A fala é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente ter alimentado a insatisfação e o caos social.
Foto: Victor Piemonte/STF
A fala é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente ter alimentado a insatisfação e o caos social. (Foto: Victor Piemonte/STF)
Durante seu voto no processo da trama golpista, nesta quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux afirmou saber o que é a ditadura e quais as suas consequências. O magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) argumentou pouco antes que manifestações com depredações já realizadas no Brasil não foram enquadradas como golpe de Estado.
“Eu fui estudante de colégio público e universidade pública, eu sei o que é a ditadura, o que são as consequências da ditadura, eu sei como se promovem os atos da ditadura, eu sei como sofrem as vítimas da ditadura.”
A fala do ministro é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter alimentado a insatisfação e o caos social, que, conforme a denúncia, culminou nos atos de 8 de janeiro, último ato do grupo na tentativa de tomar o Estado. No entanto, segundo ele, há uma “falha argumentativa” a respeito disso no processo. O magistrado diverge do relator, Alexandre de Moraes, que votou pela condenação de todos os réus em 5 crimes e foi seguido por Flávio Dino.
“Não há provas que Bolsonaro e demais réus ordenaram destruição causada no 8 de janeiro”, diz Fux.
Isso porque, conforme o magistrado, não há demonstração de qualquer “dever jurídico, senão simplesmente a invocação de uma expectativa protocolar de reconhecimento da derrota eleitoral de forma clara ou uma suposta obrigação moral de desmobilização dos acampamentos”.
Segundo ele, a denúncia não tem sequer a preocupação de especificar quais ações concretas o réu tinha o dever de adotar. “Nem se demonstrou como esses comportamentos juridicamente exigidos seriam necessários e suficientes para impedir os vandalismos de 2023”, argumentou.
Ao analisar a situação de cada integrante do “núcleo crucial”, Fux votou pela punição ao tenente-coronel Mauro Cid por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o que forma maioria na Primeira Turma para sentenciar Cid por esse crime.
Antes de tratar da situação de cada réu, Fux afirmou que discursos e entrevistas com ataques a membros de outros Poderes não podem configurar o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A PGR destacou diversas falas de Bolsonaro nesse sentido como parte da estratégia golpista. O ministro considerou que o crime de tentativa de golpe de Estado foi absorvido pelo crime de abolição violenta, ou seja, só vai analisar a imputação por abolição violenta.
A votação está prevista para terminar até sexta-feira (12). Depois de Fux, a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin (presidente da Turma) devem apresentar seus votos.
https://www.osul.com.br/em-seu-voto-ministro-luiz-fux-diz-saber-o-que-e-a-ditadura-e-quais-as-suas-consequencias/ Em seu voto, ministro Luiz Fux diz saber o que é a ditadura e quais as suas consequências 2025-09-10
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Em seu voto, ministro Luiz Fux diz saber o que é a ditadura e quais as suas consequências
A fala é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente ter alimentado a insatisfação e o caos social.
Foto: Victor Piemonte/STF
A fala é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente ter alimentado a insatisfação e o caos social. (Foto: Victor Piemonte/STF)
Durante seu voto no processo da trama golpista, nesta quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux afirmou saber o que é a ditadura e quais as suas consequências. O magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) argumentou pouco antes que manifestações com depredações já realizadas no Brasil não foram enquadradas como golpe de Estado.
“Eu fui estudante de colégio público e universidade pública, eu sei o que é a ditadura, o que são as consequências da ditadura, eu sei como se promovem os atos da ditadura, eu sei como sofrem as vítimas da ditadura.”
A fala do ministro é a respeito do que aponta a denúncia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter alimentado a insatisfação e o caos social, que, conforme a denúncia, culminou nos atos de 8 de janeiro, último ato do grupo na tentativa de tomar o Estado. No entanto, segundo ele, há uma “falha argumentativa” a respeito disso no processo. O magistrado diverge do relator, Alexandre de Moraes, que votou pela condenação de todos os réus em 5 crimes e foi seguido por Flávio Dino.
“Não há provas que Bolsonaro e demais réus ordenaram destruição causada no 8 de janeiro”, diz Fux.
Isso porque, conforme o magistrado, não há demonstração de qualquer “dever jurídico, senão simplesmente a invocação de uma expectativa protocolar de reconhecimento da derrota eleitoral de forma clara ou uma suposta obrigação moral de desmobilização dos acampamentos”.
Segundo ele, a denúncia não tem sequer a preocupação de especificar quais ações concretas o réu tinha o dever de adotar. “Nem se demonstrou como esses comportamentos juridicamente exigidos seriam necessários e suficientes para impedir os vandalismos de 2023”, argumentou.
Ao analisar a situação de cada integrante do “núcleo crucial”, Fux votou pela punição ao tenente-coronel Mauro Cid por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o que forma maioria na Primeira Turma para sentenciar Cid por esse crime.
Antes de tratar da situação de cada réu, Fux afirmou que discursos e entrevistas com ataques a membros de outros Poderes não podem configurar o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A PGR destacou diversas falas de Bolsonaro nesse sentido como parte da estratégia golpista. O ministro considerou que o crime de tentativa de golpe de Estado foi absorvido pelo crime de abolição violenta, ou seja, só vai analisar a imputação por abolição violenta.
A votação está prevista para terminar até sexta-feira (12). Depois de Fux, a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin (presidente da Turma) devem apresentar seus votos.
https://www.osul.com.br/em-seu-voto-ministro-luiz-fux-diz-saber-o-que-e-a-ditadura-e-quais-as-suas-consequencias/
Em seu voto, ministro Luiz Fux diz saber o que é a ditadura e quais as suas consequências
2025-09-10
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