Segundo ele, nenhum dos réus tem foro por prerrogativa de função. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nessa quarta-feira (10) pela incompetência da Corte para julgar a ação penal sobre uma trama golpista que teria atuado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder mesmo com derrota nas eleições de 2022.
Para o ministro, o caso deveria ter tramitado na primeira instância da Justiça Federal, uma vez que nenhum dos oito réus possui foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação dele, o processo que tramita no Supremo deveria ser inteiramente anulado. “Estamos diante de uma incompetência absoluta”, disse.
“E, como é sabido, em virtude da incompetência absoluta para o julgamento, impõem-se a declaração de nulidade de todos os atos decisórios praticados”, complementou Fux.
Em março deste ano, o Supremo aprovou, por 7 votos a 4, uma nova interpretação do foro privilegiado, para afirmar que casos criminais devem tramitar na Corte mesmo após o ocupante deixar o cargo.
Para o ministro, essa modificação “recentíssima”, feita neste ano no Regimento Interno do Supremo, que alterou a interpretação sobre o foro privilegiado e embasou a decisão de manter o julgamento na Primeira Turma da Corte, não poderia ter sido aplicado ao caso da trama golpista.
Isso porque os fatos investigados ocorreram antes de tal modificação, entre 2021 e 2023, apontou o ministro. Fux afirmou que a Constituição protege o cidadão para impedir a aplicação dessa “modificação da competência como resultado de uma interpretação após o crime”.
Ele afirmou ainda que aplicar essa modificação de entendimento ao caso “gera questionamentos não só sobre casuísmos, mas mais do que isso, ofende o princípio do juiz natural e da segurança jurídica”.
“O que eu quero dizer é que o Supremo Tribunal Federal mudou a competência depois da data dos crimes aqui muito bem apontados por sua excelência, o procurador-geral da República (Paulo Gonet)”, resumiu Fux.
Plenário
Em seguida, o ministro afirmou que, vencido nesta preliminar, sua opinião é que, ainda que seja mantido no Supremo, o caso sobre o golpe deveria ser julgado pelo plenário da Corte, uma vez que o principal réu é um ex-presidente.
Fux disse que a competência constitucional do Supremo para julgar presidentes, que nunca foi alterada, se aplica ao caso da trama golpista, já que Bolsonaro está sendo julgado por fatos ocorridos durante o mandato e em função do cargo, ou seja “está sendo julgado como se presidente fosse”.
Julgamento
O ministro foi o terceiro a votar no caso, sendo o primeiro a divergir sobre questões preliminares levantadas pelas defesas e que podem anular o processo.
Na terça (8), os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro Flávio Dino rejeitaram todas as questões preliminares e votaram pela condenação de todos os oito réus pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nessa quarta, a Primeira Turma do Supremo retomou o julgamento, iniciado em 2 de setembro, que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela PGR e é formado pelas principais cabeças do complô.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
A análise está prevista para durar até esta sexta (12). Ainda devem votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsável pela condução dos trabalhos. (Com informações da Agência Brasil)
https://www.osul.com.br/para-o-ministro-luiz-fux-o-julgamento-da-trama-golpista-deveria-dd/ Para o ministro Luiz Fux, o julgamento da trama golpista deveria descer à primeira instância da Justiça 2025-09-10
Ciro Nogueira é o primeiro congressista a se tornar alvo das investigações sobre as fraudes do Banco Master. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado) O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou na terça-feira (12), que a sigla quer o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque ao lado do pré-candidato à Presidência da República, …
Governistas e oposição apresentaram iniciativas paralelas, com escopos distintos, o que pode diluir o foco das investigações. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Governistas e oposição apresentaram iniciativas paralelas, com escopos distintos, o que pode diluir o foco das investigações. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) A maioria dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado …
Petistas devem lançar candidatos próprios em 10 estados, e miram palanques duplos para o presidente no Nordeste.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) A seis meses da eleição presidencial, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam seus times, acirram o duelo por aliados e atuam para garantir palanques competitivos nos estados. A estratégia passa por …
Além da cassação, a Câmara cancelou o passaporte diplomático ao qual o ex-deputado tinha direito. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse no sábado (20) que cogita “correr atrás de um passaporte de apátrida” para continuar morando no Estado do Texas (EUA), onde está desde fevereiro. O filho do ex-presidente …
Para o ministro Luiz Fux, o julgamento da trama golpista deveria descer à primeira instância da Justiça
Segundo ele, nenhum dos réus tem foro por prerrogativa de função. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nessa quarta-feira (10) pela incompetência da Corte para julgar a ação penal sobre uma trama golpista que teria atuado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder mesmo com derrota nas eleições de 2022.
Para o ministro, o caso deveria ter tramitado na primeira instância da Justiça Federal, uma vez que nenhum dos oito réus possui foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação dele, o processo que tramita no Supremo deveria ser inteiramente anulado. “Estamos diante de uma incompetência absoluta”, disse.
“E, como é sabido, em virtude da incompetência absoluta para o julgamento, impõem-se a declaração de nulidade de todos os atos decisórios praticados”, complementou Fux.
Em março deste ano, o Supremo aprovou, por 7 votos a 4, uma nova interpretação do foro privilegiado, para afirmar que casos criminais devem tramitar na Corte mesmo após o ocupante deixar o cargo.
Para o ministro, essa modificação “recentíssima”, feita neste ano no Regimento Interno do Supremo, que alterou a interpretação sobre o foro privilegiado e embasou a decisão de manter o julgamento na Primeira Turma da Corte, não poderia ter sido aplicado ao caso da trama golpista.
Isso porque os fatos investigados ocorreram antes de tal modificação, entre 2021 e 2023, apontou o ministro. Fux afirmou que a Constituição protege o cidadão para impedir a aplicação dessa “modificação da competência como resultado de uma interpretação após o crime”.
Ele afirmou ainda que aplicar essa modificação de entendimento ao caso “gera questionamentos não só sobre casuísmos, mas mais do que isso, ofende o princípio do juiz natural e da segurança jurídica”.
“O que eu quero dizer é que o Supremo Tribunal Federal mudou a competência depois da data dos crimes aqui muito bem apontados por sua excelência, o procurador-geral da República (Paulo Gonet)”, resumiu Fux.
Plenário
Em seguida, o ministro afirmou que, vencido nesta preliminar, sua opinião é que, ainda que seja mantido no Supremo, o caso sobre o golpe deveria ser julgado pelo plenário da Corte, uma vez que o principal réu é um ex-presidente.
Fux disse que a competência constitucional do Supremo para julgar presidentes, que nunca foi alterada, se aplica ao caso da trama golpista, já que Bolsonaro está sendo julgado por fatos ocorridos durante o mandato e em função do cargo, ou seja “está sendo julgado como se presidente fosse”.
Julgamento
O ministro foi o terceiro a votar no caso, sendo o primeiro a divergir sobre questões preliminares levantadas pelas defesas e que podem anular o processo.
Na terça (8), os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro Flávio Dino rejeitaram todas as questões preliminares e votaram pela condenação de todos os oito réus pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nessa quarta, a Primeira Turma do Supremo retomou o julgamento, iniciado em 2 de setembro, que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela PGR e é formado pelas principais cabeças do complô.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
A análise está prevista para durar até esta sexta (12). Ainda devem votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsável pela condução dos trabalhos. (Com informações da Agência Brasil)
https://www.osul.com.br/para-o-ministro-luiz-fux-o-julgamento-da-trama-golpista-deveria-dd/
Para o ministro Luiz Fux, o julgamento da trama golpista deveria descer à primeira instância da Justiça
2025-09-10
Related Posts
Mesmo após investigações, partido de Bolsonaro quer o senador Ciro Nogueira no palanque de Flávio, diz o presidente da sigla
Ciro Nogueira é o primeiro congressista a se tornar alvo das investigações sobre as fraudes do Banco Master. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado) O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou na terça-feira (12), que a sigla quer o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque ao lado do pré-candidato à Presidência da República, …
Maioria da Câmara e do Senado diz apoiar CPI do Banco Master, mas a cúpula resiste à investigação
Governistas e oposição apresentaram iniciativas paralelas, com escopos distintos, o que pode diluir o foco das investigações. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Governistas e oposição apresentaram iniciativas paralelas, com escopos distintos, o que pode diluir o foco das investigações. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) A maioria dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado …
Eleições 2026: Lula e Flávio Bolsonaro duelam por palanques, barram chapas e priorizam alianças amplas
Petistas devem lançar candidatos próprios em 10 estados, e miram palanques duplos para o presidente no Nordeste.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) A seis meses da eleição presidencial, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam seus times, acirram o duelo por aliados e atuam para garantir palanques competitivos nos estados. A estratégia passa por …
Eduardo Bolsonaro cogita “passaporte de apátrida” para permanecer nos Estados Unidos, após cassação do seu mandato
Além da cassação, a Câmara cancelou o passaporte diplomático ao qual o ex-deputado tinha direito. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse no sábado (20) que cogita “correr atrás de um passaporte de apátrida” para continuar morando no Estado do Texas (EUA), onde está desde fevereiro. O filho do ex-presidente …