O ministro das Cidades, Jader Filho, afirma ter “sinceras dúvidas” quanto à viabilidade econômica da tarifa zero no transporte público em escala nacional
O ministro defende que a discussão ocorra de forma articulada entre União, Estados e municípios. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), afirma ter “sinceras dúvidas” quanto à viabilidade econômica da tarifa zero no transporte público em escala nacional, apesar de o governo ter passado a defender estudos sobre o tema, em um ensaio para a campanha eleitoral de 2026. O ministro defende que a discussão ocorra de forma articulada entre União, estados e municípios, e não como uma política imposta “de cima para baixo”.
1) O ministro Fernando Haddad disse que a Fazenda estuda a tarifa zero no transporte público, tema que o governo vai tentar emplacar como bandeira eleitoral. É viável?
O presidente (Lula) comentou na reunião ministerial que teria endereçado ao ministro Haddad um estudo. No Ministério das Cidades, a gente já vem discutindo as alternativas de subsídio. Estamos preparados para levar os dados quando formos chamados.
2) Os dados mostram que a tarifa zero é viável no Brasil?
Precisa ser feita uma grande discussão nacional sobre a tarifa de transporte. Em diversas cidades, o transporte público é um dos grandes problemas sociais. Mas essa discussão tem que ser feita nos três níveis: federal, estadual e municipal. Confesso que tenho sinceras dúvidas se o caminho correto é a tarifa zero.
3) Há cerca de 120 cidades com algum tipo de tarifa zero, a maioria de médio ou grande porte. Seria possível estender o modelo para cidades menores?
Não. O assunto é muito mais complexo do que discutir “sim” ou “não” à tarifa zero. Determinados municípios têm capacidade de bancar. Em outros, a frota média tem idade maior do que dez anos, apesar de o Código de Trânsito proibir. É disso que a gente está falando.
4) Estimativas privadas apontam um custo de dezenas de bilhões por ano. Qual a estimativa do ministério?
Na hora que formos chamados, nós temos isso. Mas para quem fala de ajuste fiscal, corte de gastos… Temos que entender a realidade estado por estado, chamar os prefeitos… É muito complexo tomar uma decisão única e isso servir de cima para baixo. Não dá para ser assim, porque o serviço é municipal. O governo federal, no máximo, pode induzir.
5) A discussão vai se estender além deste mandato?
Provavelmente. Temos conhecimento disso a partir do estudo que está sendo feito pela Fazenda. Depois que nos for apresentado, se for, eu vou poder responder.
6) Os programas habitacionais e a reforma do Imposto de Renda são as principais bases da campanha à reeleição?
O papel do governo é resolver os problemas. Tem déficit habitacional, famílias que precisam ter um banheiro… Tem um problema grave econômico, que é a taxa de juros elevada, que não permite que uma parcela importante da sociedade obtenha financiamento. O Imposto de Renda foi uma plataforma eleitoral, e o presidente tinha que honrar. Mas passou apenas uma parte, né?
7) Como assim?
Todo o dia a imprensa fala em responsabilidade fiscal. A gente faz justiça social e quem paga a conta? O compromisso era aprovar a MP (alternativa ao IOF). O Brasil precisa de uma concertação.
8) Houve votos do MDB na votação que fez com que a MP perdesse a validade.
O MDB sempre teve suas posições regionais e muito respeito às lideranças locais. Isso não vai mudar. Agora, como cidadão, não vejo nenhuma pessoa de bem que não se indigne com isso.
9) O governo demitiu indicados de parlamentares que votaram contra a MP. O que acha?
Tem que analisar caso a caso. Quem é o padrinho? A ministra Gleisi (Hoffmann) é muito experiente e tem compromisso com o sucesso do governo. As decisões que ela vai tomar serão acertadas.
10) O MDB vai apoiar a reeleição?
11) O partido está dividido…
Quando a gente não resolve na conversa, resolve no voto na convenção (partidária).
12) Uma possibilidade é o MDB ficar com a vice-presidência?
O presidente Lula tem um vice. O (Geraldo) Alckmin tem demonstrado grande valor, sido muito leal e tem papel fundamental no tarifaço. É um grande vice-presidente e deveria ser mantido.
13) Vai se candidatar em 2026?
Existe essa possibilidade, mas tenho compromissos que precisam ser finalizados, como atingir a meta de dois milhões de casas entregues até dezembro. Se as coisas estiverem organizadas, serei candidato a deputado federal.
14) A COP30 ainda tem uma série de obras em andamento e já houve críticas às dificuldades de infraestrutura em Belém. O evento preocupa?
Não, a COP vai ser um sucesso. As obras centrais foram todas entregues. Está na fase final a parte vinculada à ONU, que está fazendo os galpões onde vão acontecer as reuniões. (Com informações do portal O Globo)
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1) O ministro Fernando Haddad disse que a Fazenda estuda a tarifa zero no transporte público, tema que o governo vai tentar emplacar como bandeira eleitoral. É viável?
O presidente (Lula) comentou na reunião ministerial que teria endereçado ao ministro Haddad um estudo. No Ministério das Cidades, a gente já vem discutindo as alternativas de subsídio. Estamos preparados para levar os dados quando formos chamados.
2) Os dados mostram que a tarifa zero é viável no Brasil?
Precisa ser feita uma grande discussão nacional sobre a tarifa de transporte. Em diversas cidades, o transporte público é um dos grandes problemas sociais. Mas essa discussão tem que ser feita nos três níveis: federal, estadual e municipal. Confesso que tenho sinceras dúvidas se o caminho correto é a tarifa zero.
3) Há cerca de 120 cidades com algum tipo de tarifa zero, a maioria de médio ou grande porte. Seria possível estender o modelo para cidades menores?
Não. O assunto é muito mais complexo do que discutir “sim” ou “não” à tarifa zero. Determinados municípios têm capacidade de bancar. Em outros, a frota média tem idade maior do que dez anos, apesar de o Código de Trânsito proibir. É disso que a gente está falando.
4) Estimativas privadas apontam um custo de dezenas de bilhões por ano. Qual a estimativa do ministério?
Na hora que formos chamados, nós temos isso. Mas para quem fala de ajuste fiscal, corte de gastos… Temos que entender a realidade estado por estado, chamar os prefeitos… É muito complexo tomar uma decisão única e isso servir de cima para baixo. Não dá para ser assim, porque o serviço é municipal. O governo federal, no máximo, pode induzir.
5) A discussão vai se estender além deste mandato?
Provavelmente. Temos conhecimento disso a partir do estudo que está sendo feito pela Fazenda. Depois que nos for apresentado, se for, eu vou poder responder.
6) Os programas habitacionais e a reforma do Imposto de Renda são as principais bases da campanha à reeleição?
O papel do governo é resolver os problemas. Tem déficit habitacional, famílias que precisam ter um banheiro… Tem um problema grave econômico, que é a taxa de juros elevada, que não permite que uma parcela importante da sociedade obtenha financiamento. O Imposto de Renda foi uma plataforma eleitoral, e o presidente tinha que honrar. Mas passou apenas uma parte, né?
7) Como assim?
Todo o dia a imprensa fala em responsabilidade fiscal. A gente faz justiça social e quem paga a conta? O compromisso era aprovar a MP (alternativa ao IOF). O Brasil precisa de uma concertação.
8) Houve votos do MDB na votação que fez com que a MP perdesse a validade.
O MDB sempre teve suas posições regionais e muito respeito às lideranças locais. Isso não vai mudar. Agora, como cidadão, não vejo nenhuma pessoa de bem que não se indigne com isso.
9) O governo demitiu indicados de parlamentares que votaram contra a MP. O que acha?
Tem que analisar caso a caso. Quem é o padrinho? A ministra Gleisi (Hoffmann) é muito experiente e tem compromisso com o sucesso do governo. As decisões que ela vai tomar serão acertadas.
10) O MDB vai apoiar a reeleição?
11) O partido está dividido…
Quando a gente não resolve na conversa, resolve no voto na convenção (partidária).
12) Uma possibilidade é o MDB ficar com a vice-presidência?
O presidente Lula tem um vice. O (Geraldo) Alckmin tem demonstrado grande valor, sido muito leal e tem papel fundamental no tarifaço. É um grande vice-presidente e deveria ser mantido.
13) Vai se candidatar em 2026?
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Não, a COP vai ser um sucesso. As obras centrais foram todas entregues. Está na fase final a parte vinculada à ONU, que está fazendo os galpões onde vão acontecer as reuniões. (Com informações do portal O Globo)
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