A defesa Bolsonaro afirmou ao STF que a denúncia contra o ex-presidente não tem nenhuma prova que o vincule ao plano de assassinato de autoridades ou aos ataques do 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução)
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados começa, nesta terça-feira (2), em meio a especulações sobre os diferentes cenários que podem surgir a partir da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma eventual decisão pela condenação, a dúvida é se ele já partiria para o regime fechado ou qual prazo seria necessário para isso ocorrer.
Pela jurisprudência do STF, em caso de condenação com prisão em regime fechado, o réu só pode ser preso após esgotados os primeiros embargos, que são recursos dentro do processo, ou seja, não há precedentes para que Bolsonaro seja condenado e preso em regime fechado no mesmo dia.
Um exemplo da aplicação dessa jurisprudência seria o caso do ex-presidente Collor de Mello. Ele foi condenado, em 2023, a oito anos e 10 meses de prisão, por participação em esquema de corrupção na BR Distribuidora.
Devido a um questionamento da defesa de Collor sobre a dosimetria da pena, a defesa entrou com embargos de declaração e, depois, com embargos infringentes. No último recurso, a Corte considerou que já era protelatório e determinou a execução imediata da pena, em abril de 2025.
Prisão domiciliar
O caso de Bolsonaro, porém, envolve um fator que o diferencia de Collor: o ex-presidente já está preso em regime domiciliar em análise de outro processo. Assim, após decisão na Ação Penal 2668, que analisa trama golpista, pode haver o entendimento de risco de fuga ou alguma questão a ser considerada pela Corte que pode levar Bolsonaro a sair da domiciliar e começar a cumprir pena no regime fechado, em uma prisão.
Pode ainda haver a decisão de preventiva no inquérito em que o STF analisa a atuação de Bolsonaro e do filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação no curso do processo e ataque à soberania nacional. Aqui, a Corte analisaria supostos descumprimentos de cautelares.
As possibilidades são apenas cenários do que pode ocorrer até o dia 12 de setembro, quando ocorre a última sessão prevista para o julgamento. No entanto, será necessário aguardar o que a Primeira Turma decidirá. Em caso de condenação e entendimento pelo início em regime fechado, a decisão da Corte especificará o lugar onde Bolsonaro pode ficar preso.
Julgamento
Por determinação de Cristiano Zanin, que preside a Primeira Turma, o julgamento de Bolsonaro e de mais sete aliados começa nesta terça. Foram convocadas sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, além de uma sessão extraordinária no dia 12, das 14h às 19h. O ministro também convocou sessões ordinárias para 2 e 9 de setembro, das 14h às 19h.
Bolsonaro é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça; e deterioração de patrimônio tombado.
Serão julgados com o ex-presidente:
* Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
* Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
* Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
* Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
* Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
* Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso;
* Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
* Walter Souza Braga Netto, ex-ministro e general da reserva.
As defesas dos réus do chamado núcleo crucial da trama golpista denunciada pela PGR ao STF apresentaram, em 13 de agosto, as alegações finais. A linha comum seguida pelos advogados dos oito réus foi frisar a falta de provas da acusação para ligar os respectivos clientes à participação no planejamento de um possível golpe de Estado.
A Primeira Turma será a responsável por analisar a ação penal e decidir se condena ou absolve os réus. O colegiado é composto por Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino. (Com informações do portal Metrópoles)
https://www.osul.com.br/bolsonaro-pode-ser-preso-logo-apos-o-julgamento-no-supremo-entenda-os-proximos-passos/ Bolsonaro pode ser preso logo após o julgamento no Supremo? Entenda os próximos passos 2025-09-01
O endereço do escritório de Maísa Marciano é o de uma empresa que aluga salas e oferece o serviço de emprestar o local como endereço fiscal para empresas. (Foto: Reprodução) A J&F e a JBS, dos irmãos Batista, transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, a um escritório de advocacia de Goiânia (GO) que …
Os demais ministros da Turma já entregaram os votos para publicação. Foto: Felipe Sampaio/STF Os demais ministros da Turma já entregaram os votos para publicação. (Foto: Felipe Sampaio/STF) O Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda a revisão do voto do ministro Luiz Fux para publicar a decisão que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais …
A virada de posicionamento de Toffoli (foto) ocorreu no julgamento de um recurso do ex-diretor da estatal. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF) O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou o voto e concordou com a anulação de todas as provas e processos na Operação Lava-Jato contra o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, …
Paulo Gonet questiona suspeitas sobre mensagens codificadas e papel de empresa investigada. (Foto: Antonio Augusto/STF) O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações sobre suspeitas de vendas e vazamentos de decisões em gabinetes do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em manifestação, o …
Bolsonaro pode ser preso logo após o julgamento no Supremo? Entenda os próximos passos
A defesa Bolsonaro afirmou ao STF que a denúncia contra o ex-presidente não tem nenhuma prova que o vincule ao plano de assassinato de autoridades ou aos ataques do 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução)
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados começa, nesta terça-feira (2), em meio a especulações sobre os diferentes cenários que podem surgir a partir da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma eventual decisão pela condenação, a dúvida é se ele já partiria para o regime fechado ou qual prazo seria necessário para isso ocorrer.
Pela jurisprudência do STF, em caso de condenação com prisão em regime fechado, o réu só pode ser preso após esgotados os primeiros embargos, que são recursos dentro do processo, ou seja, não há precedentes para que Bolsonaro seja condenado e preso em regime fechado no mesmo dia.
Um exemplo da aplicação dessa jurisprudência seria o caso do ex-presidente Collor de Mello. Ele foi condenado, em 2023, a oito anos e 10 meses de prisão, por participação em esquema de corrupção na BR Distribuidora.
Devido a um questionamento da defesa de Collor sobre a dosimetria da pena, a defesa entrou com embargos de declaração e, depois, com embargos infringentes. No último recurso, a Corte considerou que já era protelatório e determinou a execução imediata da pena, em abril de 2025.
Prisão domiciliar
O caso de Bolsonaro, porém, envolve um fator que o diferencia de Collor: o ex-presidente já está preso em regime domiciliar em análise de outro processo. Assim, após decisão na Ação Penal 2668, que analisa trama golpista, pode haver o entendimento de risco de fuga ou alguma questão a ser considerada pela Corte que pode levar Bolsonaro a sair da domiciliar e começar a cumprir pena no regime fechado, em uma prisão.
Pode ainda haver a decisão de preventiva no inquérito em que o STF analisa a atuação de Bolsonaro e do filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação no curso do processo e ataque à soberania nacional. Aqui, a Corte analisaria supostos descumprimentos de cautelares.
As possibilidades são apenas cenários do que pode ocorrer até o dia 12 de setembro, quando ocorre a última sessão prevista para o julgamento. No entanto, será necessário aguardar o que a Primeira Turma decidirá. Em caso de condenação e entendimento pelo início em regime fechado, a decisão da Corte especificará o lugar onde Bolsonaro pode ficar preso.
Julgamento
Por determinação de Cristiano Zanin, que preside a Primeira Turma, o julgamento de Bolsonaro e de mais sete aliados começa nesta terça. Foram convocadas sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, além de uma sessão extraordinária no dia 12, das 14h às 19h. O ministro também convocou sessões ordinárias para 2 e 9 de setembro, das 14h às 19h.
Bolsonaro é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça; e deterioração de patrimônio tombado.
Serão julgados com o ex-presidente:
* Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
* Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
* Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
* Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
* Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
* Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso;
* Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
* Walter Souza Braga Netto, ex-ministro e general da reserva.
As defesas dos réus do chamado núcleo crucial da trama golpista denunciada pela PGR ao STF apresentaram, em 13 de agosto, as alegações finais. A linha comum seguida pelos advogados dos oito réus foi frisar a falta de provas da acusação para ligar os respectivos clientes à participação no planejamento de um possível golpe de Estado.
A Primeira Turma será a responsável por analisar a ação penal e decidir se condena ou absolve os réus. O colegiado é composto por Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino. (Com informações do portal Metrópoles)
https://www.osul.com.br/bolsonaro-pode-ser-preso-logo-apos-o-julgamento-no-supremo-entenda-os-proximos-passos/
Bolsonaro pode ser preso logo após o julgamento no Supremo? Entenda os próximos passos
2025-09-01
Related Posts
J&F e JBS enviaram R$ 11,5 milhões a advogada que faturava R$ 9 mil por mês – Jornal O Sul
O endereço do escritório de Maísa Marciano é o de uma empresa que aluga salas e oferece o serviço de emprestar o local como endereço fiscal para empresas. (Foto: Reprodução) A J&F e a JBS, dos irmãos Batista, transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, a um escritório de advocacia de Goiânia (GO) que …
Trama golpista: acórdão com condenação de Bolsonaro ainda aguarda revisão de Fux
Os demais ministros da Turma já entregaram os votos para publicação. Foto: Felipe Sampaio/STF Os demais ministros da Turma já entregaram os votos para publicação. (Foto: Felipe Sampaio/STF) O Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda a revisão do voto do ministro Luiz Fux para publicar a decisão que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais …
Operação Lava-Jato: ministro do Supremo Dias Toffoli recua e muda voto para tirar ex-diretor da Petrobras da prisão
A virada de posicionamento de Toffoli (foto) ocorreu no julgamento de um recurso do ex-diretor da estatal. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF) O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou o voto e concordou com a anulação de todas as provas e processos na Operação Lava-Jato contra o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, …
Procurador-geral da República levanta dúvidas sobre relatório da Polícia Federal
Paulo Gonet questiona suspeitas sobre mensagens codificadas e papel de empresa investigada. (Foto: Antonio Augusto/STF) O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações sobre suspeitas de vendas e vazamentos de decisões em gabinetes do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em manifestação, o …