A defesa Bolsonaro afirmou ao STF que a denúncia contra o ex-presidente não tem nenhuma prova que o vincule ao plano de assassinato de autoridades ou aos ataques do 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega a uma semana de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) isolado de seus principais aliados, sem controle de sua comunicação e envolvido numa troca de fogo entre dois grupos com visões conflitantes sobre a melhor forma de protegê-lo – e sobre quem deve ser o nome a sucedê-lo.
Bolsonaro está em prisão domiciliar, desde 4 de agosto, por descumprir as medidas cautelares determinadas em 18 de julho pelo ministro Alexandre de Moraes. Naquela data, a Corte havia imposto a ele uma tornozeleira eletrônica, a proibição do uso de redes sociais e a obrigação de recolhimento noturno, entre outras medidas.
A Primeira Turma do STF inicia na semana que vem, em 2 de setembro, o julgamento da ação penal que tem como réus Bolsonaro e sete ex-integrantes de seu governo. Eles compõem o chamado “núcleo crucial” dos acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado.
O “novo entorno” de Bolsonaro está no centro das insatisfações dos aliados que foram alijados de seu convívio por diferentes motivos. Em maio, um de seus mais fiéis escudeiros, o advogado Fabio Wajngarten, foi demitido do PL após se indispor com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Na semana passada, o pastor Silas Malafaia, um dos conselheiros de acesso mais íntimo ao ex-presidente, foi impedido de se comunicar com Bolsonaro após ser alvo de medidas cautelares impostas por Moraes. Ele agora é investigado por suposta participação em crimes de coação no curso do processo.
Em março, o terceiro filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deixou o Brasil para viver nos Estados Unidos, onde atua para impor sanções contra o STF junto à Casa Branca, e cogita não mais voltar. O comunicador Paulo Figueiredo, braço-direito de Eduardo no exterior, por sua vez, é réu na ação que investiga a tentativa de golpe e não deve voltar tão cedo ao Brasil também.
O afastamento de Wajngarten é considerado crítico por pessoas próximas do ex-presidente, porque ele era o responsável por manter Bolsonaro exposto na mídia, fazendo ponte com veículos e articulando entrevistas, conversas e artigos de opinião em nome do aliado.
Já Malafaia tem sido o principal organizador das manifestações de rua a favor de Bolsonaro – neste ano foram cinco, entre São Paulo, Rio e Brasília, que reuniram ao todo 117,2 mil pessoas, segundo levantamento de pesquisadores da USP.
Interlocutores desse grupo, que trabalha para fortalecer Eduardo como sucessor de seu pai na Presidência da República, reclamam que as pessoas hoje com acesso a Bolsonaro fazem pouco para defender a sua imagem. As críticas recaem, acima de tudo, sobre Michelle e dirigentes do PL.
Bolsonaro tem passado os seus dias no condomínio Solar de Brasília, no bairro do Jardim Botânico, com Michelle e pessoas de sua confiança, como o irmão Eduardo Torres. Nessa terça-feira (26), pela manhã, seu outro irmão, Diego Torres, assessor especial no gabinete de Tarcísio, aproveitou a vinda do governador à capital federal – e o acesso irrestrito da família ao ex-presidente concedido pela Justiça – e foi vê-lo.
Pelo menos uma das visitas a Bolsonaro gerou mal-estar. Michelle chegou a desmentir o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) após ele afirmar, em vídeo, que faria um churrasco durante visita ao ex-presidente. Zucco é um dos líderes da tropa de choque bolsonarista na Câmara.
Dois episódios recentes irritaram bolsonaristas que cobram uma defesa mais enfática do PL a respeito de seu líder mais popular. Após a prisão domiciliar ser decretada a Bolsonaro, Valdemar publicou uma nota curta em que afirmava: “ESTOU INCONFORMADO!!!!! O QUE MAIS POSSO DIZER?”. A manifestação enfureceu parlamentares, que esperavam uma defesa mais enfática do ex-presidente e críticas a Moraes.
Na última semana, outros dois tropeços de Valdemar viraram assunto nos grupos bolsonaristas. Ele disse que Tarcísio vai se filiar ao PL caso seja candidato a presidente em 2026 e comparou Bolsonaro ao líder revolucionário Che Guevara. A grita foi tamanha que ele teve de se explicar.
Os filhos de Bolsonaro e seus antigos aliados têm a percepção de que, enquanto o ex-presidente está preso e quase incomunicável, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os dirigentes do Centrão e agentes do mercado têm se movimentado para deixar o governador de São Paulo bem posicionado no grid de largada para a eleição de 2026. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/a-uma-semana-do-inicio-do-seu-julgamento-bolsonaro-se-isola-a-uma-semana-do-inicio-do-seu-julgamento-e-ve-crise-aumentar-por-acesso-e-sucessao-em-2026/ A uma semana do início do seu julgamento, Bolsonaro se isola e vê crise aumentar por acesso e sucessão em 2026 2025-08-26
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A uma semana do início do seu julgamento, Bolsonaro se isola e vê crise aumentar por acesso e sucessão em 2026
A defesa Bolsonaro afirmou ao STF que a denúncia contra o ex-presidente não tem nenhuma prova que o vincule ao plano de assassinato de autoridades ou aos ataques do 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega a uma semana de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) isolado de seus principais aliados, sem controle de sua comunicação e envolvido numa troca de fogo entre dois grupos com visões conflitantes sobre a melhor forma de protegê-lo – e sobre quem deve ser o nome a sucedê-lo.
Bolsonaro está em prisão domiciliar, desde 4 de agosto, por descumprir as medidas cautelares determinadas em 18 de julho pelo ministro Alexandre de Moraes. Naquela data, a Corte havia imposto a ele uma tornozeleira eletrônica, a proibição do uso de redes sociais e a obrigação de recolhimento noturno, entre outras medidas.
A Primeira Turma do STF inicia na semana que vem, em 2 de setembro, o julgamento da ação penal que tem como réus Bolsonaro e sete ex-integrantes de seu governo. Eles compõem o chamado “núcleo crucial” dos acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado.
O “novo entorno” de Bolsonaro está no centro das insatisfações dos aliados que foram alijados de seu convívio por diferentes motivos. Em maio, um de seus mais fiéis escudeiros, o advogado Fabio Wajngarten, foi demitido do PL após se indispor com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Na semana passada, o pastor Silas Malafaia, um dos conselheiros de acesso mais íntimo ao ex-presidente, foi impedido de se comunicar com Bolsonaro após ser alvo de medidas cautelares impostas por Moraes. Ele agora é investigado por suposta participação em crimes de coação no curso do processo.
Em março, o terceiro filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deixou o Brasil para viver nos Estados Unidos, onde atua para impor sanções contra o STF junto à Casa Branca, e cogita não mais voltar. O comunicador Paulo Figueiredo, braço-direito de Eduardo no exterior, por sua vez, é réu na ação que investiga a tentativa de golpe e não deve voltar tão cedo ao Brasil também.
O afastamento de Wajngarten é considerado crítico por pessoas próximas do ex-presidente, porque ele era o responsável por manter Bolsonaro exposto na mídia, fazendo ponte com veículos e articulando entrevistas, conversas e artigos de opinião em nome do aliado.
Já Malafaia tem sido o principal organizador das manifestações de rua a favor de Bolsonaro – neste ano foram cinco, entre São Paulo, Rio e Brasília, que reuniram ao todo 117,2 mil pessoas, segundo levantamento de pesquisadores da USP.
Interlocutores desse grupo, que trabalha para fortalecer Eduardo como sucessor de seu pai na Presidência da República, reclamam que as pessoas hoje com acesso a Bolsonaro fazem pouco para defender a sua imagem. As críticas recaem, acima de tudo, sobre Michelle e dirigentes do PL.
Bolsonaro tem passado os seus dias no condomínio Solar de Brasília, no bairro do Jardim Botânico, com Michelle e pessoas de sua confiança, como o irmão Eduardo Torres. Nessa terça-feira (26), pela manhã, seu outro irmão, Diego Torres, assessor especial no gabinete de Tarcísio, aproveitou a vinda do governador à capital federal – e o acesso irrestrito da família ao ex-presidente concedido pela Justiça – e foi vê-lo.
Pelo menos uma das visitas a Bolsonaro gerou mal-estar. Michelle chegou a desmentir o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) após ele afirmar, em vídeo, que faria um churrasco durante visita ao ex-presidente. Zucco é um dos líderes da tropa de choque bolsonarista na Câmara.
Dois episódios recentes irritaram bolsonaristas que cobram uma defesa mais enfática do PL a respeito de seu líder mais popular. Após a prisão domiciliar ser decretada a Bolsonaro, Valdemar publicou uma nota curta em que afirmava: “ESTOU INCONFORMADO!!!!! O QUE MAIS POSSO DIZER?”. A manifestação enfureceu parlamentares, que esperavam uma defesa mais enfática do ex-presidente e críticas a Moraes.
Na última semana, outros dois tropeços de Valdemar viraram assunto nos grupos bolsonaristas. Ele disse que Tarcísio vai se filiar ao PL caso seja candidato a presidente em 2026 e comparou Bolsonaro ao líder revolucionário Che Guevara. A grita foi tamanha que ele teve de se explicar.
Os filhos de Bolsonaro e seus antigos aliados têm a percepção de que, enquanto o ex-presidente está preso e quase incomunicável, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os dirigentes do Centrão e agentes do mercado têm se movimentado para deixar o governador de São Paulo bem posicionado no grid de largada para a eleição de 2026. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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A uma semana do início do seu julgamento, Bolsonaro se isola e vê crise aumentar por acesso e sucessão em 2026
2025-08-26
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