De acordo com a investigação, mensagens coletadas em celulares apreendidos de outros investigados citam Stefanutto como “amigo do sistema”.
* Confronto com parlamentares na CPMI
O ex-presidente do INSS protagonizou um dos momentos mais tensos da CPMI, em 13 de outubro, quando discutiu com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que o acusou de ser “a cabeça do maior roubo contra aposentados e pensionistas do país”.
Stefanutto reagiu, apontando o dedo ao relator, dizendo que as acusações eram infundadas e que vinha sendo usado como “bode expiatório político”.
Um integrante da comissão pediu sua prisão em flagrante por desacato, mas o presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG), barrou a manobra, alegando que “Não cabe prisão em flagrante por desacato”. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/entenda-em-seis-pontos-o-que-levou-o-ex-presidente-do-inss-a-prisao/ Entenda em seis pontos o que levou o ex-presidente do INSS à prisão 2025-11-14
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Stefanutto, que é servidor de carreira da AGU (Advocacia Geral da União), havia assumido o comando do INSS em julho de 2023 e foi afastado em abril de 2025, quando as fraudes dos descontos ilegais foram reveladas.
Veja seis pontos que levaram Stefanutto à prisão:
* O esquema bilionário de descontos irregulares
A Operação Sem Desconto mira um esquema que teria descontado o valor estimado de R$ 6,3 bilhões dos beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.
Sob a gestão de Stefanutto, o INSS prometeu reformar o sistema de validação desses descontos, mas as medidas não chegaram a ser implementadas antes de seu afastamento.
Uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) em 29 das mais de 40 entidades investigadas verificou que muitas não possuíam a estrutura operacional necessária para fornecer os serviços que prometiam, como convênios médicos ou auxílio funerário.
Auditores apontam que o INSS, sob a gestão de Stefanutto, não suspendeu repasses nem bloqueou convênios com associações que aplicavam descontos irregulares, o que teria permitido a continuidade da fraude. A PF investiga se houve omissão ou facilitação por parte da cúpula do órgão.
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* Movimentações financeiras suspeitas
Durante seu depoimento de dez horas à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS em 13 de outubro de 2025, Stefanutto foi questionado sobre suas movimentações financeiras.
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* Relação com dirigentes de associações
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A comissão também solicitou relatórios de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre o ex-presidente.
De acordo com a investigação, mensagens coletadas em celulares apreendidos de outros investigados citam Stefanutto como “amigo do sistema”.
* Confronto com parlamentares na CPMI
O ex-presidente do INSS protagonizou um dos momentos mais tensos da CPMI, em 13 de outubro, quando discutiu com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que o acusou de ser “a cabeça do maior roubo contra aposentados e pensionistas do país”.
Stefanutto reagiu, apontando o dedo ao relator, dizendo que as acusações eram infundadas e que vinha sendo usado como “bode expiatório político”.
Um integrante da comissão pediu sua prisão em flagrante por desacato, mas o presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG), barrou a manobra, alegando que “Não cabe prisão em flagrante por desacato”. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/entenda-em-seis-pontos-o-que-levou-o-ex-presidente-do-inss-a-prisao/
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2025-11-14
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