A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo, foi a primeira a apresentar o voto. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)
O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar, no plenário virtual da Corte, uma ação conjunta de três associações de magistrados contra regras definidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que administra o Poder Judiciário, para a promoção por merecimento de juízes a desembargadores.
As normas questionadas pelas entidades estão sistematizadas na Resolução n.º 106, de 2010. O julgamento sobre a validade das regras vai até o dia 17 de outubro no STF.
A ADI foi ajuizada por três entidades representativas da magistratura nacional: Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). As associações argumentam que os dispositivos da resolução do CNJ estabeleceram critérios subjetivos que violam princípios fundamentais como a independência dos juízes, isonomia e proporcionalidade.
As requerentes assinalam que, ao privilegiar os “magistrados cujo índice de conciliação seja proporcionalmente superior ao índice de sentenças proferidas dentro da mesma média”, a norma configuraria ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Destacam ainda que a norma afronta a independência dos magistrados, na medida em que impõe uma determinada forma de solucionar conflitos – a composição – para que possam preencher o requisito do merecimento visando à promoção ou acesso aos tribunais.
O caso chegou ao STF após o próprio CNJ julgar o pedido das associações improcedente, mantendo os critérios estabelecidos na resolução.
Há duas formas de promoção na magistratura: por tempo de carreira (antiguidade) e por merecimento, que considera os méritos da carreira do juiz. O CNJ definiu parâmetros para avaliar, no caso da promoção por mérito, a “qualidade das decisões” do magistrado, produtividade, presteza, celeridade e aperfeiçoamento, entre outros.
Os indicadores de produtividade são, por exemplo, o número de acórdãos e decisões proferidas em substituição ou auxílio no segundo grau. A avaliação de presteza, por sua vez, envolve assiduidade ao expediente, residência na cidade onde o magistrado está lotado e participação em mutirões, justiça itinerante e outras iniciativas institucionais.
Já a celeridade é medida pela duração dos processos, e o aperfeiçoamento técnico envolve atividades de direção, coordenação, assessoria e docência em cursos de formação de magistrados.
Primeiro voto
A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo no Supremo, foi a primeira a apresentar o voto. Ela defendeu a manutenção da maior parte das regras fixadas pelo CNJ, exceto uma, que prevê os índices de conciliação do magistrado como critério de desempate da promoção.
Cármen Lúcia considerou o critério do CNJ desproporcional porque, na visão da ministra, a conciliação depende da “vontade das partes” do processo, circunstância que foge ao controle do juiz.
“A aferição da produtividade deve estar pautada sobre dados que traduzam o esforço e a dedicação do magistrado em pôr termo às demandas judicializadas sob sua responsabilidade, sem influência de circunstâncias independentes das características pessoais do julgador”, votou a ministra.
https://www.osul.com.br/juizes-questionam-no-supremo-regras-para-promocao-na-carreira/ Juízes questionam no Supremo regras para promoção na carreira 2025-10-12
As imagens exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. Foto: Reprodução/TikTok As imagens exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. (Foto: Reprodução/TikTok) O Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicaram nessa terça-feira (10), uma nota oficial conjunta na …
O teto do funcionalismo é o limite máximo de remuneração que servidores e agentes públicos podem receber no Brasil. Foto: Gustavo Moreno/STF O teto do funcionalismo é o limite máximo de remuneração que servidores e agentes públicos podem receber no Brasil. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, nesta …
Nome do AGU foi citado mais de 1,2 milhão de vezes online nos últimos dois dias, diz relatório do Democracia em Xeque. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) Dois eventos políticos em Brasília incendiaram o debate público nacional e geraram turbulência massiva nas redes sociais nos últimos dois dias: a rejeição de Jorge Messias à vaga de …
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução/Redes Sociais O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. (Foto: Reprodução/Redes Sociais) A GOUP Entertainment, …
Juízes questionam no Supremo regras para promoção na carreira
A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo, foi a primeira a apresentar o voto. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)
O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar, no plenário virtual da Corte, uma ação conjunta de três associações de magistrados contra regras definidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que administra o Poder Judiciário, para a promoção por merecimento de juízes a desembargadores.
As normas questionadas pelas entidades estão sistematizadas na Resolução n.º 106, de 2010. O julgamento sobre a validade das regras vai até o dia 17 de outubro no STF.
A ADI foi ajuizada por três entidades representativas da magistratura nacional: Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). As associações argumentam que os dispositivos da resolução do CNJ estabeleceram critérios subjetivos que violam princípios fundamentais como a independência dos juízes, isonomia e proporcionalidade.
As requerentes assinalam que, ao privilegiar os “magistrados cujo índice de conciliação seja proporcionalmente superior ao índice de sentenças proferidas dentro da mesma média”, a norma configuraria ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Destacam ainda que a norma afronta a independência dos magistrados, na medida em que impõe uma determinada forma de solucionar conflitos – a composição – para que possam preencher o requisito do merecimento visando à promoção ou acesso aos tribunais.
O caso chegou ao STF após o próprio CNJ julgar o pedido das associações improcedente, mantendo os critérios estabelecidos na resolução.
Há duas formas de promoção na magistratura: por tempo de carreira (antiguidade) e por merecimento, que considera os méritos da carreira do juiz. O CNJ definiu parâmetros para avaliar, no caso da promoção por mérito, a “qualidade das decisões” do magistrado, produtividade, presteza, celeridade e aperfeiçoamento, entre outros.
Os indicadores de produtividade são, por exemplo, o número de acórdãos e decisões proferidas em substituição ou auxílio no segundo grau. A avaliação de presteza, por sua vez, envolve assiduidade ao expediente, residência na cidade onde o magistrado está lotado e participação em mutirões, justiça itinerante e outras iniciativas institucionais.
Já a celeridade é medida pela duração dos processos, e o aperfeiçoamento técnico envolve atividades de direção, coordenação, assessoria e docência em cursos de formação de magistrados.
Primeiro voto
A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo no Supremo, foi a primeira a apresentar o voto. Ela defendeu a manutenção da maior parte das regras fixadas pelo CNJ, exceto uma, que prevê os índices de conciliação do magistrado como critério de desempate da promoção.
Cármen Lúcia considerou o critério do CNJ desproporcional porque, na visão da ministra, a conciliação depende da “vontade das partes” do processo, circunstância que foge ao controle do juiz.
“A aferição da produtividade deve estar pautada sobre dados que traduzam o esforço e a dedicação do magistrado em pôr termo às demandas judicializadas sob sua responsabilidade, sem influência de circunstâncias independentes das características pessoais do julgador”, votou a ministra.
https://www.osul.com.br/juizes-questionam-no-supremo-regras-para-promocao-na-carreira/
Juízes questionam no Supremo regras para promoção na carreira
2025-10-12
Related Posts
Ministérios se unem para repudiar vídeos no TikTok que simulam agressões a mulheres
As imagens exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. Foto: Reprodução/TikTok As imagens exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. (Foto: Reprodução/TikTok) O Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicaram nessa terça-feira (10), uma nota oficial conjunta na …
Ministro Flávio Dino proíbe novas leis para garantir pagamento de “penduricalhos” fora do teto do funcionalismo
O teto do funcionalismo é o limite máximo de remuneração que servidores e agentes públicos podem receber no Brasil. Foto: Gustavo Moreno/STF O teto do funcionalismo é o limite máximo de remuneração que servidores e agentes públicos podem receber no Brasil. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, nesta …
Rejeição de Messias e projeto de lei da Dosimetria incendeiam direita e esquerda nas redes sociais
Nome do AGU foi citado mais de 1,2 milhão de vezes online nos últimos dois dias, diz relatório do Democracia em Xeque. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) Dois eventos políticos em Brasília incendiaram o debate público nacional e geraram turbulência massiva nas redes sociais nos últimos dois dias: a rejeição de Jorge Messias à vaga de …
Produtora de filme de Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro: “Não consta um único centavo”
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução/Redes Sociais O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. (Foto: Reprodução/Redes Sociais) A GOUP Entertainment, …